A Igreja de Jesus Cristo-Uma Perspectiva Histórico-Profética

A Igreja de Jesus Cristo-Uma Perspectiva Histórico-Profética
Tradução do livro "La Iglesia de Jesucristo, una perspectiva histórico-profética" de Arcadio Sierra Diaz

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

ARMINIANISMO versus O CALVINISMO

TERCEIRO APÊNDICE DO CAPÍTULO V
TESES DO ARMINIANISMO versus O CALVINISMO*(1)

*(1) Para ter pelo menos uma clara idéia do que é o Calvinismo e o Arminianismo e seu histórico enfrentamento doutrinal nas vertentes protestantes, digamos primeiro algo relacionado com Calvino e Armínio. O francês João Calvino (1509-1564) foi um dos maiores teólogos da Reforma protestante. Instalado em Genebra, Suíça, estruturou a vida da cidade abaixo a forma de um sistema ou regime teocrático, de fusão da organização da vida temporal e histórica, com as exigências espirituais mais intransigentes. Seu pensamento teológico está modelado em um livro de sua autoria titulado Institutos da Religião Cristã, provavelmente o único e mais influente livro da Reforma protestante, obra na qual expõe os princípios cristãos ensinados na Igreja, conforme as doutrinas apostólicas, antes que sofressem as corruptas inovações da Igreja Católica Romana. Para expor suas idéias, Calvino seguiu a ordem do Credo Apostólico, fazendo especial teimosia nas Escrituras e nos escritos de Agostinho de Hipo.Calvino, entre outras coisas, expõe o ensinamento bíblico de que com a queda do homem, sua vontade foi tão debilitada, e foi sumindo tanto na escuridão e na cegueira, que foi incapaz de fazer alguma obra boa, a menos que fosse ajudado pela graça especial que Deus tem dado a seus eleitos e predestinados (Efésios 1:4-5; Romanos 8:29-30) e recebido por meio da regeneração e justificação, pela obra de Cristo. O que há, pois, para os demais? Que se não for a graça, todo homem está debaixo da merecida ira de Deus. Então, se salva alguém por sua própria iniciativa e vontade? A salvação do homem depende inteiramente da iniciativa de Deus. É por fé, não por obras (Efésios 2:8-9; João 16:8-10). Esse é um pequeno resumo da doutrina calvinista a respeito da salvação. Enfrenta o Arminianismo, que é uma heresia propagada por Jacob Armínio (1560-1609), a qual, fundamentalmente, se opõe à doutrina da dupla predestinação.A morte de Calvino e seu ministério foi continuado por seu condiscípulo Teodoro Beza (1519-1605), professor de teologia na Academia de Genebra. No mesmo século XVI começaram a surgir as controvérsias em torno à salvação, que ainda seguem debatendo. Sobre isso citamos a Scott Latourette:"Depois que terminou a peja política, explodiu uma luta importante sobre doutrina dentro da Igreja Reformada Holandesa. Os supra-lapsários e os infra-lapsários, ou seja, entre os que criam que Deus antes que criasse o mundo, havia decretado quais deveriam ser salvos e quais deveriam ser condenados, e os que defendiam a opinião de que foi em vista do pecado de Adão e só depois de dita catástrofe, quando Deus decretou que certos homens seriam salvos e outros perdidos. Contra ambas teorias protestaram alguns que foram chamados logo remonstrantes. Entre estes o personagem principal foi Jacob Armínio, discípulo de Beza e professor de Teologia da Universidade de Leidem (Holanda), o qual proposto refutá-los, ficou convencido por eles. De conseqüente a posição remonstrante têm sido conhecida como o arminianismo. Ele, recusando o supra-lapsarianismo e o infra-lapsarianismo, a expiação limitada (a saber, o ensinamento de que Cristo morreu só pelos eleitos), a graça irresistível e a perseverança dos eleitos, ensino que Cristo morreu por todos os homens, que a salvação é pela fé somente, que os que crêem são salvos, que os que reusam a graça se perdem, e que Deus não escolhe a indivíduos particulares nem para uma nem para outra coisa. As paixões se inflamaram nas discussões". Kenneth Scott Latourette. Historia del Cristianismo. Tomo 2. Casa Bautista de Publicaciones. 1979. Pág. 115.


Os cinco pontos do Arminianismo:
1. O livre arbítrio. Mesmo que a natureza humana foi afetada seriamente na queda, o homem não tem ficado em um estado de impotência espiritual total. Pela graça, Deus dá o poder espiritual a cada pecador para arrepender-se e crer, mas Ele o faz de tal maneira, que não interfere com a liberdade do homem. Cada pecador é possuidor de um livre arbítrio, e seu destino depende do uso que ele lhe dê. A liberdade do homem consiste em sua habilidade de escolher o bem em lugar do mal nos assuntos espirituais; sua vontade não está escravizada por sua vontade pecaminosa. O pecador tem poder para cooperar com o Espírito Santo e desta forma ser regenerado; e tem poder para resistir à graça de Deus, e, portanto perecer. O pecador perdido necessita da ajuda do Espírito, mas não tem que ser regenerado pelo Espírito antes de poder crer; porque a fé é uma obra humana e precede ao novo nascimento. A fé é o dom do pecador a Deus; é a contribuição do homem a sua salvação.
2. A eleição condicional. O fato de que Deus escolheu certos indivíduos para ser salvos antes da fundação do mundo, foi baseado no fato de que Deus previu que eles responderiam a seu chamamento. Ele escolheu somente àqueles que Ele sabia que por si mesmos creriam no Evangelho. Portanto, a eleição foi determinada ou condicionada pelo que o homem faria. A (fé que Deus prevê e na qual se baseia para escolher aos salvos, não é algo criado pelo poder regenerador do Espírito Santo), dado ao pecador por Deus (não é algo criado pelo poder regenerador do Espírito Santo), senão algo que resulta inteiramente da vontade do homem. Foi deixado completamente à vontade do homem crer ou não, e assim determinar se seria eleito ou não à salvação. Deus escolheu aos que Ele sabia que por seu livre arbítrio escolheriam a Cristo. Assim pois, a causa final da salvação é que o pecador escolhe a Cristo e não que Deus escolha ao pecador.
3. A redenção universal ou a expiação geral. A obra redentora de Cristo fez possível a salvação de todos, mas não assegurou realmente a salvação de ninguém, ainda que Cristo morreu por todos e por cada homem, somente os que crêem Nele são salvos. Sua morte fez possível que Deus perdoasse aos pecadores, a condição de que eles criam; mas de fato não acabou com os pecados de ninguém. A redenção de Cristo tem eficácia só se o homem queira aceitá-la.
4. Se pode resistir eficazmente ao Espírito Santo. O Espírito chama internamente a todos aqueles que são chamados externamente pelo convite do Evangelho. O Espírito faz todo o possível para levar a cada pecador à salvação, mas como o homem é livre, pode resistir o chamamento do Espírito. O Espírito não pode regenerar ao pecador até que este creia; a fé (que é a contribuição do homem) precede e faz possível o novo nascimento. Portanto, o livre arbítrio do homem, limita ao Espírito Santo na aplicação da obra redentora de Cristo. O Espírito Santo pode atrair a Cristo só àqueles que o permitem. Até que o pecador responde, o Espírito não pode dar vida. A graça de Deus, portanto, não é invencível; pode ser, e com freqüência é, resistida e frustrada pelo homem.
5. Caindo da graça. Aqueles que crêem e são verdadeiramente salvos, podem perder sua salvação se deixam de perseverar em sua fé.
Os cinco pontos do Calvinismo:
1. Inabilidade total ou depravação total. Por causa da queda, o homem é incapaz por si mesmo de crer no Evangelho de uma maneira salvadora. O pecador está morto, cego e mudo às coisas de Deus; seu coração é enganoso e desesperadamente corrupto. Sua vontade não tem liberdade, está cativa a sua natureza caída. Portanto, não escolherá o bom invés do mal enquanto ao espiritual, porque em verdade não pode escolhê-lo. Como conseqüência, necessita-se mais que a ajuda do Espírito para levar o pecador a Cristo. Necessita-se da regeneração pela qual o Espírito ressuscita ao pecador morto e lhe da uma natureza nova para que possa crer. A fé não é a parte com que o homem contribui a sua salvação, senão que a fé é em si uma parte do dom de Deus na salvação; é o dom de Deus ao pecador, e não o dom de pecador a Deus.2. Eleição incondicional. A eleição de certos indivíduos para ser salvos ainda antes da fundação do mundo, descansa inteiramente na vontade soberana de Deus. Sua eleição de certos pecadores não está baseada em nenhuma resposta prevista ou obediência por parte deles, tal como fé, arrependimento, etc. Ao contrário, é Deus que dá a fé e arrependimento a cada individuo que Ele escolhe. Estes atos (a fé e o arrependimento) são o resultado, não a causa da eleição de Deus. Portanto, a eleição não é determinada ou condicionada por alguma virtuosa disposição prevista no homem. Aqueles que Deus soberanamente escolhe, os trás através do Espírito a uma aceitação voluntária de Cristo. Então, a causa final da salvação está em que Deus escolhe para salvação ao pecador, não que o pecador escolha a Cristo.
3. A redenção particular ou expiação limitada. A obra redentora de Cristo teve o propósito de salvar só aos escolhidos e assegurar a salvação deles. Sua morte foi em substituição da pena do pecado e em lugar de certos pecadores específicos. Além de quitar os pecados de Seu povo, a redenção de Cristo assegurou todo o necessário para sua salvação, incluindo a fé que lhes une a Ele. O dom da fé é concedido infalivelmente pelo Espírito Santo a todos aqueles pelos quais Cristo morreu, garantindo assim sua salvação.4. O chamamento eficaz do Espírito Santo ou a graça irresistível. Além do chamamento externo geral à salvação que se faz a todos os que ouvem o evangelho, o Espírito Santo estende a todos os eleitos um chamamento interno especial que inevitavelmente lhes traz à salvação. O chamamento externo (que se faz a todos sem distinção) pode ser e muitas vezes é recusado; enquanto que o chamamento interno (feito só aos eleitos) sempre resulta na conversão. Por meio deste chamamento especial, o Espírito Santo atrai irresistivelmente aos pecadores a Cristo. Em Sua obra de aplicar a salvação, não está limitado pela vontade do homem, nem depende da cooperação do homem para ter êxito. Pelo poder da graça, o Espírito Santo impulsiona ao pecador eleito a cooperar, a crer, a arrepender-se, a vir livremente e de sua própria vontade (livrada pelo poder de Deus) a Cristo. Então, a graça de Deus é invencível; sempre resulta na salvação daqueles a quem é estendida.
5. A perseverança dos santos (crentes). Todos os que foram escolhidos por Deus, redimidos por Cristo e receberam a fé por meio do Espírito Santo, são eternamente salvos. Permanecem na fé pelo poder de Deus onipotente, e, portanto, perseverarão até o fim. (Perseverarão porque são preservados por Deus).

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