A Igreja de Jesus Cristo-Uma Perspectiva Histórico-Profética

A Igreja de Jesus Cristo-Uma Perspectiva Histórico-Profética
Tradução do livro "La Iglesia de Jesucristo, una perspectiva histórico-profética" de Arcadio Sierra Diaz

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

IV - Tiatira ( 1ª Parte )

Capítulo IV
T I A T I R A
(1a. parte)

SINOPSE DE TIATIRA

Fundamentos da grande prostituta
a torre alta babilônica e o catolicismo romano - Jezabel, um tipo da grande prostituta neotestamentaria - Exponentes dos vencedores de Tiatira: Madame Guyón, Fénelon, João Tauler, Luis de Molina - O fermento da mulher dominante - A idolátrica Babilônia a grande.

Consolidação do catolicismo romano
O cesaropapismo - As fraudes píos e a feudalização do papado e do alto clero romano - Hildebrando e o zênite do papado - Paradoxos do papado romano - A inquisição - O Índice - Os Jesuítas.

Grandes figuras do escolasticismo medieval
Anselmo - Pedro Abelardo - Hugo de San Víctor - Pedro Lombardo - Boaventura - Alberto Magno - Tomás de Aquino - João Duns Escoto - Guillerme de Occam.

Comercio de almas de homens da grande prostituta
As indulgências e os castigos temporais no "purgatório" - A tesouraria da igreja - O juízo da grande prostituta - As profundezas de Satanás.

Os pré-reformadores
Francisco de Assis - Pedro de Bruys - Henrique de Lausana - Arnaldo de Brescia - Os Valdenses - João Wicliffe - João Huss - Jerônimo Savonarola.

Os vencedores de Tiatira
Quarta recompensa: O Senhor lhes dará autoridade sobre as nações durante o reino milenar e governarão com Cristo. Tem alguma relação com os vencedores que estão tipificados no filho varão de Apocalipse 12.

A CARTA À TIATIRA.
"18 Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido:19 Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras. 20 Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos. 21 Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição. 22 Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita. 23 Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e vos darei a cada um segundo as vossas obras. 24 Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram, como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre vós; 25 tão-somente conservai o que tendes, até que eu venha. 26 Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações, 27 e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro;
28 assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã.
29 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” (Ap. 2:18-29).

Torre alta
A quarta das cartas de Apocalipse é enviada à igreja na localidade de Tiatira, a qual relacionamos com o período profético que se inicia no alvorecer da Idade Média, cujo ponto de partida se associa com a queda de Roma no ano 476; mas de acordo com o contexto da carta, este período continuará existindo simultaneamente com os últimos três, até o tempo do retorno do Senhor, e prefigura à Igreja Católica Romana. Nos períodos anteriores, aos de Esmirna e Pérgamo, não existia o sistema católico romano. A Igreja de Jesus Cristo era católica no sentido de universal, mas esse catolicismo da Igreja não tinha nenhuma relação com o romano. A cidade de Tiatira foi fundada por Seleuco I Nicátor (355-280), um dos quatro generais e sucessores de Alexandre Magno, os que posteriormente e à morte do macedônio dividiram o grande império grego. Nesse mesmo lugar atualmente está localizada a cidade turca de Akhisar. Tiatira era uma cidade localizada também na Ásia Menor, conhecida e famosa por ser um centro de numerosos grêmios de artesãos, com a particularidade de que cada grêmio tinha seus deuses protetores, aos quais lhes celebravam festas em determinadas datas, mediante libações ou comidas de rituais, e de acordo com os costumes pagãs, os ofertantes consumiam a carne oferecida em sacrifício a esses deuses. A palavra Tiatira em grego significa torre alta, torre fortificada, o que nos diz que depois que a Igreja se casou com o mundo e o poder político do Estado, foi exaltada a uma elevada posição, e o mundo começou a vê-la como uma torre alta, e como tal começou a ser reverenciada e acatada pelo inconstante mundo. O Império Romano se "cristianizou" e todo esse acervo religioso pagão mundial que havia herdado o Império desde suas origens na Babilônia, passando pelo Egito, Assíria e Grécia, se mesclou em Roma com a terminologia cristã, e a simbiose do paganismo com o cristianismo e com o judaísmo começou definitivamente a conceber o sistema católico-romano-papista, o que gerou sérios problemas. Também a palavra Tiatira em grego significa sacrifício aromático ou sacrifício continuo. Também significa atividade no oferecimento de vítimas, pois como é de comum conhecimento, o apóstata sistema católico se caracteriza por seus contínuos sacrifícios representados nas missas, com altar e casta sacerdotal, pois chegaram a ignorar que o sacrifício de Cristo na cruz foi suficiente para nos salvar (Hb. 10:12)." Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido: " (v.18).Aqui o Senhor se apresenta como o filho de Deus como um protesto pela heresia apóstata, pois o sistema católico romano enfatiza o fato de que Cristo é filho de Maria; e por outro lado esse sistema eleva a Maria tão exageradamente, que dá a imprensão que dão maior importância a adoração à uma criatura como ela, que ao Senhor, Salvador dela (cfr. Lucas 1:47) e nosso; como em uma velada intenção de eclipsar um pouco a glória devida ao Senhor. No Magníficat, Maria o expressa profeticamente de seus próprios lábios ao dizer: "Minha alma engrandece ao Senhor;e meu espírito se alegra em Deus meu Salvador". Também o sistema católico romano diz que a Igreja está edificada sobre Pedro, um simples humano, descartando assim à verdadeira Cabeça, a Cristo, o Filho do Deus vivente, revelado pelo Pai a toda pessoa destinada para salvação. Assim mesmo o Senhor se apresenta como o que tem olhos como chama de fogo, e pés semelhantes ao bronze polido, pois o Senhor tem o poder da visibilidade de penetrar até as coisas mais ocultas, e de fato conhece e distingue todas as coisas, por muito remotas que pareçam estar no tempo, no espaço, ou no profundo dos pensamentos e segredos e intenções do coração. Em Pérgamo se apresenta como o que tem a espada afiada de dois gumes, isto é para dividir uma virtual e desafortunada união de Sua Igreja com o mundo, mas em Tiatira usa os olhos como chama de fogo para julgar e queimar as conseqüências dessa união. Seus pés de bronze polido falam de que o Senhor é o juiz, e tudo o que vai olhando e condenando com seus olhos, com seus pés se presta para executar juízo e pisotear. Recorde-se que temos de comparecer ante o tribunal de Cristo, a quem " foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos. " (cfr. Romanos 14:10; Atos 10:42b). O Senhor tem todo o poder, autoridade e soberania sobre todas as criaturas para executar o que Ele quer, Quando Ele quiser, e esta igreja apóstata necessita ser julgada por Seus olhos esquadrinhadores e Seus pés que esmagam.

Obras na apostasia
" Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras. " (v.19).
O apóstata sistema católico romano se distingue também porque leva à prática muitas obras e serviços de caráter social, principalmente nos últimos tempos. E de fato há gente abnegada que têm dado por amor a suprir as necessidades dos demais. Para muitos pode parecer incrível, mas neste corrupto sistema religioso têm havido sempre, mesmo hoje, um pequeno remanescente que também foi escolhido desde antes da fundação do mundo para ser salvo, e que se tem encarregado de executar muitas obras boas porque realmente tem conhecido a Deus, e além da Palavra de Deus, a mesma história têm dado fé disto. Em Tiatira podemos discernir um nível espiritual. Ainda que seja um sistema eclesiástico condenado e aborrecido pelo Senhor, entretanto, dentro de tal sistema há filhos de Deus ali mesclados e os haverá até o tempo da vinda do Senhor, e por isso há uma incitação do Senhor para os irmãos que estão dentro do sistema católico romano, e mesmo dentro dos sistemas religiosos evangélicos denominacionais dele derivados, até o ponto que Deus os compara com Babilônia. O Senhor lhes disse: "Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos;" (Ap. 18:4). A esses santos Deus os ama e deseja salva-los das conseqüências que sobrevenham pelo fermento da maldade do sistema babilônico. A multidão dos adeptos ao sistema católico romano são ignorantes acerca da Palabra de Deus e mesmo do sistema religioso no qual militam; ignoram por completo o caminho de salvação; não sabem quem é Jesus Cristo, e estão imersos em um mar de confusões, e os líderes desse sistema o sabem perfeitamente. O dia em que qualquer de seus seguidores começarem a opinar conforme as Escrituras, o apelidam de desviado mental, o perseguem, e o maldizem muitas vezes até a morte. Na Idade Média, por exemplo, era tanto o desconhecimento da Palavra de Deus e a fé em Jesus Cristo, que a vida religiosa dos paroquianos se caracterizava em sujeitar-se aos cânones do romanismo, os quais enfatizavam como pecaminoso os impulsos sensuais naturais. Dai que vieram no monasticismo, humanamente e sem levar em conta a Deus, o estado de perfeição e de santificação ideal. Mas ali existe um remanescente de boa fé, fiel ao Senhor. Nesse pequeno remanescente deu fruto o amor, a fé, o serviço, a paciência, em pessoas como Joana de la Mothe Guyón, mais conhecida como Madame Guyon (1648-1717), mística francesa que iniciou na França o movimento pietista, e a causa de sua fé foi objeto de perseguição e prisão em sua mesma pátria (foi encarcerada na Bastilha pelo rei Luis XIV), e se caracterizou por sua copiosa calma e resignação. Apesar de que a apelidaram de herege, e que o papa censurou a Fénelom por sua causa, esta filha de Deus não chegou a se separar do catolicismo romano. Em quanto Francisco de Salignac Fénelon (1675-1715), foi um eclesiástico jesuíta francês educado na Universidade de Cahors; havendo sido tutor do neto de Luis XIV, perdeu o favor do rei como conseqüência de sua relação com os pietistas seguidores de Madame Guyon. A vida santa e o testemunho de Madame Guyon tiveram profunda influência sobre Fénelon. Apesar do anterior não abandonou o sistema católico romano, e, pelo contrário, na controvérsia jansenista, esteve em favor do papa defendendo sua bula Unigenitus através de cartas e sermões. Outro digno de menção é João Tauler ou Taulero (1290-1361), domenico alemão profundamente influenciado por seu mestre João Eckhart. Mesmo que não se destacou como grande erudito, gozou de popularidade por sua linguagem simples e sincera, o que despertava muito entusiasmo entre os ouvintes. Afirmava que os cristãos devem exercer seu próprio sacerdócio uma vez que Jesus Cristo mora no coração do crente. Há uma anedota que diz que Tauler exerceu tal influência sobre Lutero, que este lhe escreveu a seu amigo Spalatino, dizendo: "Se queres aprender na língua alemã a sólida teologia dos tempos primitivos, lê os sermões de João Tauler. Não havia lido em latim nem em nenhum outro idioma, a teologia mais judiciosa nem mais de acordo com o Evangelho". Irmãos como estes três exemplos tem havido muitos de boa fé no sistema católico romano, e há. Nomes como Luis de Molina (1535-1600), cuja teologia, conhecida como molinismo, lutava com o problema de como conciliar a graça e o inalterável decreto da predestinação com o livre arbítrio; teologia à qual aderiam muitos dos jesuítas, entre eles Roberto Belarmino (1542-1621), mais tarde cardeal, sobrinho de um papa. Miguel de Molinos (1628-1696), teólogo espanhol, de família da nobreza. Residenciado em Roma se fez amigo do papa Inocêncio XI quem chegou a condenar sua obra "Guia Espiritual" por seus princípios quietistas, doutrina chamada também molinosismo, por meio da qual aconselhava a suspensão de toda atividade humana e o abandono em Deus; promovendo assim a aniquilação da própria vontade.

Mulher dominante
"Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos. " (v.20).A palavra Tiatira também significa mulher dominante. Se começa a delimitar um contraste entre a Esposa do Cordeiro que aparece em Apocalipse 19 e a prostituta, a que lhe foi infiel, de Apocalipse 17 e 18. O Senhor menciona aqui a uma mulher chamada Jezabel, que se diz profetisa, mas seu labor se reduz a ensinar e seduzir aos santos a fornicar e a comer coisas sacrificadas aos ídolos, e o pior é que é tolerada pelos cristãos. De que se trata? Na igreja da localidade de Tiatira pode ter havido uma mulher que ela mesma se fazia aparecer como profetiza, de grande influência chamada Jezabel, que tanto por seu nome como por suas atividades coincidira com a Jezabel protótipo do Antigo Testamento e prefigurara a si mesmo com a igreja apóstata. O nome de Jezabel significa desonesta, perjura. Com ela se cristaliza a maridagem idolatria-Estado. Mas concretizando-nos em nossa analise, em primeiro lugar vemos que os ensinamentos de Jezabel são muito parecidos (e como uma continuação) aos de Balaão, mas sua influência têm sido mais grave, devido a que Balaão somente podia aconselhar, enquanto que Jezabel também tinha poder para ordenar, por sua autoridade de rainha. É curioso que em Tiatira estava o famoso "Peribolé" (recinto), residência da sibila oriental Sambata, o qual pode ter sua simbologia com a Jezabel e os cultos e banquetes idolátricos, que comprometiam e contaminavam a muitos crentes. O Antigo Testamento registra em suas páginas a vida e obra de uma mulher chamada Jezabel, filha de Et-baal, rei de Sidom, com a qual se uniu em matrimônio Acabe, rei de Israel, ao invés de haver tomado por mulher a uma hebréia; por esta ação, Acabe, deixou de adorar a Jeová por servir a Baal e adora-lo 3. Mas Acabe foi mais longe " 32 Levantou um altar a Baal, na casa de Baal que edificara em Samaria.33 Também Acabe fez um poste-ídolo, de maneira que cometeu mais abominações para irritar ao SENHOR, Deus de Israel, do que todos os reis de Israel que foram antes dele. " (1 Re. 16:32,33). O pecado de Acabe foi mais grave que o de Jeroboão, ao estimular ao povo a adorar a um deus estranho. Jezabel, como rainha que era, incitava a Acabe (cfr. 1 Reis 21:25), e tinha oportunidades e estava revestida de direitos para influenciar no governo do povo de Deus, de acordo com sua soberana e perversa vontade. Jezabel, mulher de natureza autoritária, instruía ao povo na prática de obras abomináveis e a comer do sacrificado aos ídolos, sem que nada a ousasse resistir. Julgue o leitor a situação da igreja de Tiatira, ante uma mulher culta, influente, rica, de ilustre linhagem, sagaz, a igreja se encheu de temor de repreender a um membro tão ilustre, e quando ela se rodeou de incondicionais, a coisa se fez mais difícil ainda, e houve o pecado da permissão. Isto o relaciona com a profecia do Senhor acerca desta mulher na parábola do fermento. " Disse-lhes outra parábola: O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado." (Mt. 13:33).Com maior ênfase no sistema católico romano, esta parábola reflete a corrupção interior da atual e desfigurada aparência do reino dos céus na terra, durante a ausência do Rei, porque Cristo é a oferta de farinha pura, mas ao contrário o fermento representa as doutrinas falsas, a hipocrisia, os que dizem professar a autêntica fé e procedem impiamente, os que ensinam falsamente o cristianismo; também representa a malícia e o pecado (cfr. Mateus 16:6,11.12; 1 Coríntios 5:6-8; Gálatas 5:8,9). A Igreja, como a manifestação prática do reino dos céus hoje, tem a flor de farinha sem fermento, que é Cristo, mas essa mulher, que é o sistema católico romano e os sistemas religiosos nacionalistas que dele se derivam e mesmo os posteriores movimentos denominacionais, escondeu o fermento, em modo oculto, na farinha, introduzindo na Igreja práticas pagãs, heresias e perversidades, mesclando abominações com coisas procedentes de Deus, de tal modo que os puros ensinamentos bíblicos acerca de Cristo foram levedados, resultando uma aparência do reino dos céus. Jezabel combinava astutamente o uso carismático (profético) com a idolatria e a fornicação, uma perigosa e explosiva mescla de dons e impiedades. A Igreja Católica Romana, como Jezabel, se autodenomina profetiza, com pretensões de haver recebido de Deus a autoridade de falar pelo Senhor, com o resultado de que se adotou o direito de falar por si mesma, de ter o monopólio do ensinamento e interpretação da Palavra de Deus, o qual tem feito que as pessoas não se interessem por ler a Bíblia e se contentem com escutar seus filosóficos - heréticos ensinamentos humanos e, de passo, deixar de alimentar-se com o apropriado conhecimento de Cristo. Vemos então que a união matrimonial de Acabe com uma idólatra gentia deu como resultado que se fomentara oficialmente o imoral culto a Baal, deus do raio, da tempestade, da chuva e da fertilidade no Panteon cananeu e fenício. Por quê? Porque sua mulher era uma adoradora fanática desse ídolo satânico e ele queria agradá-la. Isto levou a Israel a uma aguda crise nacional, confusão, perseguição e sincretismo religioso; o povo de Deus comendo o sacrificado aos demônios; que em seu momento muitos israelitas puderam haver visto normal e até lógico, mas que na perspectiva profética bíblica não era senão um repúdio a Yahveh. Ali a fornicação significa confusão. Chegou o momento crucial em que quem mandava em Israel era uma mulher estrangeira, que, além disso, era idólatra, prostituta e feiticeira (cfr. 2 Reis 9:22), que pretendeu apagar do povo escolhido a adoração a Deus, seduzindo aos que deixaram os mandamentos de Yahveh e se esqueceram até do mesmo nome do Altíssimo, até o ponto que, quando o profeta Elias enfrentou os quatrocentos profetas de Baal, valentemente disse a todo o povo: "Então, Elias se chegou a todo o povo e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu." (1 Re. 18:21). Mas havia tanto temor e confusão no povo, que a Bíblia diz que não responderam nenhuma palabra. Jezabel matava aos profetas de Deus. Mas Deus respondeu poderosamente e através de Elias demonstrou que precisamente na esfera onde criam que Baal era mais poderoso (o raio, a chuva), ali fracassaram estrondosamente seus seguidores. Jezabel teve o poder de dominar a seu esposo, assim como a igreja apóstata tem tratado de dominar aos reis e ao mundo inteiro mediante a política e os concordatos favoráveis; É como dizer, que todo o que Cristo rejeitou quando foi tentado no deserto, foi aceito pela igreja prostituta. Nas cartas de Apocalipse, o diabo é mencionado em um avanço sutil para destruir a Igreja. Em Esmirna, Satanás operava desde a sinagoga; em Pérgamo desde seu trono no templo de Zeus, e em Tiatira, já havia estabelecido sua sede de operações dentro da mesma Igreja. Tenha-se em conta que a mulher de Mateus l3:33, Apocalipse 2:20 e Apocalipse 17 é a mesma. Esse é o ponto principal da carta à igreja em Tiatira.

Babilônia a grande
" Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição." (v.21).A Jezabel neotestamentária era muito orgulhosa para arrepender-se, não obstante que o Senhor lhe deu tempo para que se arrependa, rejeitando assim o único caminho possível para salvar a ela e a todos os seus seguidores. A Igreja de Jesus Cristo é tipificada por uma mulher, a Esposa do Cordeiro, a Nova Jerusalém (Ef. 5:22-32; Ap. 19:7-9; 21:9,19), mas há outra mulher dominante que têm sido infiel ao Senhor, que a Palavra de Deus chama "um mistério: BABILÔNIA, A GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA." (Ap. 17:5). Essa mulher quando se casou com o mundo deixou de ser Jerusalém para converter-se em Babilônia, o sistema católico romano; mas houve tanta habilidade e engenho satânicos para mesclar o paganismo babilônico com o cristianismo, que a Bíblia chama a esse novo sistema um mistério, e é a mesma Jezabel do tempo da graça, porque se têm encarregado de introduzir no povo de Deus muita confusão, indiferença, ignorância, sincretismo, culto idolátrico e práticas imorais. Essa mulher se chama profetisa e tem adotado o direito de ser a única que tem a autoridade de ensinar e interpretar as Escrituras, com o resultado de que impõe suas próprias espúrias e destorcidas doutrinas, invalidando e contradizendo as Escrituras Sagradas. Ela se encarrega de ensinar e não deixar que Deus fale (cfr. João 5:39; 16:13). Somente ela pretende ter a razão e a verdade. Não vai se arrepender, e se sabe que será destruída sem que haja se arrependido, como sucedeu a Jezabel. Na Idade Média houve um largo tempo em que a Bíblia foi um livro proibido pelo cesaropapado, e só podia ser adquirido e interpretado por uma augusta elite do Vaticano, afim de acomodar as coisas aos interesses do sistema da prostituta. Em sua obra a Cidade de Deus, Agostinho expressa dramaticamente a clara distinção traçada entre a cidade do mundo e a cidade de Deus, pontos de vista em sua oportunidade apreciados pelos cristãos fiéis ao Senhor e Seus propósitos.Para fins do século quinto, o sistema católico romano e o Império estavam tão intimamente associados, compenetrados entre si, que o selo que o Império havia impresso nesse sistema religioso já era indelével, e quando o Império Romano do Ocidente se desagregou, o catolicismo romano reteve muitos de seus traços, estrutura e organização externa e em muitos sentidos perpetuando as características da Roma pré-cristã até hoje. Mais que com um governo estatal e simples sistema político e suas vinculações econômicas, o cristianismo desertor e infiel se mesclou em suas raízes com o sistema religioso babilônico, formando-se à larga o cesaropapismo com o sumo pontífice à cabeça, como continuação de uma das pernas de ferro do último dos quatro grandes impérios mundiais revelados por Deus ao rei Nabucodonosor na Babilônia (cfr. Daniel 2:33,40).Essa férrea união gerou sérios compromissos com o príncipe deste mundo. Como quais? Um deles foi a continuação do paganismo babilônico, a contemporização e o fomento da idolatria e a adoração à rainha do céu, a deusa-mãe, e sua corte. Existia a rainha do céu desde os tempos babilônicos? Sim, se chamava Istar, e todas as culturas desde muitos séculos antes de Cristo adoravam à divina mãe, a mãe e a seu filho, representada com um menino nos braços. Por exemplo, No Egito a chamavam Isis, entre os cananeus Astarote e Astarte, na Alemanha Hertha, na Ásia Cibele, em Éfeso Diana, em Roma Vênus ou Fortuna, na Grécia Afrodite ou Ceres, etc... O que fez o sistema católico romano? Introduziu a adoração à rainha do céu e outros deuses estranhos com uma pequena modificação, mudando-lhe o nome. À rainha do céu chamou inicialmente Maria, e aos demais deuses, ídolos ou estátuas, lhes chamaram "santos". Por exemplo, a estátua do deus Júpiter em Roma, cuja figura é de cor obscura, foi retocada e colocada na catedral de São Pedro em Roma (com uma mitra dourada sobre sua cabeça, cuja figura (uma cabeça de peixe) é diferente à usada por Arão e os sacerdotes hebreus), em qualidade de ídolo do apóstolo Pedro. Não há evidência bíblica que acredite que Jesus Cristo e os apóstolos usaram este ornamento, que pelo desenho que atualmente usam os papas, cardeais e bispos, corresponde a uma prenda pagã do deus peixe babilônico, conhecido por Ormuz ou Dagom. Assim como a cidade de Tiatira era conhecida e famosa porque nela cada grêmio tinha seus deuses protetores, aos quais lhes celebravam festas em determinadas datas, mediante libações ou comidas de rituais, assim também no período profético de Tiatira, do cristianismo apóstata, se perpetuaram esses rituais pagãos a "santos" patronos dos grêmios; por exemplo, São José, patrono dos obreiros, São Cristóvão, patrono dos motoristas, São Rafael, patrono dos médicos, etc... Temos o exemplo de Éfeso, cidade na qual parte da adoração tributada a Diana foi transferida à virgem Maria, cidade onde ao que parece viveu e morreu Maria, por haver sido encomendada ao apóstolo João. O sincretismo universal que têm caracterizado ao paganismo com seu politeísmo, aparentemente se foi apagando e dando passo ao monoteísmo judeu e cristão; mas esse é apenas uma mera aparência. Assim as massas chamadas "cristãs" no Ocidente, jamais deixaram o politeísmo. Apesar da substituição de uma religião por outra, o sincretismo é o mesmo; as nações adoram os mesmos deuses antigos, disfarçados de divindades com nomes "cristãos".Tolerar que prevaleçam estes ensinamentos têm trazido fracassos e graves conseqüências aos cristãos de Tiatira, e o pior é que haverá crentes na condição de Tiatira que serão achados assim na grande tribulação. A idolatria gera confusão e tragédia, cegueira espiritual e muitos males. Desde os tempos antigos, Deus proibiu por abominável a adoração à rainha do céu e a todo o exército do céu, e admoesta a seu povo por meio de seus profetas. Por exemplo, Jeremias lhes disse: "18 Os filhos apanham a lenha, os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha, para se fazerem bolos à Rainha dos Céus; e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira.
19 Acaso, é a mim que eles provocam à ira, diz o SENHOR, e não, antes, a si mesmos, para a sua própria vergonha? " (Jr. 7:18-19). O povo hebreu por sua idolatria provocou a ira de Deus, e Jerusalém, símbolo do templo de Deus, foi destruída; os judeus foram levados durante setenta anos cativos à Babilônia, por contraste ao covil de demônios. Foi assim como a verdade revelada por Deus aos judeus paulatinamente se mesclou na Babilônia com a religião pagã que se havia originado em Babel; houve assim uma associação entre algumas crenças dos hebreus, certas tradições herméticas *(1) egípcias (recorde-se que os hebreus viveram 400 anos no Egito) e as teurgias caldéias, dando origem à chamada Cabala, escola de pensamento judeu que se prestou ao misticismo e à especulação teológica e filosófica, e mais tarde, com a mescla das correntes filosóficas gregas, surge o gnosticismo e vários ramos de ocultismo e esoterismo sincretista, alimentados por religiões de tipo oriental. Assim mesmo se diz que a Igreja em parte têm estado em cativeiro na Babilônia, na cidade terrena.
*(1) De hermetismo. Hermes Trimegisto era o deus greco-egipcio condutor das almas dos mortos; no Egito o tinham pelo inventor de todas as ciências, cujos segredos guardava encerrados em livros misteriosos.
O princípio desse cativeiro teve ocasião no período de Pérgamo, e o sistema babilônico se disfarçou de cristianismo em Roma. Do povo hebreu em cativeiro, Deus chamou a um pequeno remanescente para que voltassem à Terra Santa para reconstruir a cidade de Jerusalém e ao templo nos tempos de Zorobabel, Neemias, Esdras, Zacarias. Depois de mil anos de cativeiro na Roma cesaropapista, o Senhor também começou a chamar a outro pequeno remanescente a fim de recuperar todas as coisas que se haviam perdido e continuar a construção do templo de Deus, como o veremos nos próximos capítulos.

Raízes do cesaropapismo
Não existe registro documental e normativo algum em que conste que o Senhor dera instruções a fim de que, para que se perpetuasse Seus ensinamentos, quando Ele ascendesse ao Pai e viesse o outro Consolador, o Espírito Santo, se instituísse uma organização visível que viesse a continuar através dos séculos, ao estilo e com as características das que séculos mais tarde surgiram, em especial nas capitais do Império Romano, tanto do Ocidente, Roma, como do Oriente, Constantinopla; e suas posteriores filhas e herdeiras; organizações, muitas delas, iniciadas por homens que amavam a obra do Senhor, mas que eventual e paulatinamente foram hierarquizadas por homens ébrios de poder e riquezas terrenas, mais carentes das riquezas dos céus; em contraste com nosso amado Senhor, quem evitava a todo custo toda ostentação de Seus poderes, a fim de não chamar a atenção sobre Si mesmo, e que quando decidiu eleger a Seus mais íntimos amigos, evitou escolher entre os grandes do Sinédrio, senão que o fez entre os homens das humildes sendas da vida no advir da peregrinação por esta terra, ou dos mais modestos estratos sociais, como se lhe chamaria hoje.Quem formulou pela primeira vez de maneira rigorosa a doutrina do primado romano foi o bispo romano Damaso (366-384), baseado em uma interpretação errônea das palavras do Senhor, Tu és Pedro, de Mateus 16:18. É preciso fazer ênfase às palavras do Senhor em resposta a Pedro no capítulo 16 do evangelho segundo Mateus. De acordo com o contexto, o Senhor se interessou por saber o que seus discípulos diziam acerca de quem era Ele. No verso 16, a uma pergunta do Senhor a respeito, Pedro lhe responde: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo", frase esta que pode ver-se escrita em gigantescos caracteres em latim ao redor da cúpula da basílica de São Pedro no Vaticano, com o argumento de que Pedro foi a primeira cabeça da Igreja, e em conseqüência, seus pretendidos sucessores, os papas romanos, deveriam continuar sua autoridade. É peremptório esclarecer que a frase afirmativa de Pedro é uma revelação que lhe faz o mesmo Pai celestial acerca da personalidade e identidade do Senhor Jesus Cristo, pois o mesmo Senhor Jesus o confirma quando lhe diz: "Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus." (v.17).Mas na continuação aparece uma declaração do Senhor que têm dado pé a certas especulações por parte do papado romano. O Senhor segue dizendo a Pedro nos versos 18 e 19: " 18 Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.19 Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.". É néscio e sem fundamento bíblico dizer que Jesus fundou sua Igreja sobre Pedro, ou sobre algum outro homem. Para que uma pessoa, qualquer, douta ou ignorante, conheça quem é o Senhor Jesus Cristo, o único meio possível é por revelação de Deus o Pai. Da declaração da pessoa a respeito de Cristo, depende que seja ou não um filho de Deus, integrante da Igreja do Senhor. Essa confissão é a rocha. Eu sou para ti o Cristo, o Salvador, então tu és uma pedra da casa de Deus, a Igreja. Deus edifica Sua Igreja com todas essas pedras vivas, os que têm crido e confessado que Jesus é o Cristo, o Salvador, sendo a principal pedra de ângulo Jesus Cristo mesmo, não um homem. Graças ao Senhor, que prevendo tudo o que viria, o Espírito Santo inspirou ao apóstolo Pedro para que assinalasse que Cristo é a pedra angular de Seu templo, a Igreja, quando diz em 1 Pedro 2:4-8:" 4 Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, 5 também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. 6 Pois isso está na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado. 7 Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas, para os descrentes, A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular 8 e: Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos.".Em Mateus, o Senhor usa as palavras Pedro e pedra (em grego Petros e petra). Pedro (petra, πετρα), como o resto de crentes, por sua declaração é constituído uma pedra viva na edificação espiritual; mas o que têm declarado, que o Senhor Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivente, é a pedra angular, a rocha (petros, πετροζ), sobre a qual está fundamentada a Igreja. A Igreja se constrói sobre a pessoa do Senhor Jesus Cristo, com os que, a igual a Pedro, confessam ao Senhor. Paulo também o ratifica em Efésios 2:20-22, assim: "20 edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; 21 no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, 22 no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.".Não chegamos a analisar o verso 19 de Mateus 16, mas o significado exegético do mesmo não dá fundamento, nem sequer o insinua, para afirmar que havia na história uma série de sucessores aos quais o apóstolo Pedro tivesse autoridade para transmitir o poder das chaves. Esse encargo foi de tipo pessoal e intransmissível e Pedro o exerceu para abrir o caminho da salvação e do Reino, primeiro aos judeus em Jerusalém no dia de Pentecostes (Atos 2), e logo aos gentios em Cesaréia na casa do centurião Cornélio (Atos 10), e essas portas ainda não se têm fechado, como o confirma Paulo anos mais tarde (ao redor de 61 D. C.) aos efésios: "...18 porque, por ele( Cristo ), ambos( judeus e Gentios ) temos acesso ao Pai em um Espírito." (Ef. 2:18).Na mesma noite em que foi preso, o Senhor Jesus orou ao Pai, dizendo: "20 Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; 21 a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste." (João 17:20-21). Estas discentes palavras nos dão a entender que o Senhor quer em sua Igreja um companheirismo estreito, e contínuo através do tempo e a distância, sem especificar que estrutura visível teria a Igreja. As características estruturais pelas que o Espírito Santo orientou à Igreja do Senhor, são as que se encontram nas páginas do livro dos Atos dos Apóstolos, as epístolas dos apóstolos Paulo, Pedro e João, Hebreus e o livro do Apocalipse, tudo no marco da igualdade, do amor e a comunhão do Espírito Santo. A raiz da morte do Senhor, Sua gloriosa ressurreição, ascensão e a vinda do Espírito Santo, se cristalizou um companheirismo e igualdade entre Seus discípulos, e isso se chamou Igreja, a Igreja de Jesus Cristo, a qual é Seu corpo e Ele é o Cabeça. A Palavra descarta que um homem seja a cabeça da Igreja. "20 o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais,, 22 E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja,23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas. 27 para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito." (Ef. 1:20,22,23; 5:27).Sobre a passagem bíblica que registram as palavras do Senhor: "E Eu também te digo, que tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei minha igreja", há outra interpretação que diz: "Se Cristo quisesse dizer que Sua Igreja ia estar fundada sobre Pedro, por que não disse: ‘sobre ti edificarei minha igreja’? tal como diretamente o fez quando chamou a cada um dos apóstolos, ‘vem, segue-me’. Caso se houvesse referido a Pedro, certamente haveria dito: Pedro, edificarei minha igreja sobre ti, da mesma maneira que lhe disse: ‘A ti darei as chaves’. Não, não era sobre a cabeça de Pedro, senão sobre a confissão que acabava de fazer sobre onde ia fundar a Igreja. Não sobre o instável Pedro (que o negou três vezes antes de que cantara o galo; também era judaizante, que recebeu repreensão do Senhor quando lhe disse: Aparta-te de mim, Satanás; e irascível, por haver cortado a orelha do servo do sumo sacerdote), senão sobre aquela poderosa verdade que o Pai lhe havia revelado". (Jaime Beltrán Zuccardi. Carta ao Sacerdote Alfonso Llano Escobar. 1997). Na mesma carta aos Efésios, Paulo nos diz que a Igreja é formada tanto por judeus como por gentios, todos membros da família de Deus, servos de Jesus Cristo, sem distinção de raças, nacionalidade, fundo cultural, sexo, liberdade, servidão, sem barreiras ocasionadas por línguas ou distinção política. Desde o princípio do século IV, o melhor, através de um lento desenvolvimento histórico cujas raízes encontramos antes dessa data, mas que tomou maior força com a aparição de Constantino no concerto histórico do Império, se veio operando um desenvolvimento doutrinal paralelo com um processo institucional gerando um sistema eclesiástico centralizado em torno ao bispo de Roma, com grande influência no Ocidente e cada dia mais livre da tutela imperial. A primazia de honra do bispo de Roma e seu título e poder temporal pontifício, não veio necessariamente do evangelho senão da organização eclesiástica que havia sido copiada das instituições político religiosas do Império Romano. A legislação pontifícia se inicia com os decretos do bispo de Roma Sirício (384-399), reclamando jurisdição universal, pois no século IV o bispo tomou o caráter de papa, mas não foi reconhecido; mas com Damaso o papado dá uma virada importante, pois ele assumiu o antigo título romano de Pontifex Maximus, alto sacerdote oficial dos mistérios babilônicos, reconhecido tanto por pagãos e cristãos como o cabeça, herdado até o dia de hoje por todos os papas, título do qual se havia despojado o imperador Graciano no ano 375, quando com motivo de sua conversão ao Senhor Jesus Cristo, teve discernimento de que esse título era de origem satânica. Quando o papa romano recebeu o título babilônico de Sumo Pontífice, recebeu a liderança sobre todo o paganismo. O papa Inocêncio I (401-417) propôs uma política de centralização jurisdicional do primado, mas não foi senão até o ano 445, em tempos de Leão I o Grande (440-46l), em que o imperador Valentiniano III estabeleceu a supremacia de Roma, por razão de que este bispo ocupava "o primado de São Pedro", sobre a parte ocidental da Igreja mediante o edito Certum est, sem que lhe fora reconhecida mesmo sua autoridade pelas igrejas. Algo similar ocorreu com Bonifácio III, que foi declarado bispo universal pelo imperador Focas, de Constantinopla, abaixo a aplicação de editos de governantes terrenos sem levar em conta a vontade de Deus. Notemos que é reconhecida essa supremacia mediante um documento legislativo secular, do imperador, mas não bíblico.A instituição romano-papista para sustentar seus pretendidos direitos de supremacia e da sucessão apostólica desse sistema, cita que no último quarto do século segundo Irineu de Lyon supostamente afirmava em um tratado que os apóstolos haviam nomeado seus sucessores nas diferentes igrejas; mas o curioso deste documento considerado espúrio mesmo por comentaristas católicos romanos, é que Irineu, poderia haver dado a lista de todos esses bispos sucessores em todas as igrejas, ou pelo menos nas principais cidades, só se limita a dar a linha de sucessão da igreja de Roma, a qual, aduzem eles mas não as Escrituras, havia sido fundada por Pedro e Paulo, os quais a sua vez nomearam a Lino; este a sua vez foi seguido por outros em linha intacta até o duodécimo na sucessão, época em que o suposto livro de Irineu estava sendo escrito.Este suposto livro de Irineu é um documento falso como tantos outros que essa instituição (a Igreja Católica Romana) se inventou ao largo dos séculos. Cipriano, o famoso bispo de Cártago, quem viveu entre os anos 200 ao 258, referindo-se a certo tipo organizativo, dizia que "a igreja esta no bispo e o bispo na igreja", dando muita importância ao bispado, mas sustentava que todos os bispos eram iguais. Considerava que todo bispo possuía todos os poderes comuns a todos os bispos; que nenhum bispo tinha autoridade administrativa sobre os demais, que nenhum bispo devia exaltar-se como bispo dos bispos, e estimava ao bispo de Roma só como um entre seus iguais. Isto a todas luzes representava um conflito com as pretensões do bispo de Roma, e devido a isso se tem conhecimento que suas obras foram deturpadas, de maneira especial no relacionado com o do primado de Pedro.Agora bem, não há registro bíblico, nem patrístico confiável que sustente que Pedro haja sido o fundador e o bispo da Igreja de Roma. Há que diferenciar entre o ministério de apóstolo e o de ancião ou bispo. Biblicamente o campo de trabalho do apóstolo é a obra regional, e o do bispo é a igreja local. Os apóstolos jamais ficavam como bispos de alguma igreja; em troca, os anciãos eram designados entre os irmãos de sua mesma igreja local. Enquanto a Paulo, no contexto da carta aos Romanos, e particularmente nos versos 10-13 do capítulo 1 e 20-23 do capítulo 15, vemos que quando o apóstolo escreveu esta carta ao redor do ano 57 D. C. nunca havia estado em Roma, como, pois, pode ser um dos co-fundadores da igreja nessa localidade?As contínuas divisões eclesiásticas do Oriente, sobre tudo nos tempos dos concílios de Éfeso (431) e Calcedônia (451), a corrupção imperial e as ameaças das invasões dos bárbaros, entre outras coisas, lhes eram favoráveis ao bispo de Roma em suas pretensões para conseguir a supremacia dentro do cristianismo. Invadida a cidade pelos vândalos, e sem a presença e autoridade imperial no Ocidente, Leão I o Grande, teve a idéia de converter o trono do império em sede do reino universal da Igreja, dando início à teocracia católica romana, como verdadeira continuação do Império. Uma solução “genial”; o Império não se extinguiria, senão que mudava de forma e continuava o papa como o sucessor dos Césares; e não foi menos importante que, no curso deste processo, por trás do respaldo de Valentiniano III, paulatinamente os imperadores orientais foram reconhecendo essa primazia papal ao bispo de Roma, a fim de ir ganhando um aliado; então, das ruínas do império romano ocidental, surge assim a Roma papal. E o curioso é que quatrocentos anos antes, o Senhor Jesus, verdadeira Cabeça da Igreja, havia dito a Pôncio Pilatos, o representante desse mesmo império romano: "Meu reino não é deste mundo" (cfr. João 18:36).A construção da Babilônia a grande, a grande prostituta, continua inexoravelmente e no ano 494 o papa Gelásio declarou que o mundo era governado pelo imperador, mas que este devia submeter-se aos prelados em assuntos divinos, e que Roma havia sido posta em superioridade sobre as demais igrejas, pela presença e martírio de Paulo e o suposto martírio de Pedro ali, toda vez que não há registro bíblico de que este apóstolo houvesse estado em Roma. O imperador Justiniano I (527-565), entre outras coisas, é muito famoso porque durante seu governo copiou muitas leis e promulgou seu famoso Código de leis imperiais chamado «Corpus Juris Civilis» (Corpo de lei civil), por meio do qual também confirmou e aumentou os privilégios do clero, e designa ao bispo de Roma como chefe supremo das igrejas. Este documento, por exemplo, no prefácio do artigo nono diz: "Não só se designa a Roma a origem das leis, senão que além disso não há nada que duvide que nela reside a cima do mais alto pontificado".Assim mesmo no artigo 131 do Código de Justiniano diz: "Daí que, de acordo com as resoluções destes concílios, ordenamos que o Muito Santo Papa da antiga Roma ocupe a primeira classe entre todos os Pontífices, e que o Muito Bendito Arcebispo de Constantinopla ou Nova Roma, ocupe o segundo Lugar depois da Santa Sede Apostólica da antiga Roma, a qual tomará a precedência sobre todas as demais".Vemos então a grandes traços como esse processo institucional do cesaropapismo foi fincando poderosas raízes, foi ramificando, posicionando e tomando vantagem sobre outras instituições, e é assim como aparecem os bispos feudais, com as insígnias e as atribuições dos senhores feudais da Idade Média, chegando a ser mais príncipes que pastores, começando pelo mesmo pontífice, pretendido sucessor de um trono que o apóstolo Pedro nunca teve, e que conforme ao consignado em Atos, detestava o boato, a bajulação, cortesia, etc..., como se narra na seguinte passagem bíblica: " 25 Aconteceu que, indo Pedro a entrar, lhe saiu Cornélio ao encontro e, prostrando-se-lhe aos pés, o adorou.26 Mas Pedro o levantou, dizendo: Ergue-te, que eu também sou homem. " (At. 10:25,26).Conforme a Jezabel do Antigo Testamento, na Igreja Ortodoxa Oriental, chegaram a governar na igreja apóstata imperatrizes, as que por certo foram as mais influentes implantadoras da adoração à imagens, e em Roma, os eclesiásticos eram os ricos, os corrompidos cortesãos, os sábios, os mecenas. O pontífice não se conformou com ser "bispo universal" e cabeça do que eles afirmavam ser a igreja de Jesus Cristo, senão que entra em uma etapa em que afirma ser governador sobre as nações, por cima dos reis e imperadores. Há de se levar muito em conta que esses personagens não necessariamente se convertiam a Cristo de maneira individual, por convicções pessoais e por revelação do Pai, senão por princípios e razões culturais, e como conseqüência seu nome era escrito somente no registro civil. É uma época em que Satanás se oculta atrás de um disfarce, mesclando sutilmente o paganismo babilônico com o cristianismo, usando homens que " se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. " (Mt. 7:15).Com Gregório I, o Grande (590-604), um dos administradores mais capazes do papado romano, se inicia o período de crescimento do poder papal, quem se preocupou pela conversão dos pagãos das nações na Europa, e trazer à fé ortodoxa aos arianos das tribos bárbaras dos godos e visigodos. Era filho de Gordiano, rico senador romano, e Silvia, também da família patrícia e descendente direta do papa Félix IV, a qual foi mais tarde canonizada. Gregório colocou as bases para o poder temporal ou político que o papado romano exerceria na Europa ocidental nas seguintes nove centúrias, e fez os preparativos para fazer do pontificado o virtual governante na província que rodeava Roma, em uma época em que começava o expansionismo da ingerência do papado em política; além disso, Gregório Magno desenvolveu e impulsionou certas doutrinas, como a adoração às imagens e a transubstanciação. A respeito das imagens, é bom conhecer a sutileza empregada por Gregório Magno para introduzir e avalizar este costume reprovado pelas Escrituras. Diz uma parte de uma carta enviada por Gregório a Ciríaco, abad do monastério de São André, nas Gálias: «Em nome de Jesus Cristo, querido irmão nosso, louvamos o zelo que haveis mostrado rompendo as imagens, e aplaudimos que hajais arrojado do templo os ídolos fabricados pelas mãos dos homens, toda vez que usurpam a adoração devida unicamente à Divindade. Isto não obstante, vosso ardor os têm lançado longe; vós, com algumas mutações, devíeis transformar os ídolos em imagens de nossos mártires, e conserva-las em nossos templos. Porque é de se saber que é permitido colocar quadros nas igrejas a fim de que as pessoas simples conheçam os divinos mistérios de uma religião, que não pode estudar nos livros» (Maurício de Chatre. História dos Papas e os Reis. Tomo I, pág. 397. CLIE, 1993). De maneira, pois, que encheu os templos de quadros e ornamentos preciosos, e trouxe o brilho e a pompa nas cerimônias religiosas, chegando inclusive a transigir com as crenças das nações idólatras, introduzindo seus ritos e seus dogmas nos costumes do cristianismo. A respeito dos antigos templos pagãos, vemos uma pequena parte de uma carta dirigida por Gregório a Agostinho, apóstolo da Inglaterra: «Guarda-os muito de destruir estes edifícios; basta romper os ídolos que contém, e purificar seu interior com água benta. Podereis em seguida levantar altares cristãos, e colocar as relíquias debaixo das santas abóbadas. Recorda, também, que é preciso desterrar ao demônio dos monumentos de seu culto, mas sem que se destrua estes últimos; ao conservar-lhes sereis úteis à causa de Deus, pois os pagãos, cujos pés mancham com freqüência os ladrilhos destes templos, chegarão a converter-se, ainda que não seja mais que para orar nos lugares onde estavam costumados a dirigir súplicas aos deuses; e os que tem o costume de imolar vítimas ao inferno, abandonarão seus ímpios sacrifícios pelo esplendor de vossas cerimônias» (Ibid. pág.401). Se interessou pela música litúrgica, compilando-a, fazendo decisivas modificações e ditando o que havia sido escrito em tempos passados, música conhecida até a atualidade como canto gregoriano.Gregório o Grande divulgou a doutrina do purgatório, que havia tomado de Agostinho, ensinando que o purgatório é um estado, um fogo, no qual os cristãos são purgados de seus pecados levianos antes do juízo final.*(2) De acordo com o enfoque doutrinal sobre o batismo em sua época, ensinava que os homens têm que arrependerem-se de pecados cometidos depois do batismo. Assim mesmo ensinava que a contrição dos homens por seus pecados condicionava o perdão de Deus, e que as obras de penitência aliviam e limpam o peso da culpa, livrando da disciplina do purgatório. Introduzido o valor das missas como ajuda pelas almas que estiverem no purgatório. Também ensinou que as missas e a ajuda dos mártires e santos em qualidade de advogados servem para aliviar a disciplina prescrita para os cristãos vivos que se arrependem de seus pecados pós-batismais, invalidando a Palavra de Deus que textualmente diz: " Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, " (1 Tm. 2:5). Estes ensinamentos torcidos do catolicismo romano constituíram as bases para o posterior comércio de indulgências.
*(2) Diz Chàtre a seguinte pérola, na obra citada, pág. 400: «Descobrimento do novo mundo Purgatório. Alimentado pela leitura dos autores latinos, (Gregório) havia aprendido de Virgílio "que as almas humanas se achavam encerradas na prisão obscura do corpo, onde adquiriam uma mancha carnal, conservando um resto de sua corrupção, mesmo depois de emancipar-se de sua existência mundana". O poeta havia dito: "Para purificar-se as faz sofrer vários suplícios: a umas estão suspendidas no éter, e são brinquedos das tempestades; as outras expiam seus crimes no abismo das águas; a chama devora as mais culpáveis, e nenhuma se acha isento de castigo. Existem algumas almas situadas nos Campos Elíseos, onde aguardam que os anos as purifiquem das manchas de sua existência terrestre, e lhes devolvam sua primitiva pureza, essência suprema, emanação divina. Depois de haver cruzado muitos séculos em tão ignorada estância, as almas a deixam, e Deus as chama às margens do Lethe ( um dos cinco rios do Hades na mitilogia grega)". O Purgatório foi conquistado pelo Papa: tem sido a grande América. Em seus diálogos e em seus salmos da penitência, Gregório se expressa nestes termos: "Quando se têm emancipado de sua prisão terrestre, as almas culpáveis são condenadas a suplícios cuja duração é infinita; as que no mundo só tem cometido algumas faltas ligeiras, alcançam a vida eterna depois de haver-se regenerado em chamas purificadoras..." Outro descobrimento fez o sábio Papa: a transubstanciação do paganismo no cristianismo».

sábado, 22 de setembro de 2007

Edito de tolerância

APÊNDICE DO CAPÍTULO III - PÉRGAMO
EDITOS IMPERIAISRESPEITO DA SORTE DA IGREJA
EDITO DE MILÃO (EDITO DE TOLERÂNCIA)
(A maneira de carta ao governador da Nicomédia, ano 313)


"Eu, Constantino Augusto, e eu também, Lúcio Augusto, reunidos felizmente em Milão para tratar de todos os problemas que afetam a segurança e o bem estar público, temos crido que nosso dever é tratar junto com os restantes assuntos que, vejamos mereciam nossa primeira atenção para o bem da maioria, tratar, repetimos, daqueles que nos enraíza o respeito da divindade, a fim de conceder tanto aos cristãos como a todos os demais, a escolha de seguir livremente a religião que cada qual queira, de tal modo que toda classe de divindade que habite a morada celeste nos seja propícia a nós e a todos os que estão abaixo de nossa autoridade. Assim pois, temos tomado esta saudável e retíssima determinação de que nada lhe seja negada à facultatividade de seguir livremente a religião que têm escolhido para seu espírito, seja a cristã ou qualquer outra que creia mais conveniente, a fim de que a suprema divindade, a cuja religião rendemos esta livre homenagem, nos preste seus acostumados favores e benevolência. Pelo qual é conveniente que tua excelência saiba que temos decidido anular completamente as disposições que te têm sido enviadas anteriormente a respeito ao nome dos cristãos, já que nos pareciam hostis e pouco próprias de nossa clemência, e permitir de agora em diante a todos os que queiram observar a religião cristã, fazê-lo livremente sem que isto lhes imponha nenhuma classe de inquietude e moléstia.Assim pois, temos crido que é nosso dever dar a conhecer claramente estas decisões a tua solicitude para que saibas que temos outorgado aos cristãos plena e livre facultatividade de praticar sua religião. E ao mesmo tempo que lhes temos concedido isto, tua excelência entenderá que também aos outros cidadãos lhes há sido concedida a facultatividade de observar livre e abertamente a religião que hajam escolhido, como é próprio da paz de nossa época. Nos têm impulsionado a manifestar assim o desejo de não aparecer como responsáveis de minguar, em nada, nenhuma classe de culto nem de religião. E, além disso, pelo que se refere aos cristãos, temos decidido que lhes sejam devolvidos os locais onde antes costumavam se reunir e acerca do qual te foram, anteriormente enviadas instruções concretas, já sejam propriedade de nosso fisco ou hajam sido comprados por particulares, e que os cristãos não tenham que pagar por eles nenhum dinheiro de nenhuma classe de indenização. Os que receberam estes locais como doação devem devolvê-los também imediatamente aos cristãos e, se os que têm comprado ou os que receberam como doação reclamam alguma indenização de nossa benevolência, que se dirijam ao vigário para que em nome de nossa clemência decida acerca dele.Todos estes locais devem ser entregados por intermédio teus e imediatamente sem nenhuma classe de demora à comunidade cristã. E como consta que os cristãos possuam não somente os locais onde se reuniam habitualmente, senão também outros pertencentes a sua comunidade, e não possessão de simples particulares, ordenamos que como fica dito acima, sem nenhuma classe de equívoco nem de oposição, lhes sejam devolvidos a sua comunidade e a suas igrejas, mantendo-se vigente também para estes casos o exposto mais acima, de que os que fizerem esta restituição gratuitamente possam esperar uma indenização de nossa benevolência.Em todo o dito anteriormente deverás prestar o apoio mais eficaz à comunidade dos cristãos, para que nossas ordens sejam cumpridas o mais rápido possível e para que também nisto nossa clemência vele pela tranqüilidade pública. Deste modo, como já temos dito antes, o favor divino que em tantas e tão importantes ocasiões nos têm estado presente, continuará a nosso lado constantemente, para êxito de nossas empresas e para prosperidade do bem público. E para que o contido de nossa generosa lei possa chegar ao conhecimento de todos, convenha que tu a promulgues e a exponha por todas as partes para que todos a conheçam e nada possa ignorar as decisões de nossa benevolência." A esta carta, que foi exposta para conhecimento de todos, acrescentou de palavras vivas recomendações para restabelecer em seu estado primitivo os lugares de reunião. E deste modo desde a ruína da Igreja a seu restabelecimento transcorreram dez anos e ao redor de quatro meses.LACTANCIO: De mortibus persecutorum (c. 318-321)

EDITO DE TESSALÔNICA
(Teodósio, ano 380)

Queremos que todas as gentes que estão subordinadas a nossa clemência sigam a religião que o divino apóstolo Pedro pregou aos romanos e que, perpetuada até nossos dias, é o mais fiel testemunho das pregações do apóstolo, religião que seguem também o papa Damáso e Pedro, bispo de Alexandria, varão de notável santidade, de tal modo que segundo os ensinamentos dos apóstolos e as contidas no Evangelho, cremos na Trindade do Pai, Filho e Espírito Santo, um só Deus e três pessoas com um mesmo poder e majestade. Ordenamos que de acordo com esta lei todas as gentes abracem o nome de cristãos e católicos, declarando que os dementes e insensatos que sustentam a heresia e cujas reuniões não recebem o nome de igrejas, têm de ser castigados primeiro pela justiça divina e depois pela pena que leva inerente o não cumprimento de nosso mandato, mandato que provém da vontade de Deus. CODEX THEODOSIANUS, XVI, 1-2. Edição Th. Momsen. Berlín, 1905

DECRETOS DE TEODÓSIO
(Imperador entre 379-395)


Que nada dedique a menor atenção aos maniqueístas nem aos donatistas, que segundo nossas notícias não cedem em sua loucura. Que haja um só culto católico e um só caminho de salvação e que se adore somente a sagrada Trindade uma e indivisível. E se alguém se atreve a se mesclar com estes grupos proibidos e ilícitos e não respeitar as ordens das inumeráveis e anteriores disposições, e da lei que faz pouco promulgou nossa benevolência, e se reunir com estes grupos rebeldes, não há duvida que têm de ser rapidamente extraídos os dolorosos aguilhões que promovem esta rebelião. CODEX THEODOSIANUS, XVI, 5 (ano 405)
Ordenamos que o edito que nossa clemência dirigiu às províncias africanas acerca da unidade, seja proclamado por todas as restantes para que todos saibam que se há de manter a única e verdadeira fé católica do Deus onipotente no que a reta fé popular crê.CODEX THEODOSIANUS, XVI, 11 (ano 405)
Ordenamos que os donatistas e hereges, aos que nossa paciência têm tolerado até agora, sejam castigados severamente pelas autoridades competentes até o ponto de que as leis os reconheçam pessoas sem facultatividade de declarar ante aos tribunais nem negociar transações nem contratos de nenhuma classe, senão que, como a pessoas marcadas com uma eterna desonra, se lhes afastará da sociedade das pessoas decentes e da comunidade de cidadãos. Ordenamos que os lugares em que esta terrível superstição se há mantido até agora, voltem ao seio da venerável Igreja católica e que seus bispos, presbíteros e toda classe de clérigos e ministros sejam privados de todas suas prerrogativas e sejam conduzidos exilados cada um a uma ilha ou província distinta. E se algum destes fugir para escapar deste castigo e alguém o ocultar, saiba a pessoa que o oculta que seu patrimônio passará ao fisco e que ele sofrerá o castigo imposto àqueles. Vamos impor também multas e perda de patrimônios a homens, mulheres, pessoas particulares e dignidades, a cada qual a multa que lhe pertencer segundo sua categoria. Todo que pertença a ordem procônsular, ou seja, substituto do prefeito do pretório ou pertença à dignidade de centurião da primeira corte, se não se converter à religião católica se verá obrigado a pagar 200 libras de prata que passarão a engrossar os fundos de nosso fisco. E para que não se pense que só com isto uma pessoa pode ver-se livre de toda acusação, ordenamos que pague esta mesma multa todas as vezes que se demonstre e confesse haver voltado a ter tratos e simpatizar com tal comunidade religiosa. E se uma mesma pessoa chegar a ser acusada cinco vezes e as multas não forem suficientes para afastá-la do erro, então se apresentará ante o nosso tribunal para ser julgada com maior rigor; se lhe confiscará a totalidade de seus bens e se verá privada de seu estado jurídico. Nestas mesmas condições fazemos incorrer em responsabilidade aos restantes magistrados, a saber: se um senador, que não esteja protegido externamente por alguma prerrogativa especial de dignidade, é achado na seita dos donatistas, pagará como multa 100 libras de prata, os sacerdotes de províncias se verão obrigados a pagar esta mesma soma, os dez primeiros decuriões*(1) de um município abonarão cinqüenta libras de prata e os restantes dos decuriões dez libras de prata. Estas serão as multas para todos aqueles que preferiram continuar no erro. Os arrendatários de imóveis do Estado, se tolerarem nelas o uso e manejo de coisas ou cerimônias sagradas, se verão obrigados a pagar de multa a quantidade que vêm pagando pelo aluguel do imóvel. Também os enfiteutas*(2) estarão submetidos ao cumprimento desta lei religiosa. Se os arrendatários de pessoas particulares permitirem reuniões nos imóveis ou tolerarem a profanação de cerimônias religiosas, se informará a seus donos destes feitos através dos juizes e os donos poderão, no máximo interesse, se querem ver-se livres do castigo desta ordem em que se emendem, e em caso contrário, se perseveraram no erro, os despedirão e porão na frente de seus Imóveis, administradores que velem pelos sagrados preceitos. E se não se preocupam disto serão multados também na quantidade que vêm recebendo como arrendamento dos Imóveis, de tal modo que o que podia engrossar suas ganâncias passará a aumentar os fundos do sagrado erário público. Os servidores de juizes vacilantes na fé, se forem achados neste erro pagarão de multa trinta libras de prata e se, multados por cinco vezes, não quiseram apartar-se deste erro, depois de serem açoitados serão feitos escravos e mandados ao exílio. Aos escravos e colonos um severo castigo os afastará de tais atos de audácia. Mas se depois de castigados com açoites persistirem em seu propósito, terão que pagar como multa a terceira parte de seu pecúlio. E todo o que se possa reunir das multas desta classe de homens e destes lugares, passará em seguida a engrossar os fundos para a distribuição de donativos com destino religioso.
CODEX THEODOSIANUS, XV, 5,5 (ano 425)
*(1) Os decuriões aqui eram os que governavam nas colônias ou municípios romanos, a modo dos senadores de Roma.
*(2) Enfiteutas eram as pessoas a quem se lhes cediam mediante contrato o domínio útil de um terreno, rústico ou urbano, mediante o pagamento de um cânon.

III- Pérgamo ( 3ª Parte )

Capítulo III
P É R G A M O
(3a parte)

Jerônimo Sofrônio, Eusébio (340-420). Nascido em Estridon, perto de Aquiléia (noroeste da Itália), de pais cristãos, dos chamados pais latinos, considera-se que foi o mais erudito. Estudou em Roma literatura (grego e latim), retórica e oratória, mas preferiu a vida monástica, próximo ao ascetismo, vivendo, entre outros lugares, por muitos anos em um monastério que estabeleceu em Belém, no entanto, não foi um homem humilde, pois se distinguiu por ser intolerante com seus críticos. Por muito que se esforçava, o temperamento de Jerônimo não estava formado para a vida de ermitão. Quando era jovem, com Rufino de Aquiléia, aos domingos costumava traduzir as inscrições cristãs nas catacumbas. Viajou às Gálias relacionando-se com os monges de Tréveris; Quando voltou permaneceu um tempo com um grupo de ascéticos e aprendeu hebreu, se aperfeiçoou no grego, para logo ir a Antioquía, onde foi ordenado presbítero, e Constantinopla na época do concílio ecumênico do ano 381, onde parece ter estudado com Gregório Nazianzo e Gregório de Nissa. De volta a Roma chegou a ser secretário do bispo Damaso, quem lhe sugeriu a tradução da Bíblia, tarefa que mais tarde praticou em Belém. Sua obra mais conhecida é a Vulgata Latina, versão da Bíblia dos originais hebreu e grego (sem usar a Septuaginta) no latim popular, que é a mesma Bíblia oficial do sistema católico romano. Para desenvolver este trabalho usou a hexápla de Orígenes, e se negou a incluir os livros apócrifos no cânon, e os traduziu colocando uma nota declarando que não os havia encontrado entre os livros sagrados hebreus, declarando que suas traduções foram feitas só para servir como leitura edificante e informação histórica. A versão da Vulgata não é fiel em numerosas passagens devido ao fato que Jerônimo ignorava muitos dos códices e manuscritos que foram descobertos posteriormente, e traduziu em algumas partes, mudando totalmente o original. Tomou parte em controvérsias teológicas relacionadas com Vigilâncio, Orígenes, Pelágio, Joviniano, seu antigo amigo Rufino e até com Agostinho de Hipo. Além da Vulgata, Jerônimo escreveu muitas cartas, escritos históricos, obras polêmicas e comentários bíblicos, assim como escritos biográficos, como a Vida de São Paulo o Ermitão. Também escreveu Viris Ilustris (Varões ilustres). Deve se ter em conta que a hagiografia é o estilo de biografia que tenta representar à pessoa como um herói da fé. Morreu em Belém, ali onde havia passado os últimos trinta e quatro anos de sua vida.

João Crisóstomo (345-407), chamado por sua grande eloqüência a boca de ouro. Nasceu em Antioquia de pais fervorosamente cristãos. Sua hábil oratória talvez se deva a que em um princípio se preparava para a carreira de advogado, pois adiantou estudos de filosofia e retórica com o célebre professor pagão Libanius e também com Diodoro de Tarso. Foi batizado ao redor dos vinte e cinco anos, chegando a ser frade, pois antes que bispo foi um monge. Mais tarde, ao ser ordenado, se destacou como um grande pregador ardente e eloqüente, a tal ponto que a pedido do mesmo imperador foi feito bispo de Constantinopla em 398. Na oratória era um gigante por cima dos gigantes. Desde ali enviou missionários às terras dos bárbaros, mas foi desterrado por haver combatido, desde o púlpito da basílica de Santa Sofía, o vício entre o clero e o laicato rico, por seu zelo transformador, fidelidade e independência, que causaram choques com a imperatriz Eudóxia, esposa do imperador Arcádio.Se destacou também por sustentar o meio mais eficaz de influir na conversão dos demais era dando exemplo de uma autêntica vida cristã. Na oratória expressava oralmente sua própria vida, sendo o púlpito o melhor lugar onde batalhava contra os poderes do mal. "Não havia mais pagãos, se nós fossemos verdadeiros cristãos", costumava dizer. Dele se conta que empreendeu a destruição dos templos pagãos em Alexandria aos finais do século quarto, pois se conta que suas célebres homilias das "estátuas" foram causa de grandes ações iconoclastas ( aquele que destrói imagens). Nessa cidade também converteu ao Serapeo (grande santuário de Serapis) em templo cristão. Influenciado pelas idéias pelagianas, João Crisóstomo insistia em que os homens podem escolher o bem, e ao fazê-lo, a graça de Deus vem em sua ajuda a fim de fortalecê-lo para fazer a vontade de Deus. Morreu no exílio em 407 o homem que falava palavras de ouro, porque falava o que era de Deus.

Agostinho de Hipo. Nasceu em Tagaste, pequena cidade romana de Numídia (hoje Argélia), África do Norte (354-430), de mãe cristã (Mônica) e pai pagão. Entre os dados biográficos queremos ressaltar que sendo jovem, Agostinho recebeu instrução cristã abaixo da influência de sua devota mãe, sem que chegasse a se batizar, foi dito a ele que pela mencionada crença entre seus contemporâneos de que o batismo lavava os pecados cometidos antes de ser administrado. Pela leitura de Hortensius, de Cícero, o famoso orador da era clássica romana, Agostinho foi atraído pela filosofia e o pensamento helenístico em general, especialmente pelo neoplatonismo e a influência do epicúreo, céptico e eclético, mas na filosofia não encontrou a resposta aos grandes problemas da existência e aos interrogantes da vida.Fiel a suas idéias lógicas e racionalistas se decidiu então pelo maniqueísmo, movimento que lhe apresentava uma explicação da dicotomia do mal e do bem, do que também se separou, pois tampouco lhe satisfizeram suas inquietudes intelectuais. Exerceu como mestre de retórica em Cartago, Roma e eventualmente em Milão, onde conheceu e foi influenciado por Ambrósio, bispo da cidade. A princípio se interessou em escutar a Ambrósio só por motivos didáticos, mas pouco a pouco além do estilo e a retórica, Agostinho foi se interessando pelo contido dos sermões. Foi encontrando as respostas que não havia visto na filosofia helenística nem no maniqueísmo, e determinou estudar de novo a Bíblia. Mas Agostinho continuava com a mesma impotência para controlar seus impulsos da carne, que o haviam caracterizado desde sua adolescência, época em que, antes de que completasse os dezoito anos, em Cartago uma concubina lhe deu um filho, a quem chamou Adeodato, que significa, "dado por Deus". Um dia Agostinho se afastou do grupo de seus jovens amigos a um recanto de um agradável jardim, outros dizem que o certo era que estava esperando uma mulher casada, e achando-se em uma luta de consciência, lhe pareceu escutar uma doce voz que lhe dizia: "Toma, lê", vendo frente a si um exemplar da epístola de Paulo aos Romanos, “Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes;
14 mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências.” (Ro. 13:13-14).Tudo isto foi precipitando sua conversão, e o dia 25 de abril de 387, ele e Adeodato foram batizados por Ambrósio. Uma vez superados os conflitos da carne, Agostinho manifestava que lhe persistia o problema do orgulho, mas regressando a África se aplicou no estudo da Bíblia e chegou a ser um escritor prodígio, deixando uma obra literária de quase cem livros. Foi bispo em Hipo desde o ano 395 até sua morte em 430. Há consenso em que depois de Paulo, foi o cristão de maior, mais profunda e prolongada influência sobre o cristianismo de Europa ocidental, em especial por haver sido um ubérrimo escritor que enriqueceu a Igreja, particularmente no ocidente, com esse grande depósito que havia recebido dos aportes das escolas de Alexandria, Antioquía, e outras, mesmo que padeceu de alguns erros, fruto de sua formação helenística.Agostinho sustentava que no princípio os anjos e homens foram criados racionais e livres e que antes da queda não existia mal em nenhuma parte da criação, rebelando-se contra o princípio mal dos maniqueístas. Agostinho sustentava que a capacidade para a livre eleição racional é simultaneamente um dom de Deus destinado para o bem do homem, como também seu maior perigo, e o tinha como a qualidade mais elevada do homem. Por seu fundo neoplatônico, sustentava a crença que as criaturas dotadas de livre arbítrio racional (anjos e homens) podem existir sem serem malvados, mesmo só eles podem ser malvados; e que Adão, empregando essa capacidade de livre eleição racional, caiu em pecado e passou o mal a toda a raça humana.Ensinava a si mesmo que a raiz do pecado humano é o orgulho, o amor próprio, o desejo da criatura de colocar-se no centro, desprezando ao Criador, o querer fazer sua própria vontade em vez da de Deus. E cria, além disso, que depois da queda o homem é totalmente incapaz de levantar-se de sua degradação por seu próprio esforço. O homem se concentra tanto em si mesmo, que é incapaz de escolher a Deus, e que só podemos ser resgatados mediante um segundo nascimento, mediante um novo pacto de Deus. Agora, embaixo do cativeiro do pecado e da morte, a liberdade só pode vir pela graça de Deus, a qual estava em Cristo, plenamente Deus e plenamente homem; o segundo Adão, com o qual Deus começou de novo, mas equiparava os sacramentos com a Palavra, como meios para alcançar a graça, ainda que afirma que a mera participação nos sacramentos não nos faz membros da verdadeira igreja. Mas se inclinou pelo batismo das crianças, dizendo que se em Adão todos temos pecado, as crianças nascem merecedores do inferno e perecem se não são batizados. Tomava Agostinho o ato sexual como transmissor do pecado original, por quanto acarreta concupiscência, que para ele era a essência do pecado original. Foi tão profunda a influência exercida por Agostinho na Igreja, que se pode dizer que durou cerca de mil anos, tempo em que era obrigada a consulta por todos os estudiosos de teologia. Escreveu sobre teologia cristã englobando diversos temas como a hermenêutica, a exegese, história, filosofia, etc.., e seus escritos foram citados constantemente pelos reformadores para defender a doutrina da graça e a segurança da salvação. Agostinho, citando a São Paulo, afirmava a predestinação, convencido de que todos os homens ao participar do pecado de Adão merecem o juízo, mas Deus pelo puro afeto de sua vontade, e para louvor da glória de sua graça, resolveu predestinar a alguns para salvação, sem ter haver com méritos humanos; que o número dos predestinados é fixo, e todo o que é predestinado se salva. De acordo com Agostinho, a graça é efeito da predestinação, mas não será que a predestinação é produto da graça? Calvino, Lutero e outros reformadores costumavam cita-lo constantemente. Entre os livros mais famosos e lidos deste gênio do cristianismo, relacionamos: * Confissões, obra autobiográfica, um comovedor e profundo registro das lutas e as peregrinações da alma humana. Nesta obra interpreta seu passado desde a morte de sua mãe Mônica, e onde sem consideração se acusa a si mesmo, e onde usa uma filosofia cheia de controvérsias, sobre tudo contra os maniqueístas. * De Civitate Dei (A Cidade de Deus), obra escrita no ano 412 e que consta de 22 livros, a maneira de uma interpretação filosófica da história e de todo o drama humano. Provocado Agostinho pelo saqueio de Roma por parte de Alarico e seus godos em 410.
Todavia existia um forte número de pagãos no território imperial, esta obra era uma contestação em seu momento aos que acusavam ao cristianismo como responsável da queda de Roma nas mãos dos bárbaros, e de ser culpáveis de debilitar a antiga força do Império Romano. Que Roma havia caído por haver abraçado ao cristianismo e haver abandonado os antigos deuses que a haviam engrandecido e a enchido de poder.
Na trama do livro, Agostinho contrasta a história paralela de duas cidades, cuja construção se baseia nos princípios opostos. A cidade de Deus, fundada sobre o amor de Deus, e uma oposta, a cidade terrena fundada sobre o amor a si mesmo, e que entre ambas há uma guerra sem quartel. Na história da humanidade aparecem reinos e nações fundados sobre o amor a si mesmo, e que não são senão expressões da cidade do mundo, até que chegue o tempo em que sucumbam, só subsista ao final a cidade de Deus. Isso ocorreu a Roma em sua oportunidade. Na história paralela se aprecia o contraste em Abel e Caim, Jacó e Esaú, Jerusalém e Babilônia, a Igreja e o Império Romano. Resulta supremamente interessante fazer alguns comentários sobre esta obra. Temos estado analisando neste capítulo esse período matrimonial da Igreja com o Estado, chamado Pérgamo. Os gregos consideravam a história como uma série interminável de ciclos repetitivos, e em contraste, Agostinho, com base escrituraria, sustentava que a história teve seu princípio e terá seu fim. Seus contemporâneos contemplavam a queda de Roma com profunda angústia, pois viam no Império Romano e seu "divino" governante como o sustentador da unidade social. Por contraste, Agostinho visava essa carnificina com esperança, no convencimento de que o domínio secular havia de ser recomeçado por uma melhor ordem das coisas, estabelecido por Deus. Nesta linha de pensamento meditava Agostinho arrancando desde o Gênesis, e via a cidade terrena tipificada por Caim e a celestial por Abel, como o que a Palavra de Deus designa como a luta entre as duas sementes, a da mulher, Cristo, e a da serpente, Satanás. De acordo com Agostinho, a cidade terrena foi construída com base no egoísmo e o orgulho, e a celestial é dominada pelo amor de Deus, o qual desterra todo egoísmo. Agostinho Considera que a cidade terrena não é mal de todo, por quanto Babilônia e Roma, suas representantes por excelência, mesmo que com governos que cuidando de seus próprios interesses, haviam trazido paz e ordem. Em Quanto à celestial, que neste aspecto se confundem com o reino de Deus, os homens entram nele aqui e agora, pois está representada eventualmente pela Igreja, o Corpo de Cristo, mesmo que Agostinho visava melhor o ponto de vista da organização visível da Igreja em seu tempo, por quanto ele apresentava que a cidade terrena tendia a decair a medida que cresceria a celestial. Seguramente que alguns destes pontos de vista foram em sua oportunidade mal interpretados com conseqüências desastrosas. * Da Trindade* Contra acadêmicos.* De Beata Vita (Da vida feliz).* Soliloquia ( monólogo).* Inmortalitate animæ (Da Imortalidade da alma).* De Genesi (De Gênesis).* Contra Manichæos (Contra os maniqueístas).* De libero arbitrio (Do livre arbítrio). Obra na que contradiz aos maniqueístas e sai em defesa do livre arbítrio.* De vera religione (Da verdadeira religião).* Obras anti-pelagianas e as anti-donatistas. Durante a época de seu pastorado, Agostinho enfrentou com habilidade aos donatistas como aos pelagianos.Conforme a época histórica que lhe tocou em graça viver, Agostinho conservou um moderado lugar intermediário entre o bando que se misturou totalmente com o Estado e sua influência pagã, e o outro extremo dos que optaram por retirar-se ao deserto e à vida ascética.Com Agostinho se inicia una nova orientação doutrinal, tendente à subordinação da Igreja ao poder temporal. De acordo com os propósitos de Deus, o homem necessita reconciliar-se com Ele através da justificação pela obra de Jesus Cristo. Agostinho orienta sua teologia de tal maneira que passa sem transição da idéia paulina de justificação à jurídica da justiça, e isto encerra a idéia de realizar justiça orientada à justificação. Esta orientação filosófica das doutrinas paulinas admitiu que legitimamente a sociedade organizada tinha direito de exigir a obediência do cristão, alegando sua origem divino e por estar regida pela providência. Com base nestas explicações, seus discípulos terminaram por absorver o Estado na Igreja. Mais tarde se veriam os abusos, e sairia a palestra da teoria das duas espadas, a espada do poder temporal e a do poder espiritual, do papa Gelásio (492-96), afirmando a superioridade pontifícia, seguido pelo trânsito as teses do agostinismo político defendido por Gregório Magno (590-604). A nova igreja ia pouco a pouco construindo uma torre mais alta, mas na confusão terrena. A igreja apóstata reclamaria definitivamente o direito de governar tanto na esfera religiosa como na política.

Heresias em Pérgamo

Desde seus primeiros dias, a Igreja havia sido cenário de controvérsias teológicas, como as dos judaizantes, os gnósticos e outras doutrinas semelhantes. Mais tarde, nos tempos de Cipriano, o bispo de Cártago, a questão da restauração dos apóstatas. Depois de promulgado o Edito de Tolerância, se propagaram novas idéias que perturbavam as igrejas cristãs, e se desenvolviam as iniciadas nos períodos anteriores. Ao largo da presente obra fazemos ênfases na influência do neoplatonismo sobre a cristalização das doutrinas cristãs, a qual enfatizava ao espírito as custas do sofrimento carne. Ai temos, por exemplo, o monofisismo, doutrina que menosprezava o elemento humano em Cristo, mas que teve mais aceitação no oriente que no ocidente. Os monofisitas diziam que Cristo só tinha uma só natureza, a divina. Uma das principais heresias desenvolvidas na época foi o arianismo; e disse Eusébio de Cesaréia, em sua obra História Eclesiástica, que ao imperador Constantino lhe interessava um cristianismo unido, pois qualquer cisma ameaçaria a unidade do Império. E impulsionou a convocação a um Concílio em Nicéia (325) para solucionar o problema do arianismo, e esmagar as inerentes diferenças de opinião, e em conseqüência foi aprovado o chamado Credo de Nicéia, que constitui uma confissão de fé cristológica. De acordo com o espírito da época, quem não aceitava as decisões do Concilio, foram desterrados, porque a diferença dos períodos anteriores, nos quais se descobria a verdade mediante o debate teológico e a autoridade da Palavra de Deus, já em tempos da Igreja comprometida com o Estado, era a autoridade imperial e a intriga política a que definia, em última instância, esta classe de controvérsias.

Donato e o donatismo. Como se havia dado no século III com Novaciano com motivo de certas práticas morais vistas como rejeitadas na Igreja e pelo tratamento benigno dado aos que haviam negado a fé em tempos de perseguições. Nos começos do IV surge uma reação cismática depois da perseguição iniciada com Diocleciano, e que toma seu nome de Donato de Casa Negra, nativo em Numídia (norte de África) e pastor em Cártago em 305, mas que esteve encarcerado por seis anos durante essa perseguição. Registram-se outras causas de origem político, social e econômico na região da África proconsular e Numídia para que acontecesse o cisma donatista, mas para nosso propósito no presente trabalho só citaremos o seguinte. Em Cártago simultaneamente foram consagrados dois bispos, mas os seguidores de Donato não reconheciam a Ceciliano por haver sido consagrado por três bispos indignos, pois haviam chegado a entregar as Escrituras às autoridades imperiais para sua destruição nos tempos de perseguição. O bispado de Donato foi considerado ilegítimo por usurpador por Constantino e pelos bispos das cidades importantes, entre eles o de Roma.Por outro lado, entre os que não estiveram de acordo com o giro dado pela Igreja a raiz da política e do Império que a manipulava, uns optaram por ir como ermitãos ao deserto, mas outros como os donatistas, insistiam na pureza da Igreja, proclamando sua separação do Estado. Ao não dar-se a essa separação, se protocolizou o cisma, e chegou o momento em que chegaram os donatistas a ter uns 276 bispos. Levemos em conta que os primeiros donatistas não se opunham necessariamente ao Império em quanto império, senão em quanto "mundo", e não vieram a desaparecer completamente, pelo menos até o século VII, pelo avanço do islamismo no norte da África. Agostinho de Hipona teve sérios enfrentamentos com os donatistas, pois estes enfatizavam muito a santidade e a necessidade de que o sacerdote fosse uma pessoa santa, insistindo que um sacerdote indigno não pode celebrar o sacramento, pois não pode dar o que não tem. Frente a isso, Agostinho sustentava que a eficácia do sacramento não depende da condição moral de quem o administra, senão do dom de Deus. O ministro não dá de si mesmo, senão o de Deus. Claro que o ministro de Cristo deve refletir a Cristo.

Ário e o arianismo. Ário, um presbítero da igreja de Alexandria, e que anteriormente havia vindo das desenvolvidas igrejas do Norte da África. Ao redor do ano 318, foi o iniciador da heresia que leva seu nome ao pregar que Cristo, ainda que superior à natureza humana, havia sido criado, negando, pois, sua eternidade, sua igualdade e unidade com o Pai e o Espírito Santo, tal como o haviam ensinado os apóstolos, e em particular João. Esta controvérsia se estendeu por todas as igrejas. No começo Ário gozou do respaldo da parte de influentes teólogos e dirigentes da Igreja, mas alguns, depois de profundos estudos, e de que o Concílio de Nicéia, em Bitínia, em 325, aprovara a doutrina reta de conformidade com o Novo Testamento, se decidiram pela ortodoxia; entre eles se conta a Eusébio de Cesaréia, historiador eclesiástico, em cujos escritos deixou consignada parte destas datas. Outros foram Ósio, o bispo de Córdoba e Eusébio de Nicomédia, antigo companheiro de Ário. As raízes do arianismo se remontam à época em que mestres da estatura de Justino Mártir, Clemente de Alexandria, Orígenes e Tertuliano apelavam a pequenos postulados da filosofia grega para explicar a existência de Deus, e mostrar a compatibilidade da fé e a filosofia, e de passo despersonificando a Deus, pois um Deus imutável, impassível e estático -segundo a filosofia grega- não podia ser pessoal; originando a si conflitos em quanto ao enfoque da doutrina do Logos o Verbo de Deus, que já aparecia personificado, pois se podia falar. Daqui que o ponto crucial da controvérsia com o arianismo era, o Verbo é coeterno com o Pai ou não? Então estava em jogo a divindade do Verbo. Ário sustentava que o Verbo, ainda antes da criação, havia sido criado por Deus, contrário às Escrituras que afirmam que o Verbo é coeterno e da mesma sustância divina do Pai, sendo um com o Pai e o Espírito Santo, pois o Verbo é Jesus Cristo, e Jesus Cristo é Deus. O arianismo se encaminhava a opor-se ao conceito de um Deus Trino. Ário havia sido desautorizado inicialmente por um sínodo de cem bispos convocados por Alexandre, bispo de Alexandria, seu primeiro oponente; e devido a sua persistência e ante um problema de profundas raízes e sérias controvérsias, intervindo o imperador Constantino e o concilio de uns 318 bispos reunidos em Nicéia, sendo assim condenado o arianismo e Ário foi desterrado pelo imperador. Mas tarde foi perdoado graças a Eusébio de Nicomédia, e morreu quando se dispôs a entrar em Constantinopla. De seus escritos não restou senão duas cartas dirigidas a Eusébio de Nicomédia e a Alexandre de Alexandria, como também fragmentos de sua popular obra Talia. O principal opositor do arianismo foi Atanásio de Alexandria, quem com sua eloqüência e conhecimento teológico afirmava e defendia a unidade do Pai com o Filho, a deidade de Cristo e sua existência eterna, Gerado e não criado, e da mesma natureza, sustância, do Pai. Nos tempos do Concilio de Nicéia Atanásio era só um diácono, e tinha voz, mas não voto; e apesar desse inconveniente logrou que o Concílio, mediante a promulgação do credo niceno condenasse os ensinamentos de Ário. Mas Ário gozava de muito poder e influência política entre as classes mais elevadas, quem o respaldava incluso Constâncio, o filho e sucessor de Constantino. Os arianos convocavam sínodos, se fortaleciam e voltavam os ortodoxos a condenar o arianismo, de tal modo que cinco vezes foi Atanásio enviado ao desterro. Alguma vez um amigo lhe disse: Atanásio, tens a todo o mundo contra você; ele lhe contestou: "Athanasius contra mundum" (Pois, Atanásio contra o mundo). O imperador Teodosio publicou um edito no ano 380 em favor da fé ortodoxa e perseguiu aos arianos, decaindo assim esta heresia no Império. Nos tempos modernos o arianismo tem feito aparição nos chamados "Testemunhas de Jeová".
Apolinário e o apolinarismo. Apolinário (310-390) bispo de Laodicéia, estimulou a controvérsia sobre a natureza de Cristo, afirmando que Cristo não podia ter duas naturezas, a divina e a humana, completas e contrárias, pois a divina era eterna, invariável, perfeita, e pelo contrário, a humana era temporal, finita, imperfeita e corruptível. Afirmava que o homem está formado de alma, corpo e razão; sustentava que se Cristo houvesse tido as duas naturezas, se houvesse tido em si dois seres, com a parte humana poderia ter praticado algum pecado. Curiosamente, Jesus tinha corpo e alma humanas, mas se diferenciava do resto dos seres humanos em que o Logos divino substituiu ao intelecto humano, resolvendo dessa maneira a relação entre o divino e o humano em Jesus.Apolinário estava convencido de haver resolvido um dos mistérios ou enigmas mais irresolúveis, e de haver permanecido fiel à ortodoxia nicena. Apolinário pertencia à escola de Alexandria, a qual havia recebido mais a influência neoplatônica, a diferença da escola de Antioquía, que se inclinava mais ao estudo da história da vida de Cristo, e era afetada pelo pensamento aristotélico. O apolinarismo foi condenado no Concílio de Constantinopla (381), e um dos principais argumentos contra Apolinário foi que Cristo não havia podido redimir àquilo que ele mesmo não possuía, como a mente humana, cabe dizer, se não houvesse sido, além de Deus, verdadeiro homem. Os capadócios se apresentaram em oposição a Apolinário. Gregório Nazianzeno sustentava que para que Cristo pudesse salvar todos os homens, era necessário que tivesse todos os elementos da natureza humana.
Pelágio e o pelagianismo. Pelágio, monge oriundo da Britânia chegou a Roma no ano 410, sustentava que o homem não herda suas tendências pecaminosas de Adão, negando que a depravação fosse inata no homem, senão que cada um escolhe já seja o pecado ou a justiça, acrescentando que cada vontade humana é livre para escolher entre a virtude e o vicio e que Deus deu ao homem a capacidade de obedecer a seus mandamentos; afirmando a si mesmo que o coração humano não se inclina nem ao bem nem ao mal, e cada qual é responsável de suas decisões, e chegou até ao extremo de afirmar que alguns antes de Cristo haviam sido isentos de pecado, por usar seu livre arbítrio. Pelágio era um laico de certa erudição, vida austera e não isenta de ascetismo, e aparentemente escandalizado pela moral dissoluta do meio social romano, os tratava de persuadir, dizendo-lhes que se eles realmente quiserem, podiam guardar os mandamentos de Deus. Entre os que ganhou estava o jovem advogado Celestio, que foi mais longe que seu mestre na expressão de seus desatinos.De acordo com a doutrina pelagiana, a queda de Adão não afetou ao gênero humano. Então o efeito venenoso de Pelágio vai dirigido a desprestigiar a obra de Jesus Cristo, ao afirmar que a finalidade da encarnação do Senhor Jesus Cristo não foi senão ajudar aos homens com seu exemplo e ensinamentos a ser bons e a salvar-se, descartando a redenção por meio de Seu sacrifício na cruz. A si mesmo Pelágio aplicou a idéia de que é necessário batizar-se para a salvação, acrescentando outra heresia anti-bíblica como as demais, de que as crianças que morrem sem se batizar não gozam do mesmo grado de glória que aqueles que têm sido batizados, desconhecendo o propósito e o significado do batismo, e a verdade bíblica de que o reino dos céus é das crianças, mas por contraste os pelagianos negavam "o pecado original". Estas séries de heresias do pelagianismo foram tomando força na cristandade, tanto no sistema católico romano como fora dele, como nas escolas de teologia modernista. Há de se levar em conta que no ano 416, vários sínodos reunidos em Cártago, Mileve (Numídia) e Roma tomaram ação contra esta heresia, mas Zósimo, bispo de Roma (se encontra na lista dos chamados papas) tomou partido a favor de Pelágio e Celestio, e tomou a determinação de condena-los só quando o imperador Honório os desterrou (418). Grande oponente desta corrente doutrinal de Pelágio e seu associado Celestio, foi Agostinho de Hipona, o homem que influiu mais no cristianismo depois do apóstolo Paulo, quem apoiou o ponto de vista bíblico de que Adão representava a toda a raça humana, em cujo pecado se viu involucrada toda a humanidade, e em conseqüência todo gênero humano é considerado culpável. Agostinho compartilhava a si mesmo a asseveração bíblica de que o homem por sua própria eleição não pode eleger a salvação, senão que estava dependente da vontade de Deus, que nos há escolhido desde antes da fundação do mundo para sermos salvos. Em 418, o Concílio de Cártago condenou as idéias pelagianas. A ortodoxia teológica de Agostinho veio a ser normativa na Igreja, e não foi senão até ao redor do ano 1600, em que com Armínio na Holanda, e mais tarde com John Wesley, surgiu outra escola de pensamento em relação com a salvação, afastada da doutrina agostiniana. Tenha-se em conta que depois da morte de Agostinho, a teologia tomou rumo por uma linha considerada como semi-pelagianismo, que teve como resultado que na idade média se seguira mantendo a ênfase na graça de Deus, mas mesclada com o livre arbítrio e a necessidade do homem de cooperar com a graça. E isso se deve em parte ao ponto de vista agostino acerca da liberdade da vontade humana e sua implícita responsabilidade ante a salvação, o qual levou a certos mal entendidos a respeito da predestinação.
Nestório e o nestorianismo (morreu em 451). Filho de pais Persas. Presbítero e frade de Antioquía, que em 428 foi chamado desde seu monastério pelo imperador do Oriente Teodosio II a ser bispo de Constantinopla. Atacou os resíduos dos arianos e nas disputas ao redor da cristologia e em particular da encarnação, criado no meio teológico de Antioquía, se opôs a que a virgem Maria fosse chamada mãe de Deus (Theotokos), preferindo a de mãe de Cristo (Christotokos), dizendo que Maria havia sido só mãe do corpo de Jesus. Se lhe opôs Cirilo, bispo de Alexandria, acusando-o de rebaixar o conceito da divindade do Senhor. A controvérsia circulou no princípio por meio de cartas, logo levado o caso ante o bispo de Roma, foi condenado em assembléia em Roma e Alexandria em 430, e por último no Concílio de Éfeso em 431. E exilou por ordem do imperador a seu convento de Antioquía e mais tarde o grande Oásis do deserto do Egito, onde morreu, derrotado, enfraquecido, depois de sofrer a mingua grande angústia física e mental. Esta controvérsia cristológica foi definida no concílio de Calcedônia. Nestório se opôs à idéia de que o Logos divino pudesse ser envolto em sofrimento e debilidade humana, pois o erro cristológico do nestorianismo consistia em que eles sustentavam que Jesus não havia sido só um homem, que o divino e o humano em Cristo realmente formavam Nele dois seres ou pessoas distintas; ensinando que quem foi concebido e nasceu de Maria foi só um homem, ao qual se uniu voluntariamente outro ser, o Logos de Deus, de tal maneira que Nestório ensinava que Cristo, o Logos era uma pessoa, a divina, e Jesus outra pessoa, a humana, contrariamente à opinião da maioria, que sustentavam que havia em Cristo duas naturezas coexistentes, a divina em quanto Verbo de Deus e a humana por quanto se fez carne, assumindo a natureza humana desde o ventre de Maria, em uma só pessoa (prosopon) e uma substância (hypostasis).A Palavra de Deus declara com clareza que Jesus é o Cristo, uma mesma pessoa.
" quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho. " (1 Jo. 2:22). Nestório ensinava que sobre o homem Jesus descendeu o Logos; mas a Palavra de Deus afirma que "o Logos se fez carne", e que foi "feito semelhante aos homens", como diz Filipenses 2:7. A Bíblia não diz que Cristo descendeu sobre uma carne, senão que se fez carne Ele mesmo.

O maná escondido

" Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe. " (v.17).O que está dizendo o Espírito às igrejas que quer que se ouça? Ele quer que sua Igreja se arrependa e se levante de sua queda. Nesta terra tem seu trono Satanás, o príncipe deste mundo; e o Senhor quer que Sua Igreja, em vez de morar nesta terra, se aparte do mundo, se desligue dos poderes políticos. Mas como a Igreja foi infiel, se casando com o mundo, e não quis dar o passo de voltar às fontes primordiais, então o Senhor se dirige aos crentes individuais a que sejam vencedores; que vençam e se oponham aos enredos satânicos, com seu ensinamento de idolatria e fornicação; que sejam vencedores sobre os que praticam a doutrina de Balaão, guiando aos filhos de Deus à contemporização com o mundo e usando os meios eclesiásticos para “crescer” em proveito próprio; que vençam sobre os que têm rompido a igualdade na Igreja e têm dividido os filhos de Deus em clérigos e laicos com seus ensinamentos da hierarquia; que vençam voltando a Jesus Cristo, o filho de Deus, e o conheçam e lhe obedeçam e tenham plena comunhão no Corpo com o Pai, com o filho e com o Espírito Santo. Na carta à igreja em Pérgamo estão registradas duas promessas para os vencedores. Uma dessas promessas é a do maná escondido que lhes dará o mesmo Senhor. O que é o maná escondido? O maná que os israelitas comeram no deserto era um pão visível e gratuito que o Senhor lhes dava do alto, o qual era um protótipo de Cristo, o verdadeiro pão que desceu do céu. Diz João 6:49-51: " 49 Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram.50 Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça.51 Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. ".E na tipologia do maná veterotestamentario, além disso do maná visível que o povo comia no deserto, houve um maná escondido e que permaneceu em uma vasilha de ouro dentro da arca, no Lugar Santíssimo do templo de Jerusalém, a onde só tinham acesso os da família sacerdotal (Êxodo 16:32-34; Hebreus 9:4). Se no deserto os israelitas recolhiam mais de um gômer por pessoa diário com o fim de guardar, o que guardavam apodrecia, caía vermes e fedia; em contrapartida a porção que haviam guardado em uma vasilha dentro da Arca do Testemunho, essa não apodrecia, era incorruptível, de maneira que esse maná escondido é símbolo de Cristo. Na Igreja todos os crentes têm recebido a salvação e se alimentam de Cristo, mas somente os vencedores da degradação da igreja mundana tenham o privilégio de participar na comida desta parte escondida do Senhor Jesus, não conhecida por todos. Uns buscam o mundo, mas os vencedores não se contaminam com as ofertas mundanas e buscam se alimentar de Cristo, a presença do Senhor no Lugar Santíssimo, uma profunda intimidade com Ele.A outra promessa para os vencedores da igreja em Pérgamo e para todos os que queiram ouvir e vencer, é uma pedrinha branca com um nome escrito, que ninguém conhece, senão a pessoa que o recebe. Agora somos vasos de barro usados por Deus, pois de barro foi feito o homem no Édem, mas na regeneração temos recebido a natureza divina; de barro temos sido convertidos em pedras, é como dizer, em material para a edificação da casa de Deus; e de pedras podemos ser transformados em diamantes (pedras brancas), com um nome novo porque isso designa que já somos pessoas transformadas, novas. Se comemos do maná escondido, somos transformados em pedras brancas. Também se deve ter em conta que nos tempos em que foi escrita esta carta, nas votações, como se usa papel, eles usavam uma pedrinha branca na qual se escrevia o nome do candidato a eleger. Significará isto que o Senhor escolhe o vencedor para algo em especial, significando que ele que está satisfeito com o vencedor?Além disto, Apocalipse 19:12b-13 diz: " tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo.13 Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus; ". Não é fácil sair vitorioso de um meio tão contaminado, onde a maioria dos crentes tem por verdadeiro e bíblico o participar e comer das coisas sacrificadas aos ídolos, ou comercializar as coisas sagradas e pregar por lucro humano, mesmo a custo de induzir ao povo de Deus a pecar. Se te opões a tudo isso, te expões a que te recusem e te excomunguem por herege. Mas a edificação é de Deus, e Ele te converte em uma pedra branca desse edifício quando tu desfrutas de Cristo como tua provisão de vida.

Transição entre Pérgamo e Tiatira.

Há quem defende a opinião de que aqui também Deus converteu este mal em bem, desde o ponto de vista de que a autoridade e o poder imperial serviram para que por meio de autoritários concílios ecumênicos se protegera à Igreja contra a desintegração pelas divisões, pela desobediência de muitos bispos, pela ameaça de muitas heresias e a aparição de ensinamentos errados; mas muitas foram as conseqüências desde que a Igreja aceitou morar na terra e se unir com o mundo. Se foi mesclando o paganismo com o cristianismo. Tudo se foi preparando para a formação do cesaropapismo. Eusébio de Cesaréia descreve com alegria e ar triunfalista a construção de luxuosos templos. Mas, Quais foram os resultados? Evoluiu a liturgia nessas grandes construções, se consolidou uma aristocracia clerical, à altura da imperial e com muitos de seus costumes e sua estruturação social. Como em seu tempo vieram à Constantino o cumprimento da história e do plano de Deus, se deixou de pregar o advento do Reino de Deus e começou a se divulgar uma crença que têm sobrevivido até nossos dias sobre tudo no sistema católico romano e semelhantes, de que o que espera o crente é o de ser transferido em espírito ao reino celestial, e na Igreja se começou a dar ouvidos a esperança do retorno do Senhor para estabelecer nesta terra um Reino de paz e justiça. Esse foi o ponto de vista oficial, e quem regressara ao verdadeiro ponto de vista neotestamentario era condenado por herege. A estrutura social e política que a Igreja imitou do Império ia sendo encaminhada à exigência de um chefe visível. O império era governado por uma autocracia com poderes absolutos. Temos explicado que é a vontade do Senhor que cada igreja local seja supervisada por um grupo de bispos; mais tarde, já a começos do século segundo, emergiu a supremacia de certos bispos regionais com autoridade por cima dos outros a quem seguiam chamando presbíteros. A si mesmo se foram introduzindo bispos de certa categoria em determinadas cidades a quem chamaram metropolitanos e mais tarde patriarcas, como os de Roma, Jerusalém, Antioquía, Alexandria e Constantinopla, entre os quais se suscitavam às duras disputas pelos assuntos da supremacia; até que ao final se a disputavam os patriarcas das duas capitais imperiais, Roma e Constantinopla, pelas razões expostas. O bispo de Roma tomou o título de pai, papá, e por último papa, do grego papas, e reclamava para si autoridade apostólica. Sirício foi o primeiro bispo de Roma que tomou para si o título de papa no século quarto. Mas não foi senão até o século VII no que definitivamente este título se converteu em propriedade dos bispos de Roma. Indubitavelmente que a igreja de Roma havia exercido grande influência como uma coluna nos ensinamentos doutrinários ortodoxo, havia sido pouco contaminada com escolas e idéias heréticas, e tinha em seu haver o estar na sede do principal centro do governo imperial. É assim como o bispo romano, o papa, paulatinamente foi sendo considerado como a autoridade suprema da igreja em geral. Devido ao vasto território imperial, à ambição política de muitos militares, às guerras intestinas ( entre partidos do mesmo povo), aos numerosos crimes políticos, à descomposição dos costumes, ao lazer e progresso material e muitas outras causas. O Império foi se debilitando, as tribos bárbaras foram fazendo incursões e tomando possessão de muita parte de seu território, de tal modo que nas últimas o Império Romano Ocidental ficou reduzido a um pequeno território ao redor da capital. Foi então quando o rei germânico Odoacro e sua pequena tribo dos hérulos, tomou posse da cidade no ano 476, destronando a Rômulo Augusto, o menino imperador, apelidado Augusto o Pequeno. Em 477 Odoacro obteve de Zenon, imperador do Oriente, o título de patrício, que equivalia ao de rei da Itália, desaparecendo assim o Império Romano ocidental, pois o oriental, cuja capital era Constantinopla, permaneceu até o ano 1453, fecha próximo ao descobrimento de América. Inversamente proporcional ao debilitamento e queda do Império Romano, ia aumentando a influência e poder da igreja de Roma e seus papas em todo o território europeu, o que na prática se traduz como a continuação das mesmas estruturas e poderes imperiais, debaixo de outra roupagem.