A Igreja de Jesus Cristo-Uma Perspectiva Histórico-Profética

A Igreja de Jesus Cristo-Uma Perspectiva Histórico-Profética
Tradução do livro "La Iglesia de Jesucristo, una perspectiva histórico-profética" de Arcadio Sierra Diaz

terça-feira, 11 de março de 2008

VI- Filadélfia ( 1ª Parte )

Capítulo VI
FILADELFIA
(1a. parte)



SINOPSE DE FILADÉLFIA


A etapa final da restauração da Igreja

Conclusão do iniciado na Reforma - Precursores da restauração: Os irmãos Boêmios, o conde Nicolau Zinzendorf y, os Morávios - Primeiras reuniões em Plymouth, Dublin, Itália, Georgetown no amor fraternal.

Restaurando a unidade da Igreja

Deixando de ser episcopais, presbiterianos, wesleyanos, batistas e outros, começaram a restaurar a unidade do Corpo de Cristo, a unidade do Espírito - Restaurando a igreja normal bíblica com seus santos, bispos e diáconos - Os que começaram a guardar a Palavra de Deus e a não negaram o nome do Senhor por substituí-lo por outro.

Uma promessa especial para Filadélfia

Os irmãos de Filadélfia, que houveram guardado a palavra da paciência do Senhor, serão guardados da hora da prova que há de vir sobre o mundo inteiro, isto é, a grande tribulação.

Nomes destacados entre os irmãos

Irmãos pioneiros: Eduardo Cronin, Wilson, Timms, Hutchinson, Anthony Groves, John G. Bellet, John Nelson Darby, S. P. Tregelles, Andres Jukes, W. Kelly, Charles Henry Mackintosh, C. Stanley y J. B. Stoney - Também é relevante o irmão Benjamin Wills Newton.

Nomes destacados no século XX

Na China: Watchman Nee, Witness Lee, Stephen Kaung - Na América: Geofredo Rawling, Jack Schisler, Keith Benson, Orwille Swindoll, Iván Baker, John Carlos Ortiz, Jorge Himitian, Angel Negro, Augusto Ericson, Gerson C. Lima, Gino Iafrancesco, Eliseo Apablaza.

Os vencedores de Filadélfia

Sexta recompensa: Serão feitos colunas no templo de Deus - Sobre eles serão escritos os seguintes nomes: o de Deus, o nome da cidade de Deus, a Nova Jerusalém, e o nome novo do Senhor Jesus Cristo. Tudo isso são recompensas que se receberão no reino milenar.


A CARTA À FILADÉLFIA


"7 Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá:8 Conheço as tuas obras eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome.9 Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei.10 Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra.11 Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.12 Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome.13 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas." (Ap. 3:7-13).


Amor fraternal


" Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá ".

Como as outras localidades, Filadélfia também estava localizada na Ásia Menor. A cidade foi fundada pelo rei persa Átalo Filadelfo II, rei de Pérgamo (reinou de 159 a 138 A. C.), ao redor do ano 150 a. C.; daí seu nome. Diz Matthew Henry: "Filadélfia foi fundada por Átalo II, rei de Pérgamo, cuja lealdade a seu irmão Eumenes ganhou o epíteto de ‘Filadelfo’, que em grego significa ‘amigo do irmão’" (Matthew Henry, op. cit, pág. 362). A palavra Filadélfia vem do grego phileo, amar, e adelfos, irmão, e significa amor fraternal; e esta carta prefigura a etapa histórica da Igreja, que se caracteriza precisamente pela comunhão no amor e no Espírito entre os irmãos, e a restauração prática de outros aspectos importantes na vida da Igreja, como o sacerdócio de todos os crentes, onde não há divisões entre clero e laicato, conforme os autênticos e verdadeiros parâmetros bíblicos. Com Esmirna, Filadélfia é uma das duas igrejas que o Senhor não repreende, senão que para ambas o Senhor tem palavras de aprovação e louvor. O período de Filadélfia alguns exegetas o chamam a era da piedade.
Fazendo uma síntese do processo de prostração e restauração na vida histórica da Igreja, transcrevemos as certas palavras do irmão Raul Marrero: "A história nos diz que o Corpo de Cristo passou por uma séria cirurgia, porém saiu mais fortalecido e mais decidido que nunca. Como a estratégia sangrenta não deu resultado, os planos de fazer cair à Igreja mudaram, e começou um período de grandeza e reconhecimento, tanto político como econômico. A suposta conversão do grande imperador romano Constantino pôs a Igreja em um estado de comodidade e apoltronamento. Chegou um momento em que a Igreja deixou de ser mensageira do caminho estreito da redenção para converter-se na religião popular daqueles tempos. A Igreja deixou de ser itinerante, para converter-se em uma força político-religiosa. Foi durante estes séculos seguintes quando a igreja deixou de ser católica universal para converter-se na Igreja católica romana. O plano era fazê-la engordar; fazê-la famosa. As glórias das que desfruta a Igreja romana depois de tantos séculos, se deve àqueles anos nos quais a Igreja se converteu em um sistema religioso mundial. Deixou de ser a Igreja que se reunia em becos empoeirados, para reinar nos palácios e caminhar sobre tapetes custosos. Este aparente progresso se foi convertendo lentamente em um perigoso câncer. Era como um câncer interno; difícil de detectar. Ninguem sabia que a Igreja estava abaixo do ataque de um câncer de popularidade e grandeza humana. Por muitos séculos, a Igreja esteve sentada sobre tronos e desfrutou de popularidade mundial. Mas tudo era uma praga escondida que afetou ao Corpo de Cristo por mais de mil e duzentos anos, até que chegou novamente o momento em que a Igreja entrou em outra etapa de saúde interna. Os agentes que combatem a favor do corpo entraram em operação novamente. Chegou o momento de recuperação do Corpo de Cristo que se conhece debaixo do nome de Reforma".*(1) Tudo se vai preparando para que chegue Filadélfia, que é um despertar no cristianismo para a definitiva restauração do Corpo de Cristo.
*(1) Raúl Marrero. Como escapar do labirinto religioso sem deixar de ser fiel a Deus. Editorial Vida - 1998. Pág. 31.

A igreja primitiva recebeu o depósito, a fé uma vez dada aos santos; essa fé foi a semente que se semeou (Mt. 13:3), e essa semente começou a germinar na história da Igreja. Primeiro brotaram as folinhas (a Trindade, a divindade de Cristo, Sua humanidade, suas naturezas, Sua relação com o Pai), depois foram saindo o talo e os ramos (a obra de Cristo, a salvação, a expiação), depois brotaram as espigas e o grão (a Igreja, o Reino, os vencedores, o Corpo de Cristo). Vemos que o Senhor vai avançando para que a Igreja volte à Palavra, à fé uma vez dada aos santos, ao amadurecimento. Com a Reforma apenas se começou a conhecer a obra de Cristo. Se a Igreja houvesse conhecido a obra de Cristo antes da Reforma, não houvessem chegado a fazer comércio com a salvação, vendendo indulgências, por exemplo. Uma vez que houve clareza sobre a obra de Cristo, sobre a salvação como um presente de Deus pela fé e a justificação pela fé, na Reforma, foi quando o Espírito Santo começou a dar clareza sobre a Igreja em Filadélfia. Uma vez entendida a Igreja, o que é realmente a Igreja, é como se pode entender o Reino, os vencedores, o Corpo de Cristo. O denominacionalismo de Sardes são os ramos da planta, mas ainda não é a espiga com os grãos.
Se, em Sardes temos visto começos de restauração, mas tudo fica sem terminar; pelo qual a igreja do amor fraternal é uma reação do Senhor pelo estado de morte da igreja reformada o protestantismo degradado e o catolicismo apóstata, para que na Igreja do Senhor se continue a obra perfeita de Deus, algo que sobrepujasse o realizado na Reforma. A raiz da Reforma, a restauração se inicia com a justificação pela fé; a ele e com o tempo se seguiu proclamando o evangelho da graça. Esta reação haverá de continuar até a vinda do Senhor. Filadélfia é a Igreja restaurada conforme os propósitos e a economia do Senhor. Como Sardes (o protestantismo) sai de Tiatira (o sistema católico) sem que esta deixe de existir, assim também Filadélfia sai de Sardes e esta segue existindo até a vinda do Senhor. Ainda que, como o expomos mais adiante, houveram anteriores movimentos precursores semelhantes ainda antes da Reforma, contudo, se consolida o período de Filadélfia na Inglaterra e outros países do mundo nos começos do século XIX, com um movimento chamado de os Irmãos, no qual se restaura a posição dos filhos de Deus, já não com relação a uma das tantas organizações de fatura humana, senão com relação à verdadeira comunhão do verdadeiro Corpo de Cristo. Sem desconhecer os prelúdios morávios, afirmamos que os princípios de Filadélfia tiveram também lugar na Inglaterra por considerar o país mais influente, mas quase que simultaneamente o Espírito começou a inquietar a diferentes irmãos de distintas denominações, inclusive ministros ordenados, e se deram reuniões dos irmãos em diferentes lugares como Plymouth, e Londres na Inglaterra, Dublin (Irlanda), Itália, Georgetown (Guiana Inglesa) e outros, no lapso compreendido entre 1812 a 1818. Isso ocorria sem que tivessem conhecimento e contato entre os vários grupos durante a etapa inicial.
Assim como da Babilônia regressa tão só um remanescente do povo hebreu a restaurar o templo e a nação de Israel, assim mesmo faz Filadélfia sai um pequeno remanescente, que não alcança a fama e o renome da Reforma, pois há diferença nos meios usados na reação de ambos movimentos. Isto irmãos se preocuparam pela degradação espiritual e as práticas anti-bíblicas das organizações cristãs. Filadélfia surge como um movimento contra o mero cerimonialismo e o formalismo do luteranismo e outras vertentes protestantes, abaixo a vivência espiritual da piedade interna, a prática do amor ágape e uma realidade moral subjetiva e um testemunho verdadeiro por cima e por contraste das vazias práticas cerimoniais. Em seu despertar, Filadélfia é marcadamente neotestamentária em forma integral, fazendo por um lado as alienantes e desviadoras tradições religiosas. Na restauração que Filadélfia desperta, os irmãos vivem "solícitos em guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz" (Ef. 4:3), porque com Lutero havia-se restaurado o evangelho mas não a unidade do povo de Deus como encontramos no livro de Atos. Filadélfia pretende destruir as separações denominacionais entre os filhos de Deus, porque a Escritura nos ensina que o denominacionalismo é um erro e uma obra da carne. As denominações são organizações desconhecidas no Novo Testamento. Se a unidade da Igreja não se dá por meio do Espírito Santo, e é expressada em uma igreja por cada cidade em nome do Senhor Jesus, não há unidade.
A Igreja de Jesus Cristo havia vivido muitos séculos de mentirosa orientação e hipocrisia, e Ele se apresenta agora como o Santo e o Verdadeiro, como uma convocação à igreja em Filadélfia a caminhar pelo caminho correto da santidade e a verdade, e a doutrina ortodoxa bíblica e apostólica; abrindo passo à restauração da Igreja com a pregação da Palavra de Deus e não por meio da espada, como havia ocorrido no período da Reforma. Só com Cristo a Igreja pode ser santa; só com a unção e comunhão do Senhor, a Igreja pode caminhar por este mundo na perfeita separação do mundo, e andar na verdade, ou seja, ser verdadeira, na fidelidade ao Senhor. Não é possível alcançar o Senhor por caminhos diferentes ao plantado pela Palavra de Deus; os outros caminhos são sujos, falsos, torcidos, inventados, hipócritas, envoltos em uma religiosa aparência de santidade e retidão.
Em Filadélfia a regeneração chegou a ser vida nos santos e não só doutrina dogmática, porque a ortodoxia exige a ortopraxia. O que aqui se expõe não é novo, senão simplesmente o que foi instaurado e ensinado na Igreja desde o princípio, antes de que caísse sobre ela as corruptas correntes inovadoras e perturbadoras, que estorvam a legítima economia do Senhor. A Palavra de Deus não tem caducado, nem têm perdido vigência nenhum de seus princípios normativos. A graça de Deus que salva o homem por Cristo segue sendo um mistério insondável, e segue sendo esse dom não merecido que deve ser recebido em humilde gratidão. A Igreja segue sendo o Corpo de Cristo, e para sua edificação sobram as novas estratégias, os novos métodos, os novos planos e as novas organizações, tudo o qual se aparta do genuíno método de Deus e do único e original plano do Senhor. Isto o diz o Santo, o Verdadeiro, o único que tem o poder para orientar-te corretamente em teu ministério. Na Igreja, o chamamento ao ministério recai primeiramente como uma responsabilidade pessoal sobre os chamados, que os obriga a tomar decisões de tipo pessoal, para o qual pouco serviria o conselho nem a orientação de quem não conhece o chamamento; aqui só serve a orientação do Senhor, sem negar por ele a colegialidade do ministério.
Também o Senhor se apresenta à Filadélfia como o que tem a chave de Davi, o qual representa a autoridade do Senhor para abrir e fechar, e com essa chave cuida a igreja recobrada. A chave de Davi representa o domínio de Deus sobre todo Seu universo, esse senhorio que Deus outorgou a Adão, mas que este perdeu com a queda; mas tudo foi restaurado com Cristo, o verdadeiro Davi, que como Seu ancestral, livrou à batalha pelo estabelecimento do reino de Deus e pela construção do templo, a Igreja. Havia uma porta fechada, uma grande dificuldade para que se levasse à prática essa vida no Espírito e o trabalho na reconstrução da casa de Deus, mas se apresenta o Senhor com a chave, e diz que ao abrir Ele, ninguém poderia fechar. Tanto a igreja apóstata como a reformada haviam chegado a certo grau de ruína espiritual, que não só se preocupavam com o material, as vantagens e ganâncias terrenas, que se compara com certa situação do povo hebreu nos tempos de Isaías, época próxima ao eventual cativeiro a Assíria do reino do norte. Sebna, cujo significado é vigor juvenil, na ocasião mordomo e tesoureiro da casa de Deus, não atendendo as advertências de Deus sobre o iminente exílio, seguro de sua estabilidade no seu alto cargo religioso, manda escavar um sepulcro para si mesmo, pelo qual a Palavra de Deus diz:
" 12 O Senhor, o SENHOR dos Exércitos, vos convida naquele dia para chorar, prantear, rapar a cabeça e cingir o cilício.13 Porém é só gozo e alegria que se vêem; matam-se bois, degolam-se ovelhas, come-se carne, bebe-se vinho e se diz: Comamos e bebamos, que amanhã morreremos.14 Mas o SENHOR dos Exércitos se declara aos meus ouvidos, dizendo: Certamente, esta maldade não será perdoada, até que morrais, diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos.15 Assim diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos: Anda, vai ter com esse administrador, com Sebna, o mordomo, e pergunta-lhe:16 Que é que tens aqui? Ou a quem tens tu aqui, para que abrisses aqui uma sepultura, lavrando em lugar alto a tua sepultura, cinzelando na rocha a tua própria morada?17 Eis que como homem forte o SENHOR te arrojará violentamente; agarrar-te-á com firmeza,18 enrolar-te-á num invólucro e te fará rolar como uma bola para terra espaçosa; ali morrerás, e ali acabarão os carros da tua glória, ó tu, vergonha da casa do teu senhor.19 Eu te lançarei fora do teu posto, e serás derribado da tua posição.20 Naquele dia, chamarei a meu servo Eliaquim, filho de Hilquias,21 vesti-lo-ei da tua túnica, cingi-lo-ei com a tua faixa e lhe entregarei nas mãos o teu poder, e ele será como pai para os moradores de Jerusalém e para a casa de Judá.22 Porei sobre o seu ombro a chave da casa de Davi; ele abrirá, e ninguém fechará, fechará, e ninguém abrirá.23 Fincá-lo-ei como estaca em lugar firme, e ele será como um trono de honra para a casa de seu pai.24 Nele, pendurarão toda a responsabilidade da casa de seu pai, a prole e os descendentes, todos os utensílios menores, desde as taças até as garrafas. " (Is. 22:12-24).
Eliaquim significa: Deus restaurará, ou Deus estabelecerá; é um protótipo de Cristo, e líder do remanescente que seguia crendo e obedecendo a Deus, contrastando assim com os que como o mundano Sebna, faziam alianças com o mundo idólatra. Por isso recebeu a chave de Davi; ou seja, a chave da casa de Deus, das riquezas do Senhor, a fim de que as proveja a todos os necessitados. O Senhor lhe fez responsável dos tesouros de Sua casa. O Senhor, em Cristo e por Seu Espírito, entrega a Filadélfia as chaves de Sua Casa, para que administre todos os tesouros que estão sendo restaurados em Sua Igreja.
Devemos ter presente também que na Ásia Menor se praticava muito o culto a Janos, o deus que abre e fecha. Janos era o deus pagão das portas e as dobradiças, o das chaves babilônicas que diz ter o papa romano, e era também chamado o deus dos princípios, daí que janeiro (em inglês january) seja o princípio de ano, primeiro mês; por isso Janos era conhecido como o deus que abre e fecha, ou seja, o porteiro, e pensamos que de alguma maneira se relaciona este culto com as palavras do Senhor Jesus à igreja da localidade de Filadélfia, quando lhes diz: " 7 Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá:8 Conheço as tuas obras eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. " (Ap. 3:7-8). O deus pagão Jano era um deus falso; Jesus é o Deus verdadeiro que abre e fecha. Cristo é o centro neurálgico da economia e dos propósitos de Deus.


Uma porta aberta


" 8 Conheço as tuas obras,eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fecha,que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. ".

As obras de Filadélfia eram encomendadas pelo Senhor, pois esse pequeno grupo, um remanescente reduzido em número como aquele que se iniciou em 1828, não teria outra ambição que servir ao Senhor, conhecer-lhe, ter comunhão com Ele, estudar e por em prática a Palavra do Senhor. O Senhor levantou alguns irmãos na Inglaterra para que começassem a viver a prática da Igreja restaurada, a adequada vida do Corpo, fora de toda denominação e sistema divisivo, restaurando assim o amor entre os irmãos, a comunhão no Espírito em sua posição original. Alem disso se foram restaurando muitas verdades bíblicas, como: a verdadeira natureza da Igreja do Senhor, o ministério do Espírito Santo em relação com o indivíduo e o Corpo de Cristo, a posição do crente em Cristo, a suficiência do nome de Cristo, o sacerdócio de todos os crentes, o arrebatamento da Igreja, a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo e seu reino milenar na terra, a unidade do Corpo de Cristo. Recorde-se que a medida que a Igreja se estabelecia no mundo para por sua morada nele, se foi perdendo nos cristãos a visão do regresso do Senhor Jesus; ensinamento que havia dado força e ânimo aos primeiros cristãos. Tudo foi mudando, até que chegou o momento em que muitos dos chamados "pais da Igreja", interpretaram as profecias apocalípticas como já cumpridas na vigência do Império Romano.
Muitas destas verdades restauradas se começaram a pregar em Filadélfia desde os púlpitos evangélicos, ainda que não todas, porque Filadélfia têm voltado à Palavra de Deus e têm sido fiel a ela, e com Filadélfia têm aprendido nossos irmãos de Sardes, mas infortunadamente esses ensinamentos têm sido em parte mal usados. Por exemplo, o sacerdócio de todos os santos têm sido negligenciado pelo protestantismo. O funcionamento de um clero ordenado dentro da congregação tem o nefasto efeito de apagar o controle que o Espírito Santo exerce sobre as atividades sacerdotais dos membros do Corpo. Os irmãos pioneiros na restauração dos princípios bíblicos, que têm adotado uma posição definida na vertente bíblica por convicção e não por conveniência, os que tem sofrido uma forte e até violenta oposição, apreciam muito essas verdades e não abandonam essa posição, porque o preço têm sido muito alto.
O Senhor tem a chave de Sua casa, e por isso têm aberto uma porta à igreja restaurada, a qual ninguém pode fechar. O organizacionalismo sectário que se têm apoderado da grande parte da cristandade, têm tratado de fechá-la, de opor-se à restauração da Igreja de Jesus Cristo, mas é uma porta que se vai abrindo mais para que mais irmãos entrem por ela, pois somente o Senhor, que é Cabeça da Igreja, tem a chave; não há mais chaves. As igrejas orientais atuais são uma mescla do cristianismo primitivo e do paganismo grego e oriental; o catolicismo romano é uma mistura do cristianismo primitivo greco-romano e germano-saxão, do paganismo e do judaísmo; o protestantismo tratou de restaurar o cristianismo primitivo, mas ficou pela metade, ante qual o Senhor reagiu restaurando Sua Igreja por cima dos limites do protestantismo.

"que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome." (v.8b).

O Senhor elogia a igreja restaurada e lhe diz que têm guardado Sua Palavra ainda que tenha pouca força. Aqui se refere à força física e humana, não à força espiritual, da qual é rica. Filadélfia tem pouca força, mas é melhor essa pouca força quando se tem o pleno respaldo do Senhor, que gozar de uma boa reputação não merecida, como no caso de Sardes. A igreja começou a ser restaurada por um pequeno remanescente; ainda que carente dos grandes meios econômicos e relações políticas do cristianismo organizado; não faz parte dos fortes deste mundo; pelo contrário, sofre a oposição de organizações reformadas, de onde tem saído. Pode-se pensar que ao Senhor agrada quando fazemos muitas coisas por Ele; mas isso é discutível. Às vezes se trabalha para satisfazer a vaidade egoísta. Não é necessário intentar ser forte; nem o Senhor quer que sejamos fortes. O débil (Davi) venceu ao forte, o gigante (Golias). O Senhor está interessado em que sejamos féis no pouco, que trabalhemos com o que temos recebido Dele, não de outro. "9 Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.
10 Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte." (2 Co.12:9-10).
As organizações poderosas podem menosprezar os começos modestos da restauração da Igreja, quando tem chegado o momento de reconstruir o templo do Senhor, o verdadeiro testemunho da igreja nesta terra. Mas acontece exatamente igual ao ocorrido ao povo judeu depois de setenta anos de cativeiro na Babilônia. Deles iam regressando à Terra Santa pequenos grupos nos tempos de Zorobabel e Josué, Esdras e Neemias. Não regressaram com muitas riquezas materiais, mas sim plenos da necessária confiança em Deus para empreender a reconstrução da nação, a cidade e o templo. Houve muita oposição por parte dos que estavam ali organizados, como Sambalá, Tobias e Gesém, porque não tinham a devida relação com Deus e não haviam legitimidade em suas raízes. O Senhor estava vendo tudo isso, e dispôs ali do ministério dos profetas Ageu e Zacarias para alentar ao povo para que continuasse a obra de restauração, e Deus falou por meio de Zacarias a Zorobabel, dizendo-lhe: "6 Prosseguiu ele e me disse: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel: Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos. 9 As mãos de Zorobabel lançaram os fundamentos desta casa, elas mesmas a acabarão, para que saibais que o SENHOR dos Exércitos é quem me enviou a vós outros.10 Pois quem despreza o dia dos humildes começos, esse alegrar-se-á vendo o prumo na mão de Zorobabel. Aqueles sete olhos são os olhos do SENHOR, que percorrem toda a terra" (Zac. 4:6,9-10). Com Filadélfia está ocorrendo isso. Os pequenos grupos, mas não reduzidos a meras pessoas jurídicas, que integram as incipientes igrejas nas localidades, mas que se ajustam à Palavra de Deus, são menosprezados. Mas aí está essa porta aberta, e ninguém a poderá fechar.
A igreja restaurada serve ao Senhor guardando Sua Palavra. As regras de conduta da Igreja, como tudo o que tem a ver com ela, são as que estão estabelecidas na Palavra de Deus, porque por meio dela, Ele se expressa. A principal causa de que séculos antes de que muitas organizações houvessem apostatado, foi porque se desviaram da Palavra do Senhor. Sardes na Reforma, até certo ponto restaurou a Palavra de Deus, mas negou Seu nome. Filadélfia tem se sustentado na linha da restauração, regressando inteiramente Palavra, e por isso não tem negado o nome do Senhor; a igreja restaurada abandonou esses nomes diferentes ao do Senhor Jesus Cristo. Se tem posto como moda no protestantismo que um cristão não se contente com ser somente cristão; é necessário que seja wesleyano, batista, pentecostal, carismático, luterano, presbiteriano, anglicano, copto, metodista, assembleísta e mil “istas” mais, e não podem conceber que um cristão não esteja debaixo da cobertura de uma organização dotada de um nome e de uma pessoa jurídica. E ao que pergunta, se respondemos às secas que somos cristãos, isso não lhe basta. Parece que não aceitaram nem conceberam que possam existir cristãos sem que pertençam a uma denominação determinada. Todos estes nomes estão dividindo aos filhos de Deus. Como diz Watchman Nee: "Os dois milênios da história da Igreja são um triste registro das invenções humanas para destruir a unidade da Igreja" ( A Igreja Normal, Watchman Nee, Tipográfica Indígena, Cuernavaca, Morelia, México, 1964, pág. 93).
A única separação que necessitamos é do mundo, quando só nos interessa levar o nome do Senhor Jesus. Quando a Igreja, a desposada com Cristo, toma outro nome, fornica espiritualmente, " 2 Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo. " (2 Co. 11:2). A igreja restaurada guarda a Palavra do Senhor, e guardando-a e entendendo-a, no meio deles não há credo, nem doutrina, nem tradição, nem opiniões dos homens, nem ensinamentos diferentes da Palavra de Deus. Às vezes pode dar-se o caso de entenderem-se muitas doutrinas ou aceitar um credo particular, sem que necessariamente se conheça a Bíblia. Costuma-se tratar de enquadrar, simplificar e limitar a Bíblia reduzindo-a a um credo. Por que se dão estas coisas? Porque a Bíblia, entendem-na os que têm a vida de Deus, e um credo, o entende qualquer sem muita complicação.
Em virtude de que a nada do começado na Reforma se tem dado feliz cumprimento, por essa razão a igreja de Filadélfia é a encarregada de acabar a obra de restauração total da Casa de Deus. Filadélfia não tem negado o nome do Senhor. Não negar o nome do Senhor, implica também não negar Sua pessoa, confessando-o com valor e afrontando qualquer risco. Os sistemas denominacionais de Sardes tem substituído o nome do Senhor por outros nomes de fabricação humana. A Igreja de Filadélfia não exclui aos irmãos denominacionais; tem comunhão com eles, com os santos, porque é inclusiva, mas não participa do sistema que nega o nome do Senhor. Pode-se fazer parte do sistema denominacional e mediante o Espírito e a Palavra do Senhor receber clareza sobre o que não é legítimo, sobre o que não está de acordo com a Palavra, sobre o que não deve permanecer, nem aprovar-se nem respaldar-se, e se começa a sentir o desejo de não seguir participando em muitas dessas coisas. Tem-se por benção, que ingresse muita gente a nosso círculo cristão, mas isso não é apropriado quando o caminho não é estreito. A porta aberta que o Senhor tem posto diante da Igreja, ninguém a pode fechar, e de fato se tem intentado fechá-la, mas não podem, porque quem tem as chaves é o Senhor Jesus.
A Igreja teve seu nascimento e iniciou seu crescimento e desenvolvimento com um mínimo de forma institucional e credo se é que se pode assegurar que algo disso havia em sua estrutura, salvo alguma dose de procedimentos herdados em seus primórdios, em maior porcentagem de judaísmo, pois mais que formas fixas de organização e culto externo, o fundamental na Igreja do Senhor desde aquele primeiro dia de Pentecostes, o que na realidade a faz atrativa, sua verdadeira riqueza, era e segue sendo o Senhor Jesus Cristo encarnado, crucificado, ressuscitado, glorificado e manifesto em Sua Igreja por Seu Santo Espírito. Os demais aspectos têm sido colocados em um lugar secundário no curso da verdadeira construção do templo de Deus. Na prática a Igreja universal de Jesus Cristo é espiritual, é um organismo vivo e não meramente uma multiplicidade de sistemas organizacionais.
A Igreja é expressada pelas igrejas locais, as quais, por terem os anciãos e diáconos, estão organizadas. Se se associa a palavra "igreja" (ekklesia) com o edifício ou lugar de reunião, ou com uma instituição, nos desviamos da verdade escritural. É necessário começar a associar o termo igreja com a comunhão dos santos, com a realidade do povo de Deus em Cristo pelo Espírito, do Corpo do Senhor Jesus. O termo grego ekklesia vem da preposição “ek”, que significa fora e “klesis” que significa uma chamada, de maneira que os santos são “os chamados fora de”, o qual não se relaciona para nada com os edifícios ou as organizações eclesiásticas. "Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo." (1 Co. 12:27). "22 E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja,23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas." (Ef. 1:22,23). As instituições são invenções humanas e não estão implícitas na economia divina, por muito que se lhes pretenda defender. Pode-se fazer parte da assembléia institucional sem que necessariamente se faça parte da Igreja de Jesus Cristo, e isto deve saber qualquer que medianamente estuda a Escritura. O erro da denominação consiste em que não são todos os que estão, nem estão todos os que são. Biblicamente devemos associar o termo igreja primeiramente com a assembléia inclusiva dos crentes regenerados na localidade, e logo com a de todos em todo o universo, o qual leva implícito, ou está conectado com a unidade em Cristo e a comunhão no Espírito.
A Igreja tem sua Cabeça que é Cristo, tem sua jurisdição que é a localidade ou cidade, inclui todos os filhos de Deus de uma cidade sem excluir a nenhum por razões sectárias, de posição social o econômica, de raças, de ênfases doutrinárias; assim também tem a Igreja seu conteúdo bíblico, seu serviço próprio, a disciplina legítima e bíblica, o governo, a comunhão, a unidade, as finanças, as reuniões, as relações; tudo isto o tem a Igreja em um marco bíblico e normal, como está no plano de Deus, como está na Bíblia, sem os farisaicos aditamentos estatutários. A Igreja de Jesus Cristo não funciona porque a autoridade civil lhe outorgue poder de pessoa jurídica. Pessoalmente me informei sobre certa congregação cristã que, para se tornar uma pessoa jurídica e ter seus estatutos ou regulamentos internos, encarregou sua redação a um advogado sem conversão, nos quais não aparecia o nome de Deus nem de Seu Cristo. E me consta que se regiam por esse documento para dirimir muitos de seus assuntos.


Precursores da restauração


Ante a tragédia da Guerra dos Trinta Anos surgiram algumas correntes de avivamentos emanados de pequenas fontes como a dos Irmãos Boêmios ou Unitas Frátum, que haviam sofrido muito durante a guerra. As correntes protestantes estabelecidas oficialmente em muitas partes de Europa, no século XVIII haviam caído em um letargo espiritual, devido em parte a uma onda de racionalismo associado com o deísmo, e também ao esfriamento do avivamento inicial. Nessas circunstancias, em 1722 um grupo de irmãos que haviam seguido os princípios de vida espiritual praticados e ensinados por John Huss, emigraram da Morávia (ao sul da República Tcheca, norte da Áustria e oriente da Eslováquia) e Boêmia, a Saxônia, conduzidos por Cristiano David. O conde Nicolau Luis Zinzendorf (1700-1760) os acolheu amorosamente em seu feudo, pois havendo recebido sua educação na escola teológica da Universidade de Halle, esteve debaixo da influência do piedoso Augusto Hermann Franke (1663-1727), proeminente no movimento pietista. De princípios luteranos, Zinzendorf cursou estudos de direito em Wittenberg, chegando a ser um viajante infatigável; se distinguia por sua sensibilidade, capacidade e uma imaginação compreensiva universal; mas o que mais chama a atenção é que desde sua juventude se despertou nele uma inconformidade frente à situação espiritual em que havia caído à moribunda igreja oficial. O pietismo neste jovem nobre tomou a forma de uma ardente devoção ao Senhor Jesus. Para acolher os irmãos, Zinzendorf destinou sua propriedade em Berthelsdorf, em Lusace, a uns trinta quilômetros de Dresden, para criar o chamado "feudo de Deus".
Em meio a tudo isso, ali os irmãos Morávios começaram algo diferente, algo assim como uma célula viva já não de uma organização mas, senão da expressão corporal da Igreja de Jesus Cristo; e se ocuparam de derrubar as árvores dos bosques circundantes, drenaram alguns terrenos pantanosos, e edificaram uma cidade comunitária cristã, Hernhut ("Sombreiro ou sombra do Senhor"), que se converteu com o tempo não só em um grande centro industrial, senão também de vida espiritual e corporativa, cujas ganâncias comunitárias eram reservadas inteiramente para a obra missionária. Seiscentos cristãos comunitários produziam não só para si mesmos, senão para manter até mil missionários em tudo o mundo.
O conde Zinzendorf se estabeleceu em Hernhut e lá teve por centro e sede de suas atividades missionárias e para promover a vida espiritual com os irmãos, pois teve o anelo de espalhar a fé cristã através de muitas partes do mundo, e naquele grupo de irmãos refugiados e perseguidos, ele viu uma oportunidade que o Senhor lhe dava de realizar seus desejos, identificando-se com eles. Ali construíram casas para os santos pobres e fundaram um seminário teológico para educar aos missionários que haveriam de levar as boas novas a longínquas terras, e quando chegavam à ancianidade, regressavam a esse seu lugar a passar o resto de seus dias. Aos fins do século XIX continuava ali a vida tranqüila e feliz, como a “Meca” dos irmãos Morávios, que, além da herança de Huss, se relacionavam com o pietismo e com a Unitas Frátum, e se distinguiam por sua integridade moral e sua vida espiritual inclinada para o pietismo. Em certa forma se assemelhavam muito aos puritanos ingleses do século XVII, cuidando-se sempre de conformar-se o mais possível aos princípios bíblicos de vida corporativa como igreja. Como é de se supor, isto gerou fortes protestos por parte dos círculos eclesiásticos oficiais alemães, conseguindo que o conde fosse desterrado.
Em 1732 os missionários morávios chegaram ao território da Greolândia sob a liderança de Hans Egede; na América do Norte em 1733, e um pouco depois de 1750 estenderam suas operações até o Labrador. Inauguraram uma colônia que tinha seu centro em Bethlehem (Pensilvânia). Ali seu principal dirigente era Spangenburg, mas foram visitados por Zinzendorf. É curioso registrar que o dirigente Quaquer, Guilherme Penn, fundou a Pensilvânia como um "santo experimento" com Filadélfia, a Cidade do Amor Fraternal, como sua capital, operando abaixo uma forma de governo que buscava colocar os cimentos de uma sociedade construída sobre princípios cristãos e governada por ideais cristãos. Também se registra que em 1732, pela iniciativa de Zinzendorf, os morávios começaram umas missões entre os negros das Índias Ocidentais Danesas, e em 1735 nas colônias holandesas da costa norte de América do Sul.
Ao morrer o conde em 1760, o labor apostólico de uma equipe de 220 missionários repartidos em 24 países, se refletia em uns 30.000 crentes que constituíram a avançada do futuro trabalho de restauração da Igreja do Senhor em nossos tempos. John Wesley estabeleceu contato com os irmãos Morávios, o qual lhe produziu uma experiência significativa, fazendo Dele o promotor de um grande despertamento evangélico e o iniciador do Metodismo.


A moderna história de José


" 9 Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei. ".
A palavra judeu se deriva de Judá, a que a sua vez em hebraico é yadáh, que significa louvar a Javé, então etimologicamente os judeus são aqueles que louvam a Deus, e essa é a conotação profética no presente versículo. A igreja histórica de Filadélfia estava composta em sua maioria por judeus, e, aliás, principalmente por essa causa, foi perseguida também pela sinagoga dos judeus que não haviam se convertido, e qualificavam aos irmãos de apóstatas, de traidores de seu povo, de hereges, de sectários, de que haviam se afastado de Deus e do cumprimento da lei, e por isso eles, os da sinagoga, proclamavam que eram autênticos judeus, mas o Senhor mesmo revela sua falsidade, dizendo que definitivamente não eram verdadeiros judeus, senão mentirosos que não reverenciavam a Deus. Que significado pode ter tudo isto para o momento atual? Já o explicamos no capítulo segundo quando estudamos a carta a Esmirna e as conotações da palavra judeu. Agora se trata das instituições eclesiásticas que pretendem possuir a legítima sucessão estabelecida por Deus. Em certa maneira o cristianismo se desprende do judaísmo, pois ali há raízes, assim como a igreja restaurada se desprende da igreja reformada.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

ARMINIANISMO versus O CALVINISMO

TERCEIRO APÊNDICE DO CAPÍTULO V
TESES DO ARMINIANISMO versus O CALVINISMO*(1)

*(1) Para ter pelo menos uma clara idéia do que é o Calvinismo e o Arminianismo e seu histórico enfrentamento doutrinal nas vertentes protestantes, digamos primeiro algo relacionado com Calvino e Armínio. O francês João Calvino (1509-1564) foi um dos maiores teólogos da Reforma protestante. Instalado em Genebra, Suíça, estruturou a vida da cidade abaixo a forma de um sistema ou regime teocrático, de fusão da organização da vida temporal e histórica, com as exigências espirituais mais intransigentes. Seu pensamento teológico está modelado em um livro de sua autoria titulado Institutos da Religião Cristã, provavelmente o único e mais influente livro da Reforma protestante, obra na qual expõe os princípios cristãos ensinados na Igreja, conforme as doutrinas apostólicas, antes que sofressem as corruptas inovações da Igreja Católica Romana. Para expor suas idéias, Calvino seguiu a ordem do Credo Apostólico, fazendo especial teimosia nas Escrituras e nos escritos de Agostinho de Hipo.Calvino, entre outras coisas, expõe o ensinamento bíblico de que com a queda do homem, sua vontade foi tão debilitada, e foi sumindo tanto na escuridão e na cegueira, que foi incapaz de fazer alguma obra boa, a menos que fosse ajudado pela graça especial que Deus tem dado a seus eleitos e predestinados (Efésios 1:4-5; Romanos 8:29-30) e recebido por meio da regeneração e justificação, pela obra de Cristo. O que há, pois, para os demais? Que se não for a graça, todo homem está debaixo da merecida ira de Deus. Então, se salva alguém por sua própria iniciativa e vontade? A salvação do homem depende inteiramente da iniciativa de Deus. É por fé, não por obras (Efésios 2:8-9; João 16:8-10). Esse é um pequeno resumo da doutrina calvinista a respeito da salvação. Enfrenta o Arminianismo, que é uma heresia propagada por Jacob Armínio (1560-1609), a qual, fundamentalmente, se opõe à doutrina da dupla predestinação.A morte de Calvino e seu ministério foi continuado por seu condiscípulo Teodoro Beza (1519-1605), professor de teologia na Academia de Genebra. No mesmo século XVI começaram a surgir as controvérsias em torno à salvação, que ainda seguem debatendo. Sobre isso citamos a Scott Latourette:"Depois que terminou a peja política, explodiu uma luta importante sobre doutrina dentro da Igreja Reformada Holandesa. Os supra-lapsários e os infra-lapsários, ou seja, entre os que criam que Deus antes que criasse o mundo, havia decretado quais deveriam ser salvos e quais deveriam ser condenados, e os que defendiam a opinião de que foi em vista do pecado de Adão e só depois de dita catástrofe, quando Deus decretou que certos homens seriam salvos e outros perdidos. Contra ambas teorias protestaram alguns que foram chamados logo remonstrantes. Entre estes o personagem principal foi Jacob Armínio, discípulo de Beza e professor de Teologia da Universidade de Leidem (Holanda), o qual proposto refutá-los, ficou convencido por eles. De conseqüente a posição remonstrante têm sido conhecida como o arminianismo. Ele, recusando o supra-lapsarianismo e o infra-lapsarianismo, a expiação limitada (a saber, o ensinamento de que Cristo morreu só pelos eleitos), a graça irresistível e a perseverança dos eleitos, ensino que Cristo morreu por todos os homens, que a salvação é pela fé somente, que os que crêem são salvos, que os que reusam a graça se perdem, e que Deus não escolhe a indivíduos particulares nem para uma nem para outra coisa. As paixões se inflamaram nas discussões". Kenneth Scott Latourette. Historia del Cristianismo. Tomo 2. Casa Bautista de Publicaciones. 1979. Pág. 115.


Os cinco pontos do Arminianismo:
1. O livre arbítrio. Mesmo que a natureza humana foi afetada seriamente na queda, o homem não tem ficado em um estado de impotência espiritual total. Pela graça, Deus dá o poder espiritual a cada pecador para arrepender-se e crer, mas Ele o faz de tal maneira, que não interfere com a liberdade do homem. Cada pecador é possuidor de um livre arbítrio, e seu destino depende do uso que ele lhe dê. A liberdade do homem consiste em sua habilidade de escolher o bem em lugar do mal nos assuntos espirituais; sua vontade não está escravizada por sua vontade pecaminosa. O pecador tem poder para cooperar com o Espírito Santo e desta forma ser regenerado; e tem poder para resistir à graça de Deus, e, portanto perecer. O pecador perdido necessita da ajuda do Espírito, mas não tem que ser regenerado pelo Espírito antes de poder crer; porque a fé é uma obra humana e precede ao novo nascimento. A fé é o dom do pecador a Deus; é a contribuição do homem a sua salvação.
2. A eleição condicional. O fato de que Deus escolheu certos indivíduos para ser salvos antes da fundação do mundo, foi baseado no fato de que Deus previu que eles responderiam a seu chamamento. Ele escolheu somente àqueles que Ele sabia que por si mesmos creriam no Evangelho. Portanto, a eleição foi determinada ou condicionada pelo que o homem faria. A (fé que Deus prevê e na qual se baseia para escolher aos salvos, não é algo criado pelo poder regenerador do Espírito Santo), dado ao pecador por Deus (não é algo criado pelo poder regenerador do Espírito Santo), senão algo que resulta inteiramente da vontade do homem. Foi deixado completamente à vontade do homem crer ou não, e assim determinar se seria eleito ou não à salvação. Deus escolheu aos que Ele sabia que por seu livre arbítrio escolheriam a Cristo. Assim pois, a causa final da salvação é que o pecador escolhe a Cristo e não que Deus escolha ao pecador.
3. A redenção universal ou a expiação geral. A obra redentora de Cristo fez possível a salvação de todos, mas não assegurou realmente a salvação de ninguém, ainda que Cristo morreu por todos e por cada homem, somente os que crêem Nele são salvos. Sua morte fez possível que Deus perdoasse aos pecadores, a condição de que eles criam; mas de fato não acabou com os pecados de ninguém. A redenção de Cristo tem eficácia só se o homem queira aceitá-la.
4. Se pode resistir eficazmente ao Espírito Santo. O Espírito chama internamente a todos aqueles que são chamados externamente pelo convite do Evangelho. O Espírito faz todo o possível para levar a cada pecador à salvação, mas como o homem é livre, pode resistir o chamamento do Espírito. O Espírito não pode regenerar ao pecador até que este creia; a fé (que é a contribuição do homem) precede e faz possível o novo nascimento. Portanto, o livre arbítrio do homem, limita ao Espírito Santo na aplicação da obra redentora de Cristo. O Espírito Santo pode atrair a Cristo só àqueles que o permitem. Até que o pecador responde, o Espírito não pode dar vida. A graça de Deus, portanto, não é invencível; pode ser, e com freqüência é, resistida e frustrada pelo homem.
5. Caindo da graça. Aqueles que crêem e são verdadeiramente salvos, podem perder sua salvação se deixam de perseverar em sua fé.
Os cinco pontos do Calvinismo:
1. Inabilidade total ou depravação total. Por causa da queda, o homem é incapaz por si mesmo de crer no Evangelho de uma maneira salvadora. O pecador está morto, cego e mudo às coisas de Deus; seu coração é enganoso e desesperadamente corrupto. Sua vontade não tem liberdade, está cativa a sua natureza caída. Portanto, não escolherá o bom invés do mal enquanto ao espiritual, porque em verdade não pode escolhê-lo. Como conseqüência, necessita-se mais que a ajuda do Espírito para levar o pecador a Cristo. Necessita-se da regeneração pela qual o Espírito ressuscita ao pecador morto e lhe da uma natureza nova para que possa crer. A fé não é a parte com que o homem contribui a sua salvação, senão que a fé é em si uma parte do dom de Deus na salvação; é o dom de Deus ao pecador, e não o dom de pecador a Deus.2. Eleição incondicional. A eleição de certos indivíduos para ser salvos ainda antes da fundação do mundo, descansa inteiramente na vontade soberana de Deus. Sua eleição de certos pecadores não está baseada em nenhuma resposta prevista ou obediência por parte deles, tal como fé, arrependimento, etc. Ao contrário, é Deus que dá a fé e arrependimento a cada individuo que Ele escolhe. Estes atos (a fé e o arrependimento) são o resultado, não a causa da eleição de Deus. Portanto, a eleição não é determinada ou condicionada por alguma virtuosa disposição prevista no homem. Aqueles que Deus soberanamente escolhe, os trás através do Espírito a uma aceitação voluntária de Cristo. Então, a causa final da salvação está em que Deus escolhe para salvação ao pecador, não que o pecador escolha a Cristo.
3. A redenção particular ou expiação limitada. A obra redentora de Cristo teve o propósito de salvar só aos escolhidos e assegurar a salvação deles. Sua morte foi em substituição da pena do pecado e em lugar de certos pecadores específicos. Além de quitar os pecados de Seu povo, a redenção de Cristo assegurou todo o necessário para sua salvação, incluindo a fé que lhes une a Ele. O dom da fé é concedido infalivelmente pelo Espírito Santo a todos aqueles pelos quais Cristo morreu, garantindo assim sua salvação.4. O chamamento eficaz do Espírito Santo ou a graça irresistível. Além do chamamento externo geral à salvação que se faz a todos os que ouvem o evangelho, o Espírito Santo estende a todos os eleitos um chamamento interno especial que inevitavelmente lhes traz à salvação. O chamamento externo (que se faz a todos sem distinção) pode ser e muitas vezes é recusado; enquanto que o chamamento interno (feito só aos eleitos) sempre resulta na conversão. Por meio deste chamamento especial, o Espírito Santo atrai irresistivelmente aos pecadores a Cristo. Em Sua obra de aplicar a salvação, não está limitado pela vontade do homem, nem depende da cooperação do homem para ter êxito. Pelo poder da graça, o Espírito Santo impulsiona ao pecador eleito a cooperar, a crer, a arrepender-se, a vir livremente e de sua própria vontade (livrada pelo poder de Deus) a Cristo. Então, a graça de Deus é invencível; sempre resulta na salvação daqueles a quem é estendida.
5. A perseverança dos santos (crentes). Todos os que foram escolhidos por Deus, redimidos por Cristo e receberam a fé por meio do Espírito Santo, são eternamente salvos. Permanecem na fé pelo poder de Deus onipotente, e, portanto, perseverarão até o fim. (Perseverarão porque são preservados por Deus).

DISCUSSÃO SOBRE O VALOR DAS INDULGÊNCIAS

SEGUNDO APÊNDICE DO CAPÍTULO V
DISCUSSÃO SOBRE O VALOR DAS INDULGÊNCIAS

As 95 teses do Doutor Martinho Lutero - 1517

Com um desejo ardente de trazer a verdade à luz, as seguintes teses serão defendidas em Wittenberg sob a presidência do Rev. Frei Martinho Lutero, Mestre de Artes, Mestre de Sagrada Teologia e Professor oficial da mesma. Ele, portanto, pede que todos os que não puderem estar presentes e disputar com ele verbalmente, façam-no por escrito.
Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Amém.
1. Ao dizer: "Fazei penitência", etc. [Mt 4.17], o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência.
2. Esta penitência não pode ser entendida como penitência sacramental (isto é, da confissão e satisfação celebrada pelo ministério dos sacerdotes).
3. No entanto, ela não se refere apenas a uma penitência interior; sim, a penitência interior seria nula se, externamente, não produzisse toda sorte de mortificação da carne.
4. Por conseqüência, a pena perdura enquanto persiste o ódio de si mesmo (isto é a verdadeira penitência interior), ou seja, até a entrada do reino dos céus.
5. O papa não quer nem pode dispensar de quaisquer penas senão daquelas que impôs por decisão própria ou dos cânones.
6. O papa não tem o poder de perdoar culpa a não ser declarando ou confirmando que ela foi perdoada por Deus; ou, certamente, perdoados os casos que lhe são reservados. Se ele deixasse de observar essas limitações, a culpa permaneceria.
7. Deus não perdoa a culpa de qualquer pessoa sem, ao mesmo tempo, sujeitá-la, em tudo humilhada, ao sacerdote, seu vigário.
8. Os cânones penitenciais são impostos apenas aos vivos; segundo os mesmos cânones, nada deve ser imposto aos moribundos.
9. Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa quando este, em seus decretos, sempre exclui a circunstância da morte e da necessidade.
10. Agem mal e sem conhecimento de causa aqueles sacerdotes que reservam aos moribundos penitências canônicas para o purgatório.
11. Essa cizânia de transformar a pena canônica em pena do purgatório parece ter sido semeada enquanto os bispos certamente dormiam.
12. Antigamente se impunham as penas canônicas não depois, mas antes da absolvição, como verificação da verdadeira contrição.
13. Através da morte, os moribundos pagam tudo e já estão mortos para as leis canônicas, tendo, por direito, isenção das mesmas.
14. Saúde ou amor imperfeito no moribundo necessariamente traz consigo grande temor, e tanto mais quanto menor for o amor.
15. Este temor e horror por si sós já bastam (para não falar de outras coisas) para produzir a pena do purgatório, uma vez que estão próximos do horror do desespero.
16. Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero, o semidesespero e a segurança.
17. Parece desnecessário, para as almas no purgatório, que o horror diminua na medida em que cresce o amor.
18. Parece não ter sido provado, nem por meio de argumentos racionais nem da Escritura, que elas se encontrem fora do estado de mérito ou de crescimento no amor.
19. Também parece não ter sido provado que as almas no purgatório estejam certas de sua bem-aventurança, ao menos não todas, mesmo que nós, de nossa parte, tenhamos plena certeza disso.
20. Portanto, por remissão plena de todas as penas, o papa não entende simplesmente todas, mas somente aquelas que ele mesmo impôs.
21. Erram, portanto, os pregadores de indulgências que afirmam que a pessoa é absolvida de toda pena e salva pelas indulgências do papa.
22. Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório de uma única pena que, segundo os cânones, elas deveriam ter pago nesta vida.
23. Se é que se pode dar algum perdão de todas as penas a alguém, ele, certamente, só é dado aos mais perfeitos, isto é, pouquíssimos.
24. Por isso, a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada por essa magnífica e indistinta promessa de absolvição da pena.
25. O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório de modo geral, qualquer bispo e cura tem em sua diocese e paróquia em particular.
26. O papa faz muito bem ao dar remissão às almas não pelo poder das chaves (que ele não tem), mas por meio de intercessão.
27. Pregam doutrina humana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando [do purgatório para o céu].
28. Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa[1][1], pode aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.
29. E quem é que sabe se todas as almas no purgatório querem ser resgatadas, como na história contada a respeito de São Severino e São Pascoal?
30. Ninguém tem certeza da veracidade de sua contrição, muito menos de haver conseguido plena remissão.
31. Tão raro como quem é penitente de verdade é quem adquire autenticamente as indulgências, ou seja, é raríssimo.
32. Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência.
33. Deve-se ter muita cautela com aqueles que dizem serem as indulgências do papa aquela inestimável dádiva de Deus através da qual a pessoa é reconciliada com Ele.
34. Pois aquelas graças das indulgências se referem somente às penas de satisfação sacramental, determinadas por seres humanos.
35. Os que ensinam que a contrição não é necessária para obter redenção ou indulgência, estão pregando doutrinas incompatíveis com o cristão.
36. Qualquer cristão que está verdadeiramente contrito tem remissão plena tanto da pena como da culpa, que são suas dívidas, mesmo sem uma carta de indulgência.
37. Qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, participa de todos os benefícios de Cristo e da Igreja, que são dons de Deus, mesmo sem carta de indulgência.
38. Contudo, o perdão distribuído pelo papa não deve ser desprezado, pois – como disse – é uma declaração da remissão divina[2][2].
39. Até mesmo para os mais doutos teólogos é dificílimo exaltar simultaneamente perante o povo a liberalidade de indulgências e a verdadeira contrição.[3][3]
40. A verdadeira contrição procura e ama as penas, ao passo que a abundância das indulgências as afrouxa e faz odiá-las, ou pelo menos dá ocasião para tanto.[4][4]
41. Deve-se pregar com muita cautela sobre as indulgências apostólicas, para que o povo não as julgue erroneamente como preferíveis às demais boas obras do amor.[5][5]
42. Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de misericórdia.
43. Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências.[6][6]
44. Ocorre que através da obra de amor cresce o amor e a pessoa se torna melhor, ao passo que com as indulgências ela não se torna melhor, mas apenas mais livre da pena.
45. Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para gastar com indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira de Deus.
46. Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância, devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma desperdiçar dinheiro com indulgência.
47. Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é livre e não constitui obrigação.
48. Deve ensinar-se aos cristãos que, ao conceder perdões, o papa tem mais desejo (assim como tem mais necessidade) de oração devota em seu favor do que do dinheiro que se está pronto a pagar.
49. Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são úteis se não depositam sua confiança nelas, porém, extremamente prejudiciais se perdem o temor de Deus por causa delas.
50. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto – como é seu dever – a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extorquem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro.
52. Vã é a confiança na salvação por meio de cartas de indulgências, mesmo que o comissário ou até mesmo o próprio papa desse sua alma como garantia pelas mesmas.
53. São inimigos de Cristo e do Papa aqueles que, por causa da pregação de indulgências, fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas.
54. Ofende-se a palavra de Deus quando, em um mesmo sermão, se dedica tanto ou mais tempo às indulgências do que a ela.
55. A atitude do Papa necessariamente é: se as indulgências (que são o menos importante) são celebradas com um toque de sino, uma procissão e uma cerimônia, o Evangelho (que é o mais importante) deve ser anunciado com uma centena de sinos, procissões e cerimônias.
56. Os tesouros da Igreja, a partir dos quais o papa concede as indulgências, não são suficientemente mencionados nem conhecidos entre o povo de Cristo.
57. É evidente que eles, certamente, não são de natureza temporal, visto que muitos pregadores não os distribuem tão facilmente, mas apenas os ajuntam.
58. Eles tampouco são os méritos de Cristo e dos santos, pois estes sempre operam, sem o papa, a graça do ser humano interior e a cruz, a morte e o inferno do ser humano exterior.
59. S. Lourenço disse que os pobres da Igreja são os tesouros da mesma, empregando, no entanto, a palavra como era usada em sua época.
60. É sem temeridade que dizemos que as chaves da Igreja, que foram proporcionadas pelo mérito de Cristo, constituem estes tesouros.
61. Pois está claro que, para a remissão das penas e dos casos especiais, o poder do papa por si só é suficiente.[7][7]
62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.
63. Mas este tesouro é certamente o mais odiado, pois faz com que os primeiros sejam os últimos.
64. Em contrapartida, o tesouro das indulgências é certamente o mais benquisto, pois faz dos últimos os primeiros.
65. Portanto, os tesouros do Evangelho são as redes com que outrora se pescavam homens possuidores de riquezas.
66. Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as redes com que hoje se pesca a riqueza dos homens.
67. As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como as maiores graças realmente podem ser entendidas como tais, na medida em que dão boa renda.
68. Entretanto, na verdade, elas são as graças mais ínfimas em comparação com a graça de Deus e a piedade da cruz.
69. Os bispos e curas têm a obrigação de admitir com toda a reverência os comissários de indulgências apostólicas.
70. Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e atentar com ambos os ouvidos para que esses comissários não preguem os seus próprios sonhos em lugar do que lhes foi incumbidos pelo papa.
71. Seja excomungado e amaldiçoado quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas.
72. Seja bendito, porém, quem ficar alerta contra a devassidão e licenciosidade das palavras de um pregador de indulgências.
73. Assim como o papa, com razão, fulmina aqueles que, de qualquer forma, procuram defraudar o comércio de indulgências,
74. muito mais deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências, procuram fraudar a santa caridade e verdade.
75. A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes a ponto de poderem absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso fosse possível, é loucura.
76. Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados venais no que se refere à sua culpa.
77. A afirmação de que nem mesmo São Pedro, caso fosse o papa atualmente, poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o Papa.
78. Dizemos contra isto que qualquer papa, mesmo São Pedro, tem maiores graças que essas, a saber, o Evangelho, as virtudes, as graças da administração (ou da cura), etc., como está escrito em I.Coríntios XII.
79. É blasfêmia dizer que a cruz com as armas do papa, insigneamente erguida, eqüivale à cruz de Cristo.
80. Terão que prestar contas os bispos, curas e teólogos que permitem que semelhantes sermões sejam difundidos entre o povo.
81. Essa licenciosa pregação de indulgências faz com que não seja fácil nem para os homens doutos defender a dignidade do papa contra calúnias ou questões, sem dúvida argutas, dos leigos.
82. Por exemplo: Por que o papa não esvazia o purgatório por causa do santíssimo amor e da extrema necessidade das almas – o que seria a mais justa de todas as causas –, se redime um número infinito de almas por causa do funestíssimo dinheiro para a construção da basílica – que é uma causa tão insignificante?
83. Do mesmo modo: Por que se mantêm as exéquias e os aniversários dos falecidos e por que ele não restitui ou permite que se recebam de volta as doações efetuadas em favor deles, visto que já não é justo orar pelos redimidos?
84. Do mesmo modo: Que nova piedade de Deus e do papa é essa que, por causa do dinheiro, permite ao ímpio e inimigo redimir uma alma piedosa e amiga de Deus, mas não a redime por causa da necessidade da mesma alma piedosa e dileta por amor gratuito?
85. Do mesmo modo: Por que os cânones penitenciais – de fato e por desuso já há muito revogados e mortos – ainda assim são redimidos com dinheiro, pela concessão de indulgências, como se ainda estivessem em pleno vigor?
86. Do mesmo modo: Por que o papa, cuja fortuna hoje é maior do que a dos ricos mais crassos, não constrói com seu próprio dinheiro ao menos esta uma basílica de São Pedro, ao invés de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?
87. Do mesmo modo: O que é que o papa perdoa e concede àqueles que, pela contrição perfeita, têm direito à plena remissão e participação?
88. Do mesmo modo: Que benefício maior se poderia proporcionar à Igreja do que se o papa, assim como agora o faz uma vez, da mesma forma concedesse essas remissões e participações cem vezes ao dia a qualquer dos fiéis?
89. Já que, com as indulgências, o papa procura mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que suspende as cartas e indulgências, outrora já concedidas, se são igualmente eficazes?
90. Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos leigos somente pela força, sem refutá-los apresentando razões, significa expor a Igreja e o papa à zombaria dos inimigos e fazer os cristãos infelizes.
91. Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido.
92. Portanto, fora com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo "Paz, paz!" sem que haja paz!
93. Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo "Cruz! Cruz!" sem que haja cruz![8][8]
94. Devem-se exortar os cristãos a que se esforcem por seguir a Cristo, seu cabeça, através das penas, da morte e do inferno.
95. E que confiem entrar no céu antes passando por muitas tribulações do que por meio da confiança da paz.
[1517 A.D.]







TAXA CAMERÆ

PRIMEIRO APÊNDICE DO CAPÍTULO V
TAXA CAMERÆ

(A Taxa Camaræ promulgada por Leão X, o papa romano a quem Lutero enfrentou ).
A Taxa Camaræ é uma tarifa promulgada no ano 1517 pelo papa Leão X (1513-1521) com o fim de vender indulgências, isto é perdoar as culpas, a todos quantos pudessem pagar umas boas libras ao pontífice. Como veremos na transcrição que seguirá, não havia delito, por horrível que fosse, que não pudesse ser perdoado em troca de dinheiro. Leão X declarou aberto o céu para quem, clérigos ou laicos, houvessem violado a crianças e adultos, assassinado a um ou a vários, caloteado a seus credores, abortado... mas tivessem o bem de serem generosos com os tesouros papais. Este documento mostra um dos pontos culminantes da corrupção humana*(1)*(1) Pepe Rodriguez. Mentiras fundamentais da Igreja Católica. Edições Grupo Z. 1997. Pág. 397.1. O eclesiástico que incorrer em pecado carnal, seja com freiras, primas,
sobrinhas, afilhadas ou, enfim, com outra mulher qualquer, será absolvido
mediante o pagamento de 67 libras e 12 soldos.

2. Se o eclesiástico, além do pecado de fornicação, pedir para ser absolvido
do pecado contra a natureza ou de bestialidade, deverá pagar 219 libras e
15 soldos. Mas se tiver cometido pecado contra a natureza com crianças
ou animais, e não com uma mulher, pagará apenas 131 libras e 15 soldos.

3. O sacerdote que deflorar uma virgem pagará 2 libras e 8 soldos.

4. A religiosa que quiser ser abadessa após ter se entregado a um ou mais
homens simultânea ou sucessivamente, dentro ou fora do convento, pagará
131 libras e 15 soldos.

5. Os sacerdotes que quiserem viver em concubinato com seus parentes pagaram
76 libras e 1 soldo.

6. Para cada pecado de luxúria cometido por um leigo, a absolvição custará
27 libras e 1 soldo.

7. A mulher adúltera que pedir a absolvição para se ver livre de qualquer
processo e ser dispensada para continuar com a relação ilícita pagará ao
papa 87 libras e 3 soldos. Em um caso análogo, o marido pagará o mesmo
montante; se tiverem cometido incesto com o próprio filho, acrescentar-se-
ão 6 libras pela consciência.

8. A absolvição e a certeza de não ser perseguido por crime de roubo, furto
ou incêndio custarão ao culpado 131 libras e 7 soldos.

9. A absolvição de homicídios simples cometido contra a pessoa de um leigo
custará 15 libras, 4 soldos e 3 denários.

10. Se o assassino tiver matado dois ou mais homens em um único dia, pagará
como se tivesse assassinado um só.

11. O marido que infligir maus-tratos à mulher pagará às caixas da chancelaria
3 libras e 4 soldos; se a mulher for morta, pagará 17 libras e 15 soldos;
e se a tiver matado para se casar com outra, pagará mais 32 libras e 9
soldos. Quem tiver ajudado o marido a perpetrar o crime será absolvido
mediante o pagamento de 2 libras por cabeça.
12. O que afogar a um seu filho pagará 17 libras e 15 xelins (ou seja, duas libras a mais do que por matar a um desconhecido) e se o matarem o pai e a mãe com consentimento mútuo pagarão 27 libras e um xelim, pela absolvição.
13. A mulher que destruir seu próprio filho levando-o em suas entranhas e o pai que tiver colaborado na perpetração do crime, pagarão 17 libras e 15 xelins cada um. O que facilitar o aborto de uma criatura que não for seu filho pagará uma libra a menos.
14. O assassinato de um irmão, uma irmã, uma mãe ou um pai, serão pagos por 17 libras e 15 xelins.
15. Quem matar um bispo ou prelado de hierarquia superior, pagará 131 libras, 14 xelins e seis centavos.
16. Se o matador tiver dado morte a muitos sacerdotes em várias ocasiões, pagará 137 libras e seis xelins, pelo primeiro assassinato, e a metade pelos seguintes".
17. O bispo ou abade que cometesse homicídio por emboscada, por acidente ou por estado de necessidade, pagará, para conseguir a absolvição, 179 libras, 14 soldos.
18. Aquele que quiser comprar antecipadamente a absolvição por qualquer homicídio acidental que vier a cometer no futuro, pagará 168 libras, 15 soldos.
19. O herege que se converter, pagará por sua absolvição 269 libras. O filho de herege que tiver sido queimado, enforcado ou executado de outra forma qualquer, poderá ser readmitido apenas mediante pagamento 218 libras, 16 soldos, 9 denários.
20. O eclesiástico que, não podendo pagar seus próprios débitos, quiser se livrar de ser processado por seus credores, entregará ao Pontífice 17 libras, 8 soldos, 6 denários, e sua dívida será perdoada.
21. Será concedida a licença instalação de posto de venda de vários gêneros sob os pórticos das igrejas mediante o pagamento de 45 libras, 19 soldos, 3 denários.
22. O delito de contrabando e fraude dos direitos do príncipe custará 87 libras, 3 denários.
23. A cidade que quiser que seus habitantes ou sacerdotes, freis ou monjas, obtenham licença para comer carne e lacticínios nas épocas em que está proibido, pagará 781 libras, 10 soldos.
24. O mosteiro que quiser variar a regra e viver com menor abstinência do que a prescrita, pagará 146 libras, 5 soldos.
25. O frade que por conveniência ou gosto quiser passar a vida em um eremitério com uma mulher, entregará ao tesouro pontifício 45 libras, 19 soldos.
26. O apóstata vagabundo que quiser viver sem obstáculo, pagará igual quantia pela absolvição.
27. Igual montante pagarão os religiosos, sejam eles seculares ou regulares, que queiram viajar em trajes de leigo.
28. O filho bastardo de um sacerdote que queira preferência para preceder o pai na cúria pagará 27 libras, 1 soldo.
29. O bastardo que queira receber ordens sagradas e gozar de seus benefícios, pagará 15 libras, 18 soldos, 6 denários.
30. O filho de pais desconhecidos que queira entrar nas ordens, pagará ao tesouro pontifício 27 libras, 1 soldo.
31. Os leigos feios ou deformados que queiram receber ordenamentos sagrados e ter benefícios, pagarão à chancelaria apostólica 58 libras, 2 soldos.
32. Igual quantia pagará o vesgo de olho direito; enquanto o vesgo de olho esquerdo pagará ao Papa 10 libras, 7 soldos. Os estrábicos bilaterais pagarão 45 libras, 3 soldos.
33. Os eunucos que queiram entrar para as ordens, pagarão a quantia de 310 libras, 15 soldos.
34. Aquele que, por simonia, queira comprar um ou muitos benefícios, se dirigirá aos tesoureiros do Papa, que lhe venderão os direitos a preços módicos.
35.Aquele que,tendo descumprido um juramento, queira evitar qualquer persegui
ção e se livrar de qualquer tipo de infâmia pagará ao papa 131 libras e
15 soldos. Além disso, dará 3 libras para cada um que ouviu o juramento.

V- Sardes ( 3ª Parte )

Capítulo V.
SARDES
(3a. parte)

Os grandes movimentos e denominações

As origens dos diferentes movimentos e organizações eclesiásticas do protestantismo não foram puramente religiosas. Entraram no jogo outros fatores como os políticos, nacionais, sociais e pessoais. As igrejas nacionais se interessaram mais por perpetuar sua instituição que em serem fiéis ao Senhor e servirem-lhe conforme os ensinamentos de Cristo, e por isso é que no século XVIII surge uma nova reação ainda dentro de Sardes. Trata-se dos que se negaram a seguir participando das igrejas nacionais, hora porque tiveram novas luzes sobre certas verdades bíblicas, hora porque se negavam a seguir participando do pecado alheio e outras razões, mas optaram por abrirem passo com outro avivamento, pois do primeiro somente havia ficado o recipiente de onde havia bebido a primeira geração; só ficava a conformação externa, e se abriram abaixo a bandeira e pretexto de doutrinas ressaltadas, abrindo primeiro igrejas dissidentes, as que mais tarde deram lugar à formação das grandes denominações históricas, mas estas grandes organizações denominacionais correram a mesma sorte, de tal maneira que se seguem disputando a possessão da melhor organização, do vaso mais reluzente, de onde a duras penas ficará alguma gotinha da primeira benção de Deus. Para que o vaso seja perfeitamente cheio da graça e benção genuína de Deus, é necessário ir ao principio bíblico, à norma de Deus. Por isso é que as obras de Sardes resultam ser boas, mas não perfeitas. É necessário saber como se receberam as coisas de Deus no principio. Aí estão na Bíblia. Aí está o depósito completo. Claro que os reformadores restauraram a leitura da Bíblia aos idiomas vernáculos, mas com o agravante de que não foi entendida e obedecida em sua justa medida. Os homens preferiram abrir os estatutos, as normas feitas pelos outros homens, seguir as heranças e tradições religiosas, os compromissos políticos, que abrir o livro dos Atos, as epístolas apostólicas, o Apocalipse e seguir o caminho fixado pelo Senhor.Dentro do panorama reformista inglês houve uma época em que se vislumbravam três diferentes tendências: o elemento romanista, que propugnava por uma nova união com Roma; o anglicano, que estava de acordo com a moderada reforma de Henrique VIII e Isabel I, e um terceiro grupo de protestantes radicais, de donde surgiram os puritanos, congregacionais, batistas, Quaquers, metodistas, e outros. No começo as pessoas que organizaram as igrejas independentes foram submetidas à severa perseguição e oposição por parte dos dirigentes das igrejas nacionais européias, os acusando de causar divisões e apelidando-os de sectários. Mas tenha-se em conta que as igrejas nacionais, havendo acabado mortas, além dos verdadeiros filhos de Deus, os que o pertenciam pela fé, incluíram pelo batismo aos não crentes; então aqueles que se apartaram foram dos que em verdade haviam crido, e havendo sido tocados pelo Espírito Santo, saiam do meio das filhas da grande prostituta. Mas as novas congregações também acabaram mortas. Está o protestantismo morto de todo? Não, porque há em seu seio umas poucas pessoas sem si contaminar, as quais são usadas por Deus poderosamente.Queremos deixar por certo que círculos religiosos romanistas, para defender sua postura e outros obscuros motivos, têm insistido na desinformação de que os movimentos protestantes que têm penetrado nos países do terceiro mundo e em especial aos da América Latina, se apegam à Bíblia como critério único e inefável de fé e moral e a seguem literalmente porque se baseiam em um fundamentalismo norte americano. Não é raro que se trate de uma seqüela de algum suspiro do fantasma da famosa teologia da liberação, e sorrateiramente se identifique com suspicácia ao protestantismo com o capitalismo associado ao imperialismo norte americano. No presente estudo não fazemos uma analise exaustiva do assunto, mas tratamos de apresentar a verdade de tal maneira que se esclarece que a maioria dos grandes movimentos protestantes se originaram na Europa, inclusive antes do desenvolvimento dos países no território norte americano, e que os movimentos protestantes norte americanos, por princípios constitucionais, não foram oficializados nem relacionados com o Estado. Sabe-se que os colonizadores pioneiros da América do Norte foram muitos dos irmãos protestantes que fugiam das perseguições de que eram objeto por parte dos intolerantes magnatas religioso políticos europeus.

Anabatistas. Já temos comentado que por razões de herança profeticamente analisadas, o luteranismo e a Reforma em geral em muitos aspectos constituíram uma continuação do sistema católico romano, pois em princípio o luteranismo recusou só aquelas características do catolicismo que ao parecer dos reformadores iam a sentido contrário das Escrituras. Em muitos territórios europeus as igrejas reformadas pretenderam ser "a igreja" em seu respectivo país, tratando de fazer entrar na igreja visível a todos os que nascessem na comunidade, não obstante que um dos princípios fundamentais da Reforma era a salvação pela fé. Inclusive na Dieta de Augsburgo, houve alguma disparidade entre as confissões de fé apresentadas em separado por Lutero e por Zwinglio. Em meio a toda essa confusão, se levantaram grupos de reformadores radicais (uns mais radicais que outros), que tinham às Escrituras como sua autoridade e desejavam voltar ao cristianismo primitivo, recusando tudo o que havia vindo por meio do catolicismo romano, trabalhando na formação de igrejas não identificadas com o mundo, compostas por pessoas que houvessem experimentado o novo nascimento.Nos começos da Reforma, entre os que lideravam aos mais radicais, estavam André Carlstadt e Tomás Müntzer, colaboradores próximos de Lutero no começo, quem estava ansiosos por acabar com todos os remanescentes da "igreja papista" e dos opressores de toda índole; lhe deram aos laicos tanto o pão como o vinho, recusaram as imagens, alguns sacerdotes e monges se casaram (isto o deixaram à consciência individual), caíram em desuso a confissão e os alunos, se permitiu o idioma germânico no sermão e a eliminação gradual dos altares, se aboliram as associações religiosas, suprimiram o batismo de crianças por ser contrário às Escrituras, e voltando a batizar os adultos, razão pela qual foram chamados anabatistas (rebatizadores). Recorde-se que o batismo de crianças é baseado nas doutrinas de Agostinho de Hipona. Não se pode determinar com precisão quando se originaram os anabatistas; mas se tem conhecimento de que o centro dos primeiros anabatistas foi Zürich, pois se associaram com Conrado Grebel (1498-1526), Félix Manz e Jorge Blaurock, integrantes de proeminentes famílias e antigos colaboradores de Zwinglio em Sürich, Suíça, mas que iniciaram um movimento ainda mais radical que o de Zwinglio, movimento que se conhece como os Irmãos Suíços, que estabeleceram contato com Carlstadt. Grebel foi executado, afogado, por ordem do conselho municipal.Os anabatistas foram perseguidos tanto pelo papado como por protestantes, porque viam neles uns revolucionários perigosos, que transtornavam a ordem estabelecida; além disso, devido a que batizar-se de novo era um delito que se pagava com a morte, de acordo com o código de Justiniano, incorporado em o Corpus Iuris Civilis (Código Civil vigente na Europa nessa época). Os anabatistas também recusaram o modelo da simbiose igreja-sociedade estatal, identificando o batismo com a profissão de fé de um crente em Jesus Cristo. Reuniam aos crentes em congregações separadas do mundo, desejando voltar ao cristianismo do primeiro século e libertá-lo das corruptas inovações de Roma. Lutero os chamou fanáticos, em parte porque alguns, os mais radicais, quiseram chegar a extremos perigosos como o de incitar a matar a certos ímpios. Os anabatistas constituem a si mesmos as raízes do posterior surgimento de importantes movimentos como os batistas e os Quaquers.

Menonitas. Este movimento teve suas raízes no anabatismo. Toma seu nome de Menno Simonis (1496-1561), nascido na Frisa Ocidental, quem originalmente foi ordenado ministro anabatista depois de haver sido consagrado sacerdote ao serviço do catolicismo romano, mas um ano depois de haver sido ordenado sacerdote teve dúvidas quanto à eficácia da missa. Todavia ao serviço do romanismo, e estudando a Bíblia, foi comovido profundamente pela execução de anabatistas em sua região. Por outro lado, por seu estudo escriturário, teve o convencimento que tanto o catolicismo romano como as correntes protestantes estavam no erro enquanto à prática do batismo infantil. O 30 de janeiro de 1536, Menno Simonis renunciou publicamente a seus vínculos com o catolicismo romano. Refugiou-se muitos anos nos países baixos, vítima de perseguições, mas apesar disso, estendeu seus trabalhos missionários até a Alemanha, Dinamarca, Holanda, escrevendo, organizando congregações, e foram escrito várias confissões de fé. Os menonitas chegaram a ser numerosos na Holanda e em várias regiões da Alemanha. Obrigados pela perseguição, e negando-se à resistência armada, os menonitas se dispersaram extensamente, chegando inclusive a estabelecerem-se no território do continente americano.

Os puritanos e o Novo Mundo. Na Inglaterra grande parte dos protestantes se identificaram com o calvinismo, dando origem aos chamados puritanos, que mais tarde colonizaram muitas das terras da América do Norte. Recorde-se que o barco Maryflower zarpou da Inglaterra em 1620 com um grupo de Separatistas que fundaram a Plymouth; eram os chamados pais peregrinos. Suas raízes se remontam desde o reinado de Henrique VIII. Muitos deles se refugiaram durante o reinado de Maria Tudor, filha de Catarina de Aragom, e reinando Isabel I tiveram contatos com os irmãos de Basiléia, Estrasburgo e outras cidades de onde se havia desenvolvido a Reforma. Ensinavam os puritanos a teologia dos convênios ou pactos, na qual as promessas que Deus lhes havia feito aos homens, estavam condicionadas à obediência do homem. Compreendia o pacto de graça entre Deus e Seus eleitos, e o pacto de obras entre Deus e Adão como representante de toda a humanidade. Reprovavam o episcopalismo em favor do presbiterianismo e não desejavam deixar de pertencer à Igreja Anglicana, ainda que um grupo importante deles anelava uma igreja mais autônoma, igual àquelas estabelecidas em Genebra e Escócia. Durante o reinado de Isabel, Tomás Cartwright, nomeado professor em divindade em Cambridge em 1569, foi um dos grandes exponentes do puritanismo presbiteriano.Durante o reinado de James I (reinou entre 1603 a 1625), sucessor de Isabel, influíram para que se realizasse a mais famosa das traduções bíblicas ao idioma inglês, a versão do Rei James, feita por cinqüenta e quatro eruditos da época, por encargo deste monarca e publicada em 1611. Destaca-se a figura do puritano João Milton, intimamente relacionado com o governo de Cromwell (1653-1658), quem se escapou da forca, e é muito conhecido por sua obra O Paraíso Perdido, na que descreve o drama humano abaixo a perspectiva cristã. Nessa época se impôs o elemento independente ou congregacional nos toldos puritanos. Depois da guerra de 1688, protocolizou sua independência da Igreja de Inglaterra, obtendo direitos como organizações separadas. Dos puritanos surgiram três grandes denominações, a Presbiteriana, a Congregacional e a Batista, as quais, como todas as demais agremiações protestantes inglesas, já para a primeira metade do século XVIII em um frio formalismo, levados mais por una crença intelectual que por uma vida de fé subjetiva. O racionalismo e o materialismo iam invadindo tudo, e as organizações protestantes oficialmente estabelecidas em muitos países europeus entram em uma espécie de letargia e aburguesamento.

Batistas. Os batistas tiveram sua origem na Inglaterra nos tempos de James I, e seu nome lhes veio porque recusavam o batismo infantil, e faziam ênfase em que fosse administrado somente aos crentes cristãos, daí seu apelido. Esse foi o principal aporte batista no trabalho da restauração da Igreja, e sua teologia foi originalmente de caráter calvinista. Os primeiros batistas se contavam dentro dos separatistas (congregacionais) anglicanos, os quais advogar pela formação de igrejas "reunidas", não compostas pelos habitantes de uma área dada, senão só pelos que conscientemente eram cristãos. A primeira igreja batista inglesa começou em Amsterdam sob a liderança de John Smith (morreu em 1612), um graduado de Cambridge, de corrente teológica arminiana. Foram os ascendentes espirituais dos Batistas Gerais da Bretanha. Tomás Helwys, antigo discípulo de Smith, depois de haver-se desassociado dos menonitas, fundou em 1612 fora dos muros de Londres a que parece haver sido a primeira igreja batista em solo inglês.Depois da morte de James I, como uma secessão dos separatistas, surgem os chamados Batistas Particulares, pois criam em uma expiação restringida, particular, limitada só para os eleitos, de teologia da linha calvinista. Estas duas correntes batistas, a de caráter geral da expiação de Cristo (arminiana) e a particular (calvinista), continuaram separadas até fins do século dezenove. A característica atual do movimento batista é bem mais simples. Cada congregação é autônoma de tipo democrático, regidas por um pastor e um conselho de diáconos, encarregados do cuidado espiritual e material da comunidade, e em geral são inimigos da centralização. Existe uma Aliança Batista Mundial que se reúne periodicamente com delegados de todo o mundo. Foi famoso o pregador batista de Bedford, John Bunyan (1628-1688), autor de sua autobiografia A Abundante Graça para o Primeiro dos Pecadores, onde narra a ardente fé que experimentou depois de uma prolongada luta ante uma onda de depressão; mas é mais conhecido por sua difundida obra escrita no cárcere, O Progresso do Peregrino, uma formosa alegoria da conversão e a vida cristã, hoje conhecida até por versões cinematográficas.Os batistas se têm caracterizado por serem grandes missionários, e em 1638, Roger William e John Clarke, foram os primeiros batistas de relevância chegados ao território americano. Atualmente nos Estados Unidos estão divididos na Convenção do Norte e a Convenção do Sul, a raiz do conflito racial chamado a Guerra de Secessão.Em 1792 foi organizada a Sociedade Missionária Batista, impulsionada principalmente pelo britânico Guilherme Carey (1761-1834), de uma humilde família, mestre autodidata, sapateiro, missionário na Índia e pastor espiritual. Começou seu trabalho com a ajuda somente de uns poucos amigos, partindo para a Índia em 1793. Em 1801 traduziu o Novo Testamento ao bengali, chegando a fundar mais de 150 escolas, duas sociedades agrícolas e uma caderneta de poupança.No século XIX correm na Europa fortes ventos de liberalismo teológico, concebidos como seqüela de pensadores da linha do Francês John James Rousseau (1712-1778), dos alemães Emmanuel Kant (1724-1804) e Jorge Guilherme Frederico Hegel (1770-1831), do escocês David Hume (1711-1776), entre outros, como um reverdecimento do racionalismo da centúria precedente; e essa teologia liberal relacionada com a alta crítica, provocou uma profunda crise espiritual inclusive nos círculos batistas ingleses, com suas repercussões por muitos países do mundo. Para fazer frente a essa situação, o Senhor levanta um grande pregador batista da linha teológica calvinista, o pastor Carlos H. Spurgeon (1834-1892), apelidado o "príncipe dos pregadores". Inusitadamente na época, logrou atrair ao evangelho ortodoxo as massas obreiras, endurecidas e decepcionadas do elitista anglicanismo.

Quaquers. Nos tempos do governo de Olivério Cromwell na Inglaterra (1649-1660), surgem os Quaquers, como um dos grupos radicais associados com o puritanismo inglês. O nome oficial do movimento era a Sociedade dos Amigos, fundado por Jorge Fox (1624-1691), homem de origem humilde, com a muita cultura e um amplo conhecimento das Escrituras. De formação puritana, Fox, a idade precoce horrorizava-se do contraste entre a profissão de cristão nominal e sua vida prática, sofrendo durante quatro anos uma severa depressão espiritual, anelando ter um acesso livre e direto a Deus. Não encontrando ajuda eficaz entre os sacerdotes e pregadores, chegou a ter um desdém por eles, chegando ao convencimento de que a verdade salvífica não se encontrava necessariamente nas elaboradas confissões de fé. No ano 1647 sua vida deu um virada quando pode sentir a realidade de Cristo em sua vida, e essa Luz Interior lhe impulsionou a ser um homem novo, renunciando à prática da hipocrisia e o formalismo religioso; insistindo na simplicidade no se vestir, no comer, no falar; demandou um trato justo para os desprotegidos, como os índios americanos, os presos nos cárceres; pronunciou-se em favor da tolerância religiosa universal; na sociedade Quaquer ensinavam que o corpo de crentes não devia ter sacerdote nem ministro com salário, e outras muitas facetas que lhe valeram ao cárcere muitas vezes. Viajou pregando pela Inglaterra, Gales, outros países europeus e América, onde se multiplicaram seus seguidores. O nome do movimento, Quaquer (quaker), se deriva do fato de que Fox cominava a seus juízes a tremerem (quake) ante Deus. Muitos deles foram perseguidos e até executados ainda em terras americanas.Um famoso dirigente e distinguido teorizante do movimento Quaquer na segunda metade do século XVII foi Guilherme Penn, filho de um almirante inglês nos tempos de Carlos II, quem definitivamente se estabeleceu nas colônias inglesas da América do Norte, onde fundou uma proeminente comunidade Quaquer.

Presbiterianos. A origem do movimento presbiteriano se relaciona com John Knox na Escócia e Irlanda. Nos Estados Unidos está relacionado com a pregação de Jonatan Edwards (1703-1748) e o grande despertar. Jonatan graduou-se na universidade de Yale e sucedeu a seu avô materno Salomão Stoddard como ministro na igreja congregacional de Northampton; costumava combinar o calvinismo com o neoplatonismo. O presbiterianismo tem também raízes puritanas inglesas, mas lhe introduziram ares de teologia liberal no século XIX. Seu nome deriva-se devido a que suas congregações se governam pelo sistema de um conselho de anciãos (presbíteros), com um pastor com determinadas funções, mas de igual autoridade. Suas características são muito parecidas aos Congregacionalistas, também de convicções calvinistas ao menos em suas origens, mas o Conselho Nacional de Igrejas Congregacionalistas não podiam evitar a introdução em suas filas da teologia liberal, a alta crítica alemã e o pragmatismo.Nos Estados Unidos em 1789, depois da guerra de independência, os presbiterianos, como outras confissões protestantes, formaram uma Assembléia Geral autônoma de tipo nacional e independente da matriz européia, ainda que não de caráter "oficial", pois desde seus começos nos Estados Unidos têm havido total liberdade religiosa. Os presbiterianos tem se dividido em vários ramos denominacionais, das quais só nos Estados Unidos há mais de dez.

Metodistas. Na primeira metade do século XVIII, devido sobre tudo à tolerância e liberdade religiosa, os círculos eclesiásticos ingleses sofreram um declínio espiritual, por meio daquele aburguesado clero anglicano surge um grande despertamento, preferencialmente porque o Senhor levantou homens de fé do tipo de João e Carlos Wesley e Jorge Whitefield, ardentes propagadores da fé, dos quais Whitefield era o mais destacado e eloqüente pregador. Carlos compôs centenas de hinos. Jorge Whitefield (1714-1770) nasceu em Gloucester (Inglaterra) em uma família pobre. Estudando na universidade de Oxford em 1733, sua vida se associou estreitamente com os irmãos Wesley, com quem o Senhor restaurou outros aspectos na Sua Igreja, como aquele de tirar o templo. Whitefield, anglicano como os irmãos Wesley, viajou pregando pelo território das Treze Colônias americanas, chegando inclusive a comover ao ultra prático e tão pouco ortodoxo em matéria religiosa, Benjamín Franklin; teve muitos seguidores principalmente entre os presbiterianos e congregacionales. Quando Whitefield se separou dos Wesley, levantou uma agrupação chamada os Metodistas Calvinistas Galeses. Note-se que cada avivamento surgido provocada novas divisões nos diferentes movimentos protestantes. É uma constante; os que se apóiam no statu quo de atitude fria e racional terminam por não se entendereme com os verdadeiramente envolvido em um avivamento espiritual, ou simplesmente porque não estavam de acordo com certas manifestações e excessos emocionais.O dos Metodistas na Inglaterra e América do Norte foi dos grandes movimentos surgidos da Reforma, no qual representaram um papel muito importante Jorge Whitefield e John Wesley (1703-1791), nascido em Epwort em uma família ancestralmente pastoral. John e Carlos eram filhos do clérigo anglicano Samuel Wesley (1662-1735), filho, à sua vez, de um clérigo dissidente. John estudou teologia e literatura em Oxford, e se destacou por ser o dirigente e estadista do movimento metodista. Seu talento peculiar era a organização e a administração. Foi ordenado sacerdote da igreja anglicana em 1728, e como clérigo anglicano vinha sentindo um grande vazio espiritual, não obstante que em Oxford havia fundado com seu irmão Carlos w Jorge Whitefield, um Clube Santo, ou reuniões para fomentar a santidade, sem que faltassem as intenções de dar um bom testemunho ao resto dos estudantes; o vazio seguia manifestando-se. Em 1735 foi decisivo para ele ter seu primeiro contato com os irmãos morávios relacionados com o conde Zinzendorf; e de quem obteve o conhecimento experimental da vida no Espírito, tal sucesso ocorrido no navio durante a viagem missionária que fez com seu irmão Carlos a Georgia, chegando a conhecer e relacionar-se com Spangenberg, um de seus dirigentes. Uma vez de regresso em Londres, experimentou sua repentina conversão, graças à intervenção do pastor morávio Böhler, iniciando um período de avivamento espiritual e se interessaram por evangelizar aos pobres, analfabetos e marginalizados.John e muitos membros do movimento receberam também impressão profunda de William Law (1686-1761), místico notoriamente influenciado por Jacob Boheme, e autor de Um Tratado Sobre a Perfeição Cristã e Um chamado Sério a uma Vida Santa e Consagrada. O movimento não deixou de ter seus inconvenientes para manter a unidade. Surgiram discrepâncias com os morávios, e entre Whitefield e Wesley. Deve-se ter em conta que Whitefield era calvinista convencido, com a doutrina da predestinação a bordo, enquanto que John Wesley havia sido cultivado na teologia da linha arminiana. Não obstante, que Wesley quis sempre manter aos metodistas dentro do sistema anglicano, não a considerando como uma denominaçao separada, o rompimento se deu, pois as autoridades anglicanas olhavam com receio esse mover pietista dentro de seus próprios toldos. Por seus costumes disciplinares, a seu movimento foi dado o apelido de Metodista, mais tarde título oficial de um movimento mundial. De acordo com o costume morávio, Wesley introduziu em seu movimento os ágapes (festas de amor). Ele organizou e multiplicou as sociedades dentro do movimento, mas as entreteceu em uma organização inclusiva. Percorria as sociedades a lombo de cavalo, pregando até quinze sermões por semana, sem que necessariamente o fizesse dentro dos recintos dos templos, e isso escandalizou os círculos clericais de seu tempo. Pelo estudo da Palavra, Wesley se convenceu que no Novo Testamento os presbíteros e os bispos eram da mesma ordem. Ao morrer, Wesley havia convocado um corpo de uns 540 pregadores para uma povoação de mais de 120.000 adeptos metodistas. Nos Estados Unidos foram organizados os metodistas por Wesley depois da guerra da independência em 1784. À morte de Wesley em 1791, foi formalmente constituída a Igreja Metodista Wesleyana, totalmente desvinculada da anglicana, que se estendeu por muitos países de todos os continentes, e de onde posteriormente, como de todas as grandes denominações, se desprenderam ramos dissidentes que adotaram novos nomes. O governo eclesiástico do movimento metodista em alguns casos é episcopal e em outros presbiteriano, mas em todos os casos de autoridade hierarquizada.

David Livingstone (1813-1873). Este pioneiro das missões protestantes na África, nasceu em Blantyre, Escócia, procedente de uma família humilde e muito religiosa. No começo se preparou suficientemente em teologia e medicina para embarcar como médico missionário na China, o qual não foi possível devido a uma guerra entre Grã Bretanha e China, indo, por isso, à África do Sul. Por seu caráter não denominacional solicitou integrar à Sociedade Missionária de Londres. Viajante incansável, na África negra se interessou pelo gravíssimo problema da caça e venda de negros como escravos, denunciando estes atos ante as autoridades britânicas. São dignos de mencionar a si mesmo os irmãos Carlos Grandinson Finney (1792-1875), evangelista e pregador americano nas Ilhas Britânicas; escritor. É famosa sua obra Conferências sobre Avivamentos de Religião. Dwight Lyman Moody (1837-1899), famoso pregador e compositor de hinos.

Ecumenismo

Por ecumenismo se entende a união das diferentes correntes, organizações, denominações, movimentos, missões do cristianismo nominal, mais a nível institucional que no marco da comunhão espiritual corporativa. No século XIX, surge dentro do protestantismo o Movimento Ecumênico, que se estendeu a alguns dos corpos eclesiásticos orientais e a certos indivíduos que ainda militavam dentro do catolicismo romano. Este surgimento se associa mais tarde com destacados líderes protestantes, como o norte americano Juan R. Mott (1865-1955), do movimento de Estudantes Voluntários para as Missões Estrangeiras. Iniciou-se este movimento por uma relativa unidade dos diferentes ramos do cristianismo protestante, sobre tudo em torno à cooperação em fazer os planos e ações através das linhas denominacionais, mas sem a participação dos corpos eclesiásticos. Os trabalhos se iniciam mais a nível individual ou grupal. No começo foram organizadas muitas associações parciais como as Associações Cristãs de Jovens, em 1844; a Aliança Mundial de Associações Cristãs de Jovens, em 1855; a Associação Cristã Mundial de Senhoritas, em 1894; a União Mundial de Esforço Cristão e a Federação Mundial de Estudantes Cristãos, em 1895; a Associação Mundial de Escolas Dominicais, em 1907. Os movimentos, grupos e pessoas comprometidas nestas diferentes associações, nunca deixavam de serem leais as suas respectivas congregações e denominações.Através dos anos houveram muitos intentos de unidade e cooperação entre as distintas correntes, movimentos, missões e denominações cristãs, e uma das mais importantes foi a Aliança Evangélica, iniciada em Londres em 1846, com mais de oitocentas delegações de muitos países. Mas por muitos esforços encaminhados pela unidade, as divisões crônicas a impediam de tal maneira que surgiam novas divisões. Das tantas conferências interdenominacionais mundiais ou regionais que se seguiram, é importante mencionar a Conferência Missionária Mundial, celebrada em Edimburgo em 1910, que veio a ser um marco na história do Movimento Ecumênico, e onde teve parte ativa Juan R. Mott, que a presidiu. Esta assembléia foi a autora de duas organizações, a Conferencia Mundial sobre Fé e Ordem e o Conselho Cristão Universal pela Vida e Obra. Estes dois corpos eclesiásticos, depois de 1914, se uniram para formar o Concílio Mundial de Igrejas, conhecido como CMI, constituído oficialmente em Amsterdam em 1948, ano em que foi constituído o moderno estado de Israel, dando início às profecias dos últimos tempos. Iniciou-se com um agrupamento de mais de cem diferentes denominações, incluindo várias das igrejas católicas ortodoxas, associações de jovens cristãos católicos da Polônia e a Igreja Ortodoxa Grega. As denominações batistas e metodistas são talvez os mais avançados em matéria de ecumenismo. O CMI adotou o Credo de Nicéia a fim de deixar aberta a porta a todas as confissões religiosas que estejam de acordo com seus postulados. Ainda dentro do protestantismo, o CMI tem sido criticado por suas implicações políticas, por seu intenso contato com o Vaticano, e pelos que proclamam um cristianismo baseado na conversão a Cristo mediante um novo nascimento e não através da educação e tradição.A respeito do ecumenismo diz Olabarreita: "Os protestantes aspiram a formar uma grande instituição universal centralizada parecida à católica, o que lhes desqualifica automaticamente para poder ser o pequeno rebanho do Senhor. E além disso, salta à vista sem dúvida alguma que o protestantismo futuro, potenciado pelos símbolos e sacramentos aos que aponta Tillich tão claramente, se acerca sobremaneira ao tronco católico do qual saiu. Movidos por estas aspirações e ambições de super-igreja, têm conseguido fundar o Conselho Ecumênico de Genebra, que hospeda a quase todos os protestantes do mundo, desde os presbiterianos dos Estados Unidos até os batistas de Birmania. Também têm logrado formar a ‘Federação Luterana Mundial’, a ‘Aliança Reformada Mundial’ e o ‘Conselho Metodista Mundial’, cujas diretivas se tem localizado no mesmo edifício que o Conselho Ecumênico de Genebra". (Santos Olabarrieta. "Cristo e Sua Igreja". Fort Lauderdale, Fl. USA. Pág. 28-29)O ecumenismo esta intimamente relacionado com a apostasia, relacionada a sua vez em primeira instância com a dissolução da legítima expressão da união do Corpo de Cristo e a dogmatização de erros que se contrapõe a verdades fundamentais das Escrituras que têm que ver com a vida da Igreja do Senhor. A união do Corpo de Cristo não se consegue com o fato de que as diferentes vertentes do cristianismo nominal se reúnam e se ponham de acordo em muitos aspectos. Como disse o teólogo K. Barth: "Toda divisão, como tal, é um profundo enigma, um escândalo". Na localidade de Corinto, por suas contendas carnais, já em seus corações egoístas os irmãos começaram a dizer: Eu sou de Paulo; e eu de Apolo; e eu de Cefas; e eu de Cristo. Quando Paulo lhes escreve pelo Espírito Santo condenando essa atitude, já estavam às portas de protocolizar a divisão. Se isso houvesse acontecido, as rivalidades de caráter pessoal e confessional houvessem seguido; então haveriam se levantado algumas vozes sensatas e lhes proporiam organizar um conselho que se reunisse anualmente com delegados das quatro facções, para ter certa classe de aproximação ecumênica. Isto haveria resolvido o problema? O haveria aprovado o Senhor por meio de Paulo? A Bíblia diz que não.

Vestiduras sem manchas

" 4 Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco junto comigo, pois são dignas. ".Não obstante ser considerado Sardes em sua condição global como morta, há pessoas fiéis ao Senhor, líderes que não têm manchado suas vestiduras com a morte, espiritualmente vivos e usados por Deus. As vestiduras refletem as obras na fé dos santos, e mais que isso, a vida e a ação do Espírito Santo no espírito e no coração da pessoa, é o andar do crente e o que realmente é em seu viver. Esse revestimento é Cristo mesmo refletido em cada pessoa. Se a pessoa têm manchado seu vestido é porque há contaminação de morte; não necessariamente pelo pecado, porque a natureza da morte é mais contaminante que o pecado.2 Por outro lado as vestiduras brancas refletem a pureza, a vida de Deus, a aptidão para andar com o Senhor. O Senhor tem muito em conta também nestes nomes como pessoas individuais, não necessariamente no sentido corporativo, e no curso da história têm levantado servos a quem têm santificado e lhes tem revelado sua vontade para essa conjuntura histórica na vida da Igreja. Estes gigantes, pode ser que hajam recebido certa orientação profética ou hajam feito ênfase em alguma verdade ou doutrina em particular, e são os instrumentos para eventuais e grandes avivamentos, que as seguintes gerações não sabem conservar, e o Senhor se vê precisando buscar outra pessoa para dar-lhe uma nova graça, revelação e benção, com o resultado de um novo avivamento e de uma nova separação, porque os guiados pelo Senhor são objeto da oposição dos que não vêem o propósito de Deus nas coisas. Na prática, em todo avivamento há separações, não causadas necessariamente pela pessoa escolhida por Deus. Lutero não queria separar, mas o sistema religioso imperante o separou.

Os vencedores de Sardes

" 5 O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.6 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. " (Ap 3:5, 6).De que têm de sair vitoriosos os vencedores em Sardes? Da morte que prevalece dentro do sistema do protestantismo. Em outras partes da presente obra temos explicado que as promessas que aparecem nas sete cartas para os vencedores, são prêmios que têm de ter cumprimento no reino milenar do Senhor Jesus Cristo. De acordo com o andar nesta era da graça, assim será a retribuição na era do reino, sem que isto tenha que ver com a salvação, que é um presente de Deus. Aqui aparecem três recompensas para os vencedores de Sardes: Vestiduras brancas, não serão apagados seus nomes do livro da vida e serão confessados seus nomes diante do Pai celestial e Seus anjos.De acordo com os versos 4 e 5, vemos que o crente cristão necessita das vestiduras. A vestidura do verso 4 representa a Cristo que recebemos e que vem a nós dando-nos a vida de Deus, sendo fato para nós a justificação, redenção e salvação em forma objetiva. " O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; " (Lc. 15:22). " Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, " (1 Co. 1:30). A do versículo 5 representa a Cristo que mora em nós, que vivemos em nosso andar, nossa justiça subjetiva, pela qual possamos dizer como Paulo: " Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; " (Fp. 1:21; 3:9).O nome do vencedor não será apagado do livro da vida. Para entender isto é necessário saber que existe um livro nos céus onde têm sido escritos os nomes de todos os santos escolhidos por Deus e predestinados para participar das bênçãos que Deus tem preparado para eles, as quais são dadas na era da Igreja, durante o milênio depois que o Senhor regresse e por último na eternidade. " alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus. " (Lc. 10:20b). Estás tu seguro de tua salvação? " 27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.28 Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. " (João 10:27,28). Se teu nome está escrito no livro da vida agora mesmo estás recebendo algumas bençãos tais como a redenção, o perdão dos pecados, a vida eterna, a regeneração, a natureza de Deus, a santificação, a renovação, a justificação e outras. Se durante este tempo tu amadurecer em tua vida espiritual e chegas a ser um vencedor, o Senhor não apagará teu nome durante o milênio, senão que como prêmio o Senhor te permitirá participar com Ele no reino milenar, incluindo as bençãos de Seu gozo e repouso. " Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. " (Mt. 25:21).Nesta era da Igreja, um como humano necessita de certos incentivos para poder cooperar com a graça de Deus e fazer a correta e verdadeira obra do Senhor na construção da Igreja, mas se tu não avanças com Ele, se te contentas de pronto com ser um crente mais do montão, um menino espiritualmente, não te interessa vencer sobre o statu quo reinante, então teu nome é apagado do livro da vida durante a dispensação do reino e não terás participação com o Senhor nele, nem receberás as bençãos para esse tempo. Significa isso que perdem a salvação? De nenhuma maneira; senão que durante esse tempo os não vencedores são disciplinados como o servo mal que foi lançado às trevas exteriores até alcançar o amadurecimento necessário para participar das bençãos que Deus têm prometido para a eternidade na Nova Jerusalém quando seus nomes serão escritos novamente no livro da vida. Quais são essas bençãos eternas? O reinado eterno com Deus na Nova Jerusalém, o sacerdócio eterno, a árvore da vida, a água da vida. " 3 Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão,4 contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele.5 Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos. 14 Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas.17 O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida. " (Ap. 22:3-5,14,17).Os nomes dos vencedores também serão confessados pelo Senhor diante do Pai e de Seus anjos na era do reino milenar na terra. Inclusive aqui neste tempo de vida humana, às pessoas lhes agrada que seus nomes sejam confessados diante de altas personalidades e figuras de certo prestígio. Isso tem algo que ver com o período de Sardes? Desde suas raízes a história do protestantismo se tem visto relacionada com a vinculação de altos perssonagens, imperadores, reis, príncipes, eleitores, dignatários políticos e religiosos, abrindo-se passo por meio da política e a espada. Mas a casa construída pelos homens será deixada deserta (cfr. Marco 23:38).

Pietismo Ao largo do comentário de Sardes se têm destacado alguns irmãos dignos de terem-se por vencedores, e que junto com milhões de irmãos a maioria desconhecidos tem derramado seu sangue em seu afã de ser fiel ao Senhor, buscando acercar-se ao ideal bíblico da Igreja. Associados com certas correntes anabatistas, surgem os huteritas, ou Irmãos Huterianos, por seu líder James Hutter, torturado e queimado em 1536, que praticaram por muitas gerações a comunidade de bens, dos quais se destacaram os de Morávia, e que sofreram severamente na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Outro grupo de princípios anabatistas foi a Igreja dos Irmãos, ou Taufers, cujo fundador, Alexandre Mack, com oito irmãos mais, em 1708, movidos pelo movimento pietista, tomaram a decisão de ter à Bíblia como sua única regra e guia, e se batizaram por imersão no rio Eder. Inicialmente seus centros foram Schwarzenau, o Palatinado e Marienbborn.O pietismo foi um despertar à vida espiritual mais profunda, que surgiu depois da Guerra dos Trinta Anos, cujas raízes e contribuições as encontramos no misticismo alemão pré-reformista, no puritanismo inglês e nos anabatistas. No século XVII aparece O Verdadeiro Cristão, obra do luterano João Arndt, que originou o despertar de Felipe James Spener (1635-1705), considerado como a origem imediata do pietismo. Quando o movimento se estendeu, os grupos chegaram a se chamar “collegia pietatis”, de onde deriva seu nome. Eles se ocuparam em prol de uma reforma moral e espiritual, pois eram testemunhas da imoralidade de muitos clérigos, e o culto tendia à formalidade e a esterilidade. Era necessário que o Estado interviesse menos nos assuntos da Igreja, recalcando, além disso, a conversão genuína e o cultivo da vida cristã. Spéner foi acusado de sair dos esquemas doutrinais luteranos, mas ele cria firmemente que se a pessoa não estava autenticamente convertida, vivendo em uma retidão de coração, as diferenças doutrinais tinham, relativamente pouca importância. Os ortodoxos luteranos chegaram a acusar a Spener de 283 heresias. Registramos que eminentes músicos da altura de John Sebastián Bach e Jorge Frederico Hændel, extraordinários compositores da melhor música religiosa de todos os tempos, relacionem sua educação no seio de famílias luteranas e pietistas, respectivamente.Também o pietismo exerceu forte influência na Igreja Reformada Holandesa através do escocês André Murray, que exerceu também como missionário na África do Sul. Seus filhos John e André estiveram no íntimo contacto com um movimento de avivamento na Escócia, onde se graduaram. Em Utrecht lideravam um pequeno círculo que reagia contra o racionalismo do século dezoito. Na África do Sul se fizeram ministros da Igreja Reformada Holandesa. André Murray (filho) (1828-1917), se destacou como pastor e escritor de livros de ampla circulação dentro da linha protestante mundial inclinada aos avivamentos e ao chamado cristianismo de tipo evangélico.