A Igreja de Jesus Cristo-Uma Perspectiva Histórico-Profética

A Igreja de Jesus Cristo-Uma Perspectiva Histórico-Profética
Tradução do livro "La Iglesia de Jesucristo, una perspectiva histórico-profética" de Arcadio Sierra Diaz

sábado, 22 de setembro de 2007

III- Pérgamo ( 3ª Parte )

Capítulo III
P É R G A M O
(3a parte)

Jerônimo Sofrônio, Eusébio (340-420). Nascido em Estridon, perto de Aquiléia (noroeste da Itália), de pais cristãos, dos chamados pais latinos, considera-se que foi o mais erudito. Estudou em Roma literatura (grego e latim), retórica e oratória, mas preferiu a vida monástica, próximo ao ascetismo, vivendo, entre outros lugares, por muitos anos em um monastério que estabeleceu em Belém, no entanto, não foi um homem humilde, pois se distinguiu por ser intolerante com seus críticos. Por muito que se esforçava, o temperamento de Jerônimo não estava formado para a vida de ermitão. Quando era jovem, com Rufino de Aquiléia, aos domingos costumava traduzir as inscrições cristãs nas catacumbas. Viajou às Gálias relacionando-se com os monges de Tréveris; Quando voltou permaneceu um tempo com um grupo de ascéticos e aprendeu hebreu, se aperfeiçoou no grego, para logo ir a Antioquía, onde foi ordenado presbítero, e Constantinopla na época do concílio ecumênico do ano 381, onde parece ter estudado com Gregório Nazianzo e Gregório de Nissa. De volta a Roma chegou a ser secretário do bispo Damaso, quem lhe sugeriu a tradução da Bíblia, tarefa que mais tarde praticou em Belém. Sua obra mais conhecida é a Vulgata Latina, versão da Bíblia dos originais hebreu e grego (sem usar a Septuaginta) no latim popular, que é a mesma Bíblia oficial do sistema católico romano. Para desenvolver este trabalho usou a hexápla de Orígenes, e se negou a incluir os livros apócrifos no cânon, e os traduziu colocando uma nota declarando que não os havia encontrado entre os livros sagrados hebreus, declarando que suas traduções foram feitas só para servir como leitura edificante e informação histórica. A versão da Vulgata não é fiel em numerosas passagens devido ao fato que Jerônimo ignorava muitos dos códices e manuscritos que foram descobertos posteriormente, e traduziu em algumas partes, mudando totalmente o original. Tomou parte em controvérsias teológicas relacionadas com Vigilâncio, Orígenes, Pelágio, Joviniano, seu antigo amigo Rufino e até com Agostinho de Hipo. Além da Vulgata, Jerônimo escreveu muitas cartas, escritos históricos, obras polêmicas e comentários bíblicos, assim como escritos biográficos, como a Vida de São Paulo o Ermitão. Também escreveu Viris Ilustris (Varões ilustres). Deve se ter em conta que a hagiografia é o estilo de biografia que tenta representar à pessoa como um herói da fé. Morreu em Belém, ali onde havia passado os últimos trinta e quatro anos de sua vida.

João Crisóstomo (345-407), chamado por sua grande eloqüência a boca de ouro. Nasceu em Antioquia de pais fervorosamente cristãos. Sua hábil oratória talvez se deva a que em um princípio se preparava para a carreira de advogado, pois adiantou estudos de filosofia e retórica com o célebre professor pagão Libanius e também com Diodoro de Tarso. Foi batizado ao redor dos vinte e cinco anos, chegando a ser frade, pois antes que bispo foi um monge. Mais tarde, ao ser ordenado, se destacou como um grande pregador ardente e eloqüente, a tal ponto que a pedido do mesmo imperador foi feito bispo de Constantinopla em 398. Na oratória era um gigante por cima dos gigantes. Desde ali enviou missionários às terras dos bárbaros, mas foi desterrado por haver combatido, desde o púlpito da basílica de Santa Sofía, o vício entre o clero e o laicato rico, por seu zelo transformador, fidelidade e independência, que causaram choques com a imperatriz Eudóxia, esposa do imperador Arcádio.Se destacou também por sustentar o meio mais eficaz de influir na conversão dos demais era dando exemplo de uma autêntica vida cristã. Na oratória expressava oralmente sua própria vida, sendo o púlpito o melhor lugar onde batalhava contra os poderes do mal. "Não havia mais pagãos, se nós fossemos verdadeiros cristãos", costumava dizer. Dele se conta que empreendeu a destruição dos templos pagãos em Alexandria aos finais do século quarto, pois se conta que suas célebres homilias das "estátuas" foram causa de grandes ações iconoclastas ( aquele que destrói imagens). Nessa cidade também converteu ao Serapeo (grande santuário de Serapis) em templo cristão. Influenciado pelas idéias pelagianas, João Crisóstomo insistia em que os homens podem escolher o bem, e ao fazê-lo, a graça de Deus vem em sua ajuda a fim de fortalecê-lo para fazer a vontade de Deus. Morreu no exílio em 407 o homem que falava palavras de ouro, porque falava o que era de Deus.

Agostinho de Hipo. Nasceu em Tagaste, pequena cidade romana de Numídia (hoje Argélia), África do Norte (354-430), de mãe cristã (Mônica) e pai pagão. Entre os dados biográficos queremos ressaltar que sendo jovem, Agostinho recebeu instrução cristã abaixo da influência de sua devota mãe, sem que chegasse a se batizar, foi dito a ele que pela mencionada crença entre seus contemporâneos de que o batismo lavava os pecados cometidos antes de ser administrado. Pela leitura de Hortensius, de Cícero, o famoso orador da era clássica romana, Agostinho foi atraído pela filosofia e o pensamento helenístico em general, especialmente pelo neoplatonismo e a influência do epicúreo, céptico e eclético, mas na filosofia não encontrou a resposta aos grandes problemas da existência e aos interrogantes da vida.Fiel a suas idéias lógicas e racionalistas se decidiu então pelo maniqueísmo, movimento que lhe apresentava uma explicação da dicotomia do mal e do bem, do que também se separou, pois tampouco lhe satisfizeram suas inquietudes intelectuais. Exerceu como mestre de retórica em Cartago, Roma e eventualmente em Milão, onde conheceu e foi influenciado por Ambrósio, bispo da cidade. A princípio se interessou em escutar a Ambrósio só por motivos didáticos, mas pouco a pouco além do estilo e a retórica, Agostinho foi se interessando pelo contido dos sermões. Foi encontrando as respostas que não havia visto na filosofia helenística nem no maniqueísmo, e determinou estudar de novo a Bíblia. Mas Agostinho continuava com a mesma impotência para controlar seus impulsos da carne, que o haviam caracterizado desde sua adolescência, época em que, antes de que completasse os dezoito anos, em Cartago uma concubina lhe deu um filho, a quem chamou Adeodato, que significa, "dado por Deus". Um dia Agostinho se afastou do grupo de seus jovens amigos a um recanto de um agradável jardim, outros dizem que o certo era que estava esperando uma mulher casada, e achando-se em uma luta de consciência, lhe pareceu escutar uma doce voz que lhe dizia: "Toma, lê", vendo frente a si um exemplar da epístola de Paulo aos Romanos, “Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes;
14 mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências.” (Ro. 13:13-14).Tudo isto foi precipitando sua conversão, e o dia 25 de abril de 387, ele e Adeodato foram batizados por Ambrósio. Uma vez superados os conflitos da carne, Agostinho manifestava que lhe persistia o problema do orgulho, mas regressando a África se aplicou no estudo da Bíblia e chegou a ser um escritor prodígio, deixando uma obra literária de quase cem livros. Foi bispo em Hipo desde o ano 395 até sua morte em 430. Há consenso em que depois de Paulo, foi o cristão de maior, mais profunda e prolongada influência sobre o cristianismo de Europa ocidental, em especial por haver sido um ubérrimo escritor que enriqueceu a Igreja, particularmente no ocidente, com esse grande depósito que havia recebido dos aportes das escolas de Alexandria, Antioquía, e outras, mesmo que padeceu de alguns erros, fruto de sua formação helenística.Agostinho sustentava que no princípio os anjos e homens foram criados racionais e livres e que antes da queda não existia mal em nenhuma parte da criação, rebelando-se contra o princípio mal dos maniqueístas. Agostinho sustentava que a capacidade para a livre eleição racional é simultaneamente um dom de Deus destinado para o bem do homem, como também seu maior perigo, e o tinha como a qualidade mais elevada do homem. Por seu fundo neoplatônico, sustentava a crença que as criaturas dotadas de livre arbítrio racional (anjos e homens) podem existir sem serem malvados, mesmo só eles podem ser malvados; e que Adão, empregando essa capacidade de livre eleição racional, caiu em pecado e passou o mal a toda a raça humana.Ensinava a si mesmo que a raiz do pecado humano é o orgulho, o amor próprio, o desejo da criatura de colocar-se no centro, desprezando ao Criador, o querer fazer sua própria vontade em vez da de Deus. E cria, além disso, que depois da queda o homem é totalmente incapaz de levantar-se de sua degradação por seu próprio esforço. O homem se concentra tanto em si mesmo, que é incapaz de escolher a Deus, e que só podemos ser resgatados mediante um segundo nascimento, mediante um novo pacto de Deus. Agora, embaixo do cativeiro do pecado e da morte, a liberdade só pode vir pela graça de Deus, a qual estava em Cristo, plenamente Deus e plenamente homem; o segundo Adão, com o qual Deus começou de novo, mas equiparava os sacramentos com a Palavra, como meios para alcançar a graça, ainda que afirma que a mera participação nos sacramentos não nos faz membros da verdadeira igreja. Mas se inclinou pelo batismo das crianças, dizendo que se em Adão todos temos pecado, as crianças nascem merecedores do inferno e perecem se não são batizados. Tomava Agostinho o ato sexual como transmissor do pecado original, por quanto acarreta concupiscência, que para ele era a essência do pecado original. Foi tão profunda a influência exercida por Agostinho na Igreja, que se pode dizer que durou cerca de mil anos, tempo em que era obrigada a consulta por todos os estudiosos de teologia. Escreveu sobre teologia cristã englobando diversos temas como a hermenêutica, a exegese, história, filosofia, etc.., e seus escritos foram citados constantemente pelos reformadores para defender a doutrina da graça e a segurança da salvação. Agostinho, citando a São Paulo, afirmava a predestinação, convencido de que todos os homens ao participar do pecado de Adão merecem o juízo, mas Deus pelo puro afeto de sua vontade, e para louvor da glória de sua graça, resolveu predestinar a alguns para salvação, sem ter haver com méritos humanos; que o número dos predestinados é fixo, e todo o que é predestinado se salva. De acordo com Agostinho, a graça é efeito da predestinação, mas não será que a predestinação é produto da graça? Calvino, Lutero e outros reformadores costumavam cita-lo constantemente. Entre os livros mais famosos e lidos deste gênio do cristianismo, relacionamos: * Confissões, obra autobiográfica, um comovedor e profundo registro das lutas e as peregrinações da alma humana. Nesta obra interpreta seu passado desde a morte de sua mãe Mônica, e onde sem consideração se acusa a si mesmo, e onde usa uma filosofia cheia de controvérsias, sobre tudo contra os maniqueístas. * De Civitate Dei (A Cidade de Deus), obra escrita no ano 412 e que consta de 22 livros, a maneira de uma interpretação filosófica da história e de todo o drama humano. Provocado Agostinho pelo saqueio de Roma por parte de Alarico e seus godos em 410.
Todavia existia um forte número de pagãos no território imperial, esta obra era uma contestação em seu momento aos que acusavam ao cristianismo como responsável da queda de Roma nas mãos dos bárbaros, e de ser culpáveis de debilitar a antiga força do Império Romano. Que Roma havia caído por haver abraçado ao cristianismo e haver abandonado os antigos deuses que a haviam engrandecido e a enchido de poder.
Na trama do livro, Agostinho contrasta a história paralela de duas cidades, cuja construção se baseia nos princípios opostos. A cidade de Deus, fundada sobre o amor de Deus, e uma oposta, a cidade terrena fundada sobre o amor a si mesmo, e que entre ambas há uma guerra sem quartel. Na história da humanidade aparecem reinos e nações fundados sobre o amor a si mesmo, e que não são senão expressões da cidade do mundo, até que chegue o tempo em que sucumbam, só subsista ao final a cidade de Deus. Isso ocorreu a Roma em sua oportunidade. Na história paralela se aprecia o contraste em Abel e Caim, Jacó e Esaú, Jerusalém e Babilônia, a Igreja e o Império Romano. Resulta supremamente interessante fazer alguns comentários sobre esta obra. Temos estado analisando neste capítulo esse período matrimonial da Igreja com o Estado, chamado Pérgamo. Os gregos consideravam a história como uma série interminável de ciclos repetitivos, e em contraste, Agostinho, com base escrituraria, sustentava que a história teve seu princípio e terá seu fim. Seus contemporâneos contemplavam a queda de Roma com profunda angústia, pois viam no Império Romano e seu "divino" governante como o sustentador da unidade social. Por contraste, Agostinho visava essa carnificina com esperança, no convencimento de que o domínio secular havia de ser recomeçado por uma melhor ordem das coisas, estabelecido por Deus. Nesta linha de pensamento meditava Agostinho arrancando desde o Gênesis, e via a cidade terrena tipificada por Caim e a celestial por Abel, como o que a Palavra de Deus designa como a luta entre as duas sementes, a da mulher, Cristo, e a da serpente, Satanás. De acordo com Agostinho, a cidade terrena foi construída com base no egoísmo e o orgulho, e a celestial é dominada pelo amor de Deus, o qual desterra todo egoísmo. Agostinho Considera que a cidade terrena não é mal de todo, por quanto Babilônia e Roma, suas representantes por excelência, mesmo que com governos que cuidando de seus próprios interesses, haviam trazido paz e ordem. Em Quanto à celestial, que neste aspecto se confundem com o reino de Deus, os homens entram nele aqui e agora, pois está representada eventualmente pela Igreja, o Corpo de Cristo, mesmo que Agostinho visava melhor o ponto de vista da organização visível da Igreja em seu tempo, por quanto ele apresentava que a cidade terrena tendia a decair a medida que cresceria a celestial. Seguramente que alguns destes pontos de vista foram em sua oportunidade mal interpretados com conseqüências desastrosas. * Da Trindade* Contra acadêmicos.* De Beata Vita (Da vida feliz).* Soliloquia ( monólogo).* Inmortalitate animæ (Da Imortalidade da alma).* De Genesi (De Gênesis).* Contra Manichæos (Contra os maniqueístas).* De libero arbitrio (Do livre arbítrio). Obra na que contradiz aos maniqueístas e sai em defesa do livre arbítrio.* De vera religione (Da verdadeira religião).* Obras anti-pelagianas e as anti-donatistas. Durante a época de seu pastorado, Agostinho enfrentou com habilidade aos donatistas como aos pelagianos.Conforme a época histórica que lhe tocou em graça viver, Agostinho conservou um moderado lugar intermediário entre o bando que se misturou totalmente com o Estado e sua influência pagã, e o outro extremo dos que optaram por retirar-se ao deserto e à vida ascética.Com Agostinho se inicia una nova orientação doutrinal, tendente à subordinação da Igreja ao poder temporal. De acordo com os propósitos de Deus, o homem necessita reconciliar-se com Ele através da justificação pela obra de Jesus Cristo. Agostinho orienta sua teologia de tal maneira que passa sem transição da idéia paulina de justificação à jurídica da justiça, e isto encerra a idéia de realizar justiça orientada à justificação. Esta orientação filosófica das doutrinas paulinas admitiu que legitimamente a sociedade organizada tinha direito de exigir a obediência do cristão, alegando sua origem divino e por estar regida pela providência. Com base nestas explicações, seus discípulos terminaram por absorver o Estado na Igreja. Mais tarde se veriam os abusos, e sairia a palestra da teoria das duas espadas, a espada do poder temporal e a do poder espiritual, do papa Gelásio (492-96), afirmando a superioridade pontifícia, seguido pelo trânsito as teses do agostinismo político defendido por Gregório Magno (590-604). A nova igreja ia pouco a pouco construindo uma torre mais alta, mas na confusão terrena. A igreja apóstata reclamaria definitivamente o direito de governar tanto na esfera religiosa como na política.

Heresias em Pérgamo

Desde seus primeiros dias, a Igreja havia sido cenário de controvérsias teológicas, como as dos judaizantes, os gnósticos e outras doutrinas semelhantes. Mais tarde, nos tempos de Cipriano, o bispo de Cártago, a questão da restauração dos apóstatas. Depois de promulgado o Edito de Tolerância, se propagaram novas idéias que perturbavam as igrejas cristãs, e se desenvolviam as iniciadas nos períodos anteriores. Ao largo da presente obra fazemos ênfases na influência do neoplatonismo sobre a cristalização das doutrinas cristãs, a qual enfatizava ao espírito as custas do sofrimento carne. Ai temos, por exemplo, o monofisismo, doutrina que menosprezava o elemento humano em Cristo, mas que teve mais aceitação no oriente que no ocidente. Os monofisitas diziam que Cristo só tinha uma só natureza, a divina. Uma das principais heresias desenvolvidas na época foi o arianismo; e disse Eusébio de Cesaréia, em sua obra História Eclesiástica, que ao imperador Constantino lhe interessava um cristianismo unido, pois qualquer cisma ameaçaria a unidade do Império. E impulsionou a convocação a um Concílio em Nicéia (325) para solucionar o problema do arianismo, e esmagar as inerentes diferenças de opinião, e em conseqüência foi aprovado o chamado Credo de Nicéia, que constitui uma confissão de fé cristológica. De acordo com o espírito da época, quem não aceitava as decisões do Concilio, foram desterrados, porque a diferença dos períodos anteriores, nos quais se descobria a verdade mediante o debate teológico e a autoridade da Palavra de Deus, já em tempos da Igreja comprometida com o Estado, era a autoridade imperial e a intriga política a que definia, em última instância, esta classe de controvérsias.

Donato e o donatismo. Como se havia dado no século III com Novaciano com motivo de certas práticas morais vistas como rejeitadas na Igreja e pelo tratamento benigno dado aos que haviam negado a fé em tempos de perseguições. Nos começos do IV surge uma reação cismática depois da perseguição iniciada com Diocleciano, e que toma seu nome de Donato de Casa Negra, nativo em Numídia (norte de África) e pastor em Cártago em 305, mas que esteve encarcerado por seis anos durante essa perseguição. Registram-se outras causas de origem político, social e econômico na região da África proconsular e Numídia para que acontecesse o cisma donatista, mas para nosso propósito no presente trabalho só citaremos o seguinte. Em Cártago simultaneamente foram consagrados dois bispos, mas os seguidores de Donato não reconheciam a Ceciliano por haver sido consagrado por três bispos indignos, pois haviam chegado a entregar as Escrituras às autoridades imperiais para sua destruição nos tempos de perseguição. O bispado de Donato foi considerado ilegítimo por usurpador por Constantino e pelos bispos das cidades importantes, entre eles o de Roma.Por outro lado, entre os que não estiveram de acordo com o giro dado pela Igreja a raiz da política e do Império que a manipulava, uns optaram por ir como ermitãos ao deserto, mas outros como os donatistas, insistiam na pureza da Igreja, proclamando sua separação do Estado. Ao não dar-se a essa separação, se protocolizou o cisma, e chegou o momento em que chegaram os donatistas a ter uns 276 bispos. Levemos em conta que os primeiros donatistas não se opunham necessariamente ao Império em quanto império, senão em quanto "mundo", e não vieram a desaparecer completamente, pelo menos até o século VII, pelo avanço do islamismo no norte da África. Agostinho de Hipona teve sérios enfrentamentos com os donatistas, pois estes enfatizavam muito a santidade e a necessidade de que o sacerdote fosse uma pessoa santa, insistindo que um sacerdote indigno não pode celebrar o sacramento, pois não pode dar o que não tem. Frente a isso, Agostinho sustentava que a eficácia do sacramento não depende da condição moral de quem o administra, senão do dom de Deus. O ministro não dá de si mesmo, senão o de Deus. Claro que o ministro de Cristo deve refletir a Cristo.

Ário e o arianismo. Ário, um presbítero da igreja de Alexandria, e que anteriormente havia vindo das desenvolvidas igrejas do Norte da África. Ao redor do ano 318, foi o iniciador da heresia que leva seu nome ao pregar que Cristo, ainda que superior à natureza humana, havia sido criado, negando, pois, sua eternidade, sua igualdade e unidade com o Pai e o Espírito Santo, tal como o haviam ensinado os apóstolos, e em particular João. Esta controvérsia se estendeu por todas as igrejas. No começo Ário gozou do respaldo da parte de influentes teólogos e dirigentes da Igreja, mas alguns, depois de profundos estudos, e de que o Concílio de Nicéia, em Bitínia, em 325, aprovara a doutrina reta de conformidade com o Novo Testamento, se decidiram pela ortodoxia; entre eles se conta a Eusébio de Cesaréia, historiador eclesiástico, em cujos escritos deixou consignada parte destas datas. Outros foram Ósio, o bispo de Córdoba e Eusébio de Nicomédia, antigo companheiro de Ário. As raízes do arianismo se remontam à época em que mestres da estatura de Justino Mártir, Clemente de Alexandria, Orígenes e Tertuliano apelavam a pequenos postulados da filosofia grega para explicar a existência de Deus, e mostrar a compatibilidade da fé e a filosofia, e de passo despersonificando a Deus, pois um Deus imutável, impassível e estático -segundo a filosofia grega- não podia ser pessoal; originando a si conflitos em quanto ao enfoque da doutrina do Logos o Verbo de Deus, que já aparecia personificado, pois se podia falar. Daqui que o ponto crucial da controvérsia com o arianismo era, o Verbo é coeterno com o Pai ou não? Então estava em jogo a divindade do Verbo. Ário sustentava que o Verbo, ainda antes da criação, havia sido criado por Deus, contrário às Escrituras que afirmam que o Verbo é coeterno e da mesma sustância divina do Pai, sendo um com o Pai e o Espírito Santo, pois o Verbo é Jesus Cristo, e Jesus Cristo é Deus. O arianismo se encaminhava a opor-se ao conceito de um Deus Trino. Ário havia sido desautorizado inicialmente por um sínodo de cem bispos convocados por Alexandre, bispo de Alexandria, seu primeiro oponente; e devido a sua persistência e ante um problema de profundas raízes e sérias controvérsias, intervindo o imperador Constantino e o concilio de uns 318 bispos reunidos em Nicéia, sendo assim condenado o arianismo e Ário foi desterrado pelo imperador. Mas tarde foi perdoado graças a Eusébio de Nicomédia, e morreu quando se dispôs a entrar em Constantinopla. De seus escritos não restou senão duas cartas dirigidas a Eusébio de Nicomédia e a Alexandre de Alexandria, como também fragmentos de sua popular obra Talia. O principal opositor do arianismo foi Atanásio de Alexandria, quem com sua eloqüência e conhecimento teológico afirmava e defendia a unidade do Pai com o Filho, a deidade de Cristo e sua existência eterna, Gerado e não criado, e da mesma natureza, sustância, do Pai. Nos tempos do Concilio de Nicéia Atanásio era só um diácono, e tinha voz, mas não voto; e apesar desse inconveniente logrou que o Concílio, mediante a promulgação do credo niceno condenasse os ensinamentos de Ário. Mas Ário gozava de muito poder e influência política entre as classes mais elevadas, quem o respaldava incluso Constâncio, o filho e sucessor de Constantino. Os arianos convocavam sínodos, se fortaleciam e voltavam os ortodoxos a condenar o arianismo, de tal modo que cinco vezes foi Atanásio enviado ao desterro. Alguma vez um amigo lhe disse: Atanásio, tens a todo o mundo contra você; ele lhe contestou: "Athanasius contra mundum" (Pois, Atanásio contra o mundo). O imperador Teodosio publicou um edito no ano 380 em favor da fé ortodoxa e perseguiu aos arianos, decaindo assim esta heresia no Império. Nos tempos modernos o arianismo tem feito aparição nos chamados "Testemunhas de Jeová".
Apolinário e o apolinarismo. Apolinário (310-390) bispo de Laodicéia, estimulou a controvérsia sobre a natureza de Cristo, afirmando que Cristo não podia ter duas naturezas, a divina e a humana, completas e contrárias, pois a divina era eterna, invariável, perfeita, e pelo contrário, a humana era temporal, finita, imperfeita e corruptível. Afirmava que o homem está formado de alma, corpo e razão; sustentava que se Cristo houvesse tido as duas naturezas, se houvesse tido em si dois seres, com a parte humana poderia ter praticado algum pecado. Curiosamente, Jesus tinha corpo e alma humanas, mas se diferenciava do resto dos seres humanos em que o Logos divino substituiu ao intelecto humano, resolvendo dessa maneira a relação entre o divino e o humano em Jesus.Apolinário estava convencido de haver resolvido um dos mistérios ou enigmas mais irresolúveis, e de haver permanecido fiel à ortodoxia nicena. Apolinário pertencia à escola de Alexandria, a qual havia recebido mais a influência neoplatônica, a diferença da escola de Antioquía, que se inclinava mais ao estudo da história da vida de Cristo, e era afetada pelo pensamento aristotélico. O apolinarismo foi condenado no Concílio de Constantinopla (381), e um dos principais argumentos contra Apolinário foi que Cristo não havia podido redimir àquilo que ele mesmo não possuía, como a mente humana, cabe dizer, se não houvesse sido, além de Deus, verdadeiro homem. Os capadócios se apresentaram em oposição a Apolinário. Gregório Nazianzeno sustentava que para que Cristo pudesse salvar todos os homens, era necessário que tivesse todos os elementos da natureza humana.
Pelágio e o pelagianismo. Pelágio, monge oriundo da Britânia chegou a Roma no ano 410, sustentava que o homem não herda suas tendências pecaminosas de Adão, negando que a depravação fosse inata no homem, senão que cada um escolhe já seja o pecado ou a justiça, acrescentando que cada vontade humana é livre para escolher entre a virtude e o vicio e que Deus deu ao homem a capacidade de obedecer a seus mandamentos; afirmando a si mesmo que o coração humano não se inclina nem ao bem nem ao mal, e cada qual é responsável de suas decisões, e chegou até ao extremo de afirmar que alguns antes de Cristo haviam sido isentos de pecado, por usar seu livre arbítrio. Pelágio era um laico de certa erudição, vida austera e não isenta de ascetismo, e aparentemente escandalizado pela moral dissoluta do meio social romano, os tratava de persuadir, dizendo-lhes que se eles realmente quiserem, podiam guardar os mandamentos de Deus. Entre os que ganhou estava o jovem advogado Celestio, que foi mais longe que seu mestre na expressão de seus desatinos.De acordo com a doutrina pelagiana, a queda de Adão não afetou ao gênero humano. Então o efeito venenoso de Pelágio vai dirigido a desprestigiar a obra de Jesus Cristo, ao afirmar que a finalidade da encarnação do Senhor Jesus Cristo não foi senão ajudar aos homens com seu exemplo e ensinamentos a ser bons e a salvar-se, descartando a redenção por meio de Seu sacrifício na cruz. A si mesmo Pelágio aplicou a idéia de que é necessário batizar-se para a salvação, acrescentando outra heresia anti-bíblica como as demais, de que as crianças que morrem sem se batizar não gozam do mesmo grado de glória que aqueles que têm sido batizados, desconhecendo o propósito e o significado do batismo, e a verdade bíblica de que o reino dos céus é das crianças, mas por contraste os pelagianos negavam "o pecado original". Estas séries de heresias do pelagianismo foram tomando força na cristandade, tanto no sistema católico romano como fora dele, como nas escolas de teologia modernista. Há de se levar em conta que no ano 416, vários sínodos reunidos em Cártago, Mileve (Numídia) e Roma tomaram ação contra esta heresia, mas Zósimo, bispo de Roma (se encontra na lista dos chamados papas) tomou partido a favor de Pelágio e Celestio, e tomou a determinação de condena-los só quando o imperador Honório os desterrou (418). Grande oponente desta corrente doutrinal de Pelágio e seu associado Celestio, foi Agostinho de Hipona, o homem que influiu mais no cristianismo depois do apóstolo Paulo, quem apoiou o ponto de vista bíblico de que Adão representava a toda a raça humana, em cujo pecado se viu involucrada toda a humanidade, e em conseqüência todo gênero humano é considerado culpável. Agostinho compartilhava a si mesmo a asseveração bíblica de que o homem por sua própria eleição não pode eleger a salvação, senão que estava dependente da vontade de Deus, que nos há escolhido desde antes da fundação do mundo para sermos salvos. Em 418, o Concílio de Cártago condenou as idéias pelagianas. A ortodoxia teológica de Agostinho veio a ser normativa na Igreja, e não foi senão até ao redor do ano 1600, em que com Armínio na Holanda, e mais tarde com John Wesley, surgiu outra escola de pensamento em relação com a salvação, afastada da doutrina agostiniana. Tenha-se em conta que depois da morte de Agostinho, a teologia tomou rumo por uma linha considerada como semi-pelagianismo, que teve como resultado que na idade média se seguira mantendo a ênfase na graça de Deus, mas mesclada com o livre arbítrio e a necessidade do homem de cooperar com a graça. E isso se deve em parte ao ponto de vista agostino acerca da liberdade da vontade humana e sua implícita responsabilidade ante a salvação, o qual levou a certos mal entendidos a respeito da predestinação.
Nestório e o nestorianismo (morreu em 451). Filho de pais Persas. Presbítero e frade de Antioquía, que em 428 foi chamado desde seu monastério pelo imperador do Oriente Teodosio II a ser bispo de Constantinopla. Atacou os resíduos dos arianos e nas disputas ao redor da cristologia e em particular da encarnação, criado no meio teológico de Antioquía, se opôs a que a virgem Maria fosse chamada mãe de Deus (Theotokos), preferindo a de mãe de Cristo (Christotokos), dizendo que Maria havia sido só mãe do corpo de Jesus. Se lhe opôs Cirilo, bispo de Alexandria, acusando-o de rebaixar o conceito da divindade do Senhor. A controvérsia circulou no princípio por meio de cartas, logo levado o caso ante o bispo de Roma, foi condenado em assembléia em Roma e Alexandria em 430, e por último no Concílio de Éfeso em 431. E exilou por ordem do imperador a seu convento de Antioquía e mais tarde o grande Oásis do deserto do Egito, onde morreu, derrotado, enfraquecido, depois de sofrer a mingua grande angústia física e mental. Esta controvérsia cristológica foi definida no concílio de Calcedônia. Nestório se opôs à idéia de que o Logos divino pudesse ser envolto em sofrimento e debilidade humana, pois o erro cristológico do nestorianismo consistia em que eles sustentavam que Jesus não havia sido só um homem, que o divino e o humano em Cristo realmente formavam Nele dois seres ou pessoas distintas; ensinando que quem foi concebido e nasceu de Maria foi só um homem, ao qual se uniu voluntariamente outro ser, o Logos de Deus, de tal maneira que Nestório ensinava que Cristo, o Logos era uma pessoa, a divina, e Jesus outra pessoa, a humana, contrariamente à opinião da maioria, que sustentavam que havia em Cristo duas naturezas coexistentes, a divina em quanto Verbo de Deus e a humana por quanto se fez carne, assumindo a natureza humana desde o ventre de Maria, em uma só pessoa (prosopon) e uma substância (hypostasis).A Palavra de Deus declara com clareza que Jesus é o Cristo, uma mesma pessoa.
" quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho. " (1 Jo. 2:22). Nestório ensinava que sobre o homem Jesus descendeu o Logos; mas a Palavra de Deus afirma que "o Logos se fez carne", e que foi "feito semelhante aos homens", como diz Filipenses 2:7. A Bíblia não diz que Cristo descendeu sobre uma carne, senão que se fez carne Ele mesmo.

O maná escondido

" Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe. " (v.17).O que está dizendo o Espírito às igrejas que quer que se ouça? Ele quer que sua Igreja se arrependa e se levante de sua queda. Nesta terra tem seu trono Satanás, o príncipe deste mundo; e o Senhor quer que Sua Igreja, em vez de morar nesta terra, se aparte do mundo, se desligue dos poderes políticos. Mas como a Igreja foi infiel, se casando com o mundo, e não quis dar o passo de voltar às fontes primordiais, então o Senhor se dirige aos crentes individuais a que sejam vencedores; que vençam e se oponham aos enredos satânicos, com seu ensinamento de idolatria e fornicação; que sejam vencedores sobre os que praticam a doutrina de Balaão, guiando aos filhos de Deus à contemporização com o mundo e usando os meios eclesiásticos para “crescer” em proveito próprio; que vençam sobre os que têm rompido a igualdade na Igreja e têm dividido os filhos de Deus em clérigos e laicos com seus ensinamentos da hierarquia; que vençam voltando a Jesus Cristo, o filho de Deus, e o conheçam e lhe obedeçam e tenham plena comunhão no Corpo com o Pai, com o filho e com o Espírito Santo. Na carta à igreja em Pérgamo estão registradas duas promessas para os vencedores. Uma dessas promessas é a do maná escondido que lhes dará o mesmo Senhor. O que é o maná escondido? O maná que os israelitas comeram no deserto era um pão visível e gratuito que o Senhor lhes dava do alto, o qual era um protótipo de Cristo, o verdadeiro pão que desceu do céu. Diz João 6:49-51: " 49 Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram.50 Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça.51 Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. ".E na tipologia do maná veterotestamentario, além disso do maná visível que o povo comia no deserto, houve um maná escondido e que permaneceu em uma vasilha de ouro dentro da arca, no Lugar Santíssimo do templo de Jerusalém, a onde só tinham acesso os da família sacerdotal (Êxodo 16:32-34; Hebreus 9:4). Se no deserto os israelitas recolhiam mais de um gômer por pessoa diário com o fim de guardar, o que guardavam apodrecia, caía vermes e fedia; em contrapartida a porção que haviam guardado em uma vasilha dentro da Arca do Testemunho, essa não apodrecia, era incorruptível, de maneira que esse maná escondido é símbolo de Cristo. Na Igreja todos os crentes têm recebido a salvação e se alimentam de Cristo, mas somente os vencedores da degradação da igreja mundana tenham o privilégio de participar na comida desta parte escondida do Senhor Jesus, não conhecida por todos. Uns buscam o mundo, mas os vencedores não se contaminam com as ofertas mundanas e buscam se alimentar de Cristo, a presença do Senhor no Lugar Santíssimo, uma profunda intimidade com Ele.A outra promessa para os vencedores da igreja em Pérgamo e para todos os que queiram ouvir e vencer, é uma pedrinha branca com um nome escrito, que ninguém conhece, senão a pessoa que o recebe. Agora somos vasos de barro usados por Deus, pois de barro foi feito o homem no Édem, mas na regeneração temos recebido a natureza divina; de barro temos sido convertidos em pedras, é como dizer, em material para a edificação da casa de Deus; e de pedras podemos ser transformados em diamantes (pedras brancas), com um nome novo porque isso designa que já somos pessoas transformadas, novas. Se comemos do maná escondido, somos transformados em pedras brancas. Também se deve ter em conta que nos tempos em que foi escrita esta carta, nas votações, como se usa papel, eles usavam uma pedrinha branca na qual se escrevia o nome do candidato a eleger. Significará isto que o Senhor escolhe o vencedor para algo em especial, significando que ele que está satisfeito com o vencedor?Além disto, Apocalipse 19:12b-13 diz: " tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo.13 Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus; ". Não é fácil sair vitorioso de um meio tão contaminado, onde a maioria dos crentes tem por verdadeiro e bíblico o participar e comer das coisas sacrificadas aos ídolos, ou comercializar as coisas sagradas e pregar por lucro humano, mesmo a custo de induzir ao povo de Deus a pecar. Se te opões a tudo isso, te expões a que te recusem e te excomunguem por herege. Mas a edificação é de Deus, e Ele te converte em uma pedra branca desse edifício quando tu desfrutas de Cristo como tua provisão de vida.

Transição entre Pérgamo e Tiatira.

Há quem defende a opinião de que aqui também Deus converteu este mal em bem, desde o ponto de vista de que a autoridade e o poder imperial serviram para que por meio de autoritários concílios ecumênicos se protegera à Igreja contra a desintegração pelas divisões, pela desobediência de muitos bispos, pela ameaça de muitas heresias e a aparição de ensinamentos errados; mas muitas foram as conseqüências desde que a Igreja aceitou morar na terra e se unir com o mundo. Se foi mesclando o paganismo com o cristianismo. Tudo se foi preparando para a formação do cesaropapismo. Eusébio de Cesaréia descreve com alegria e ar triunfalista a construção de luxuosos templos. Mas, Quais foram os resultados? Evoluiu a liturgia nessas grandes construções, se consolidou uma aristocracia clerical, à altura da imperial e com muitos de seus costumes e sua estruturação social. Como em seu tempo vieram à Constantino o cumprimento da história e do plano de Deus, se deixou de pregar o advento do Reino de Deus e começou a se divulgar uma crença que têm sobrevivido até nossos dias sobre tudo no sistema católico romano e semelhantes, de que o que espera o crente é o de ser transferido em espírito ao reino celestial, e na Igreja se começou a dar ouvidos a esperança do retorno do Senhor para estabelecer nesta terra um Reino de paz e justiça. Esse foi o ponto de vista oficial, e quem regressara ao verdadeiro ponto de vista neotestamentario era condenado por herege. A estrutura social e política que a Igreja imitou do Império ia sendo encaminhada à exigência de um chefe visível. O império era governado por uma autocracia com poderes absolutos. Temos explicado que é a vontade do Senhor que cada igreja local seja supervisada por um grupo de bispos; mais tarde, já a começos do século segundo, emergiu a supremacia de certos bispos regionais com autoridade por cima dos outros a quem seguiam chamando presbíteros. A si mesmo se foram introduzindo bispos de certa categoria em determinadas cidades a quem chamaram metropolitanos e mais tarde patriarcas, como os de Roma, Jerusalém, Antioquía, Alexandria e Constantinopla, entre os quais se suscitavam às duras disputas pelos assuntos da supremacia; até que ao final se a disputavam os patriarcas das duas capitais imperiais, Roma e Constantinopla, pelas razões expostas. O bispo de Roma tomou o título de pai, papá, e por último papa, do grego papas, e reclamava para si autoridade apostólica. Sirício foi o primeiro bispo de Roma que tomou para si o título de papa no século quarto. Mas não foi senão até o século VII no que definitivamente este título se converteu em propriedade dos bispos de Roma. Indubitavelmente que a igreja de Roma havia exercido grande influência como uma coluna nos ensinamentos doutrinários ortodoxo, havia sido pouco contaminada com escolas e idéias heréticas, e tinha em seu haver o estar na sede do principal centro do governo imperial. É assim como o bispo romano, o papa, paulatinamente foi sendo considerado como a autoridade suprema da igreja em geral. Devido ao vasto território imperial, à ambição política de muitos militares, às guerras intestinas ( entre partidos do mesmo povo), aos numerosos crimes políticos, à descomposição dos costumes, ao lazer e progresso material e muitas outras causas. O Império foi se debilitando, as tribos bárbaras foram fazendo incursões e tomando possessão de muita parte de seu território, de tal modo que nas últimas o Império Romano Ocidental ficou reduzido a um pequeno território ao redor da capital. Foi então quando o rei germânico Odoacro e sua pequena tribo dos hérulos, tomou posse da cidade no ano 476, destronando a Rômulo Augusto, o menino imperador, apelidado Augusto o Pequeno. Em 477 Odoacro obteve de Zenon, imperador do Oriente, o título de patrício, que equivalia ao de rei da Itália, desaparecendo assim o Império Romano ocidental, pois o oriental, cuja capital era Constantinopla, permaneceu até o ano 1453, fecha próximo ao descobrimento de América. Inversamente proporcional ao debilitamento e queda do Império Romano, ia aumentando a influência e poder da igreja de Roma e seus papas em todo o território europeu, o que na prática se traduz como a continuação das mesmas estruturas e poderes imperiais, debaixo de outra roupagem.

Um comentário:

Gabriel disse...

Deveria ser criado uma página que fale sobre Diodoro de Tarso(Santos Padres).