A Igreja de Jesus Cristo-Uma Perspectiva Histórico-Profética

A Igreja de Jesus Cristo-Uma Perspectiva Histórico-Profética
Tradução do livro "La Iglesia de Jesucristo, una perspectiva histórico-profética" de Arcadio Sierra Diaz

quinta-feira, 13 de março de 2008

Alguns Testemunhos dos Irmãos

APÊNDICE DE FILADÉLFIA
ALGUNS TESTEMUNHOS DOS IRMÃOS
(Citados por Watchman Nee em A Ortodoxia da Igreja)


"Um irmão me disse que é obvio nas Escrituras que os crentes reunidos juntos como discípulos de Cristo, eram livres para partir o pão juntos como o Senhor nos encomendou; e que, até onde a prática dos apóstolos pode ser um guia, cada domingo deve ser separado para recordar a morte do Senhor e obedecer ao que Ele exigiu ao partir".

"Caminhando em certa ocasião com um irmão, a medida que descíamos pela rua Lower Pembroke, me disse: ‘Não tenho dúvida de que este é o propósito de Deus com relação a nós, devemos estar juntos com toda simplicidade como discípulos, não servindo em qualquer púlpito ou ministério, senão confiando que o Senhor nos edificará juntos ministrando, uma vez que Ele se agradou de nós e nos viu com bons olhos’. No momento em que ele falou estas palavras, fiquei convencido de que minha alma recebeu o entendimento correto, e que recordo aquele momento como se fosse ontem, e posso descrever o lugar. Foi o dia da grande revelação de minha vida, permitam-me falar assim, como um irmão". (J. G. Bellet)

"Em primeiro lugar, não é uma união formal dos grupos publicamente conhecidos, que é desejável; realmente é surpreendente que ponderados protestantes possam desejá-la: longe de estar fazendo o bem, creio que seria impossível que tal corpo fosse pelo menos reconhecido como a Igreja de Deus. Seria uma cópia de unidade da Católica Romana; perderíamos a vida da Igreja e o poder da palavra, e a unidade da vida espiritual seria totalmente eliminada... A verdadeira unidade é a do Espírito, e deve ser trabalhada pelo obrar do Espírito... Nenhuma reunião que não conceba incluir a todos os filhos de Deus na base completa do reino do Filho alcança encontrar a plenitude da benção, porque não a contempla, porque sua fé não a inclui... onde dois ou três estão reunidos em Seu nome, Seu nome é recordado ali para benção..."Além disso, a unidade é a glória da Igreja; mas a unidade para assegurar e promover nossos próprios interesses não é a unidade da Igreja, senão uma confederação e negação da natureza e esperança da Igreja. A unidade própria da Igreja, é a unidade do Espírito, e só pode estar nas coisas próprias do Espírito, e por tanto só pode ser aperfeiçoada nas pessoas espirituais..." Mas o que deve fazer o povo do Senhor? Deve esperar no Senhor, e esperar de acordo com o ensinamento de Seu Espírito, e em conformidade à imagem, pela vida do Espírito, de Seu Filho. Deve seguir seu caminho pelas pisadas do rebanho, se quiserem saber onde o bom Pastor alimenta Seu rebanho ao meio dia"."Porque nossa mesa é a mesa do Senhor, não a nossa, recebemos a todos os que Deus recebe, a todos os pobres pecadores escapando para o Senhor como refugio, não descansando em si mesmos, senão somente em Cristo". (John Nelson Darby em A Natureza e a Unidade da Igreja de Cristo.)

" Em 1825, Em Dublin, capital da Irlanda, houve muitos crentes cujo coração foi movido por Deus para amar todos os filhos do Senhor, não importando em qual denominação estivessem. Este tipo de amor não foi frustrado pelo muro da denominação. Eles começaram a ver que a Palavra de Deus diz que há apenas um Corpo de Cristo, não obstante em quantas seitas os homens possam dividi-lo. Eles continuaram lendo as Escrituras e viram que o sistema de um homem administrando a igreja e de um homem pregando não é bíblico. Então eles começaram a reunir-se cada domingo para partir o pão e orar. O ano de 1825 foi – após mais de mil anos de igreja católica romana e varias centenas de anos de igrejas protestantes – a primeira vez em que houve um retorno à adoração simples, livre e espiritual conforme as Escrituras. No início eram duas pessoas mais tarde, quatro ou cinco. Esses crentes, aos olhos do mundo, eram inferiores e desconhecidos. Mas eles tinham o Senhor no meio deles e a consolação do Espírito Santo. Eles permaneceram sobre a base de duas claras verdades: primeiramente, que a igreja é o Corpo de Cristo e que este Corpo é apenas um; em segundo lugar, no Novo Testamento não havia sistema clerical. Portanto, todos os ministros da Palavra estabelecidos pelos homens não são bíblicos. Eles acreditavam que todos os verdadeiros crentes são membros deste único Corpo. Recebiam calorosamente todos os que vinham para o seu meio, não importando a que denominação pertencessem. Não tinham preconceito contra qualquer seita. Eles criam que todos verdadeiros crentes têm a função de sacerdote; portanto todos podem entrar livremente no santo dos santos. Eles também acreditavam que o Senhor Ascenso concedera diversos dons à igreja para aperfeiçoamento dos santos, para a edificação do Corpo de Cristo. Portanto, eles foram capazes de renunciar aos dois pecados do sistema clerical – oferecer sacrifícios e pregar a Palavra. Estes princípios capacitaram-nos a dar boas-vindas a todos os que estão em Cristo como seus irmãos e a estarem abertos a todos os ministros da Palavra ordenados pelo Espírito Santo para servir.".(Watchman Nee, em A Ortodoxia da Igreja, capítulo 7, A Igreja em Filadélfia).

VI- Filadélfia ( 2ª Parte )

Cap. VI
FILADELFIA(2a. parte)

Características judaizantes

Assim como o judaísmo se opôs ao cristianismo, assim também o oficialismo organizado e pretensioso se opõe ao remanescente restaurador; então aqui na carta se da a entender que muitos se aferrariam a características judaizantes, das que Filadélfia se desprendeu de tudo, a saber: Um sacerdócio intermediário, as ordenanças legalistas ou códigos escritos à maneira de Talmud, o templo físico e a ênfase nas promessas meramente temporais ou terrenas, com sua teologia da prosperidade implícita. Na continuação analisamos estes quatro pontos.


O sacerdócio intermediário.

No princípio, Lutero defendia o sacerdócio de todos os crentes, mas não foi restaurado na prática; Lutero insistia na necessidade de um ministério especializado. A prática do sacerdócio intermediário têm resultado no que por meio do sistema clerical os religiosos têm subjugado, e subjugado não só pessoas senão também povos e nações, e esse nicolaísmo segue em vigência. A liderança humana afasta à Igreja da liderança divina e da proteção do Senhor. O Senhor ordenou que a Igreja fosse uma irmandade igualitária. " Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. " (Mt. 23:8). A classe mediadora se desenvolveu no catolicismo romano mediante os sacerdotes chamados padres, nas igrejas estatais como a Anglicana, com o sistema clerical, e nas igrejas protestantes independentes, com o sistema pastoral; contrariando assim o estabelecido nas Escrituras, onde as igrejas que organizavam os apóstolos ficavam debaixo da administração de um corpo ou grupo de anciãos ou bispos, e diáconos. Entre os anciãos ou bispos se exerciam os distintos ministérios.Se a imoralidade do nicolaísmo chegou a profundidades imprevistas no catolicismo romano, pelo lado protestante, por exemplo, na Alemanha, foi acusada a tendência à criação de dinastias pastorais, que se associava com a transmissão dos cargos e ideologias eclesiásticas de pais a filhos, contribuindo a fossilizar o desenvolvimento espiritual do protestantismo.


O código escrito

Quando se renuncia o viver no Espírito e na perfeita comunhão do Corpo, se invalida a Escritura com estatutos e códigos escritos, porque chocam com os princípios da Palavra de Deus, pois ensinam como doutrinas, mandamentos de homens, o qual distancia a Igreja de seu verdadeiro Cabeça e da autêntica estrutura que sua legítima Fonte têm delineado para Seu Corpo. Os códigos escritos invertem a ordem de Deus para Sua Igreja," porque, então, não o buscamos, segundo nos fora ordenado. " (1 Crônicas 15:13b). Em um sistema apóstata, as opiniões dos homens têm mais valor que a Palavra de Deus. Por meio de estatutos de fatura humana se estruturam organizações e se regulamentam os membros, mas constituem práticas diferentes ao verdadeiro batismo no Corpo de Cristo e ingresso à Igreja do Senhor. É o Espírito de Cristo o que verdadeiramente incorpora a Seu Corpo a todos os regenerados. O alento de vida das igrejas locais não é por certo as pessoas jurídicas, senão o Senhor . A vida da Igreja une a água viva do Espírito Santo na comunhão do amor do Pai, a água da Palavra e o batismo, pelo sangue redentor de Cristo. As disposições néscias separam e dividem à família de Deus; e as seitas e os partidos religiosos lastimam e desfiguram o Corpo de Cristo.

O templo físico

Em seu afã de suplantação do plano divino verdadeiro, o sistema babilônico e seus herdeiros naturais, continuam fascinados pela construção de templos físicos. Já fazia séculos que o templo judeu jerosolimitano havia sido destruído pelo império, mas a igreja em Pérgamo herdou da religião pagã a construção de grandes templos materiais, prática que se desenvolveu principalmente com Tiatira; conseqüentemente a igreja reformada (Sardes) o herdou de Tiatira até hoje; Mas biblicamente esses templos não são a casa de Deus, como necessariamente tampouco o são as organizações eclesiásticas que costumam construí-los. Recorde-se que o protestantismo se conta entre os altamente estruturados sistemas religiosos atuais. A casa de Deus é Sua Igreja, a redimida pelo sangue vertido por Jesus na cruz. No protestantismo, igual ao catolicismo romano, costuma se dar mais importância aos templos materiais que ao verdadeiro templo que Deus está construindo para Sua morada. A respeito diz o irmão Nee: "Por favor recordem, o catolicismo é a igreja em cativeiro na Babilônia. Muitos leitores da Bíblia admitem isto. Como os filhos de Israel foram levados cativos a Babilônia, a Igreja também foi levada cativa à Babilônia. O protestantismo regressou da Babilônia, mas não edificou o templo. Apesar de que muitos regressaram da Babilônia, o templo não estava em pé. Hoje em dia vocês e eu devemos ser aqueles que na história da Igreja se levantam a edificar o templo".*(1) De maneira que o Senhor têm uma apropriada economia de Sua Casa, muito diferente à estruturada pelos homens e o mercado religioso. " 10 Tu, pois, ó filho do homem, mostra à casa de Israel este templo, (segundo o modelo de Deus) para que ela se envergonhe das suas iniqüidades; e meça o modelo.11 Envergonhando-se eles de tudo quanto praticaram, faze-lhes saber a planta desta casa e o seu arranjo, as suas saídas, as suas entradas e todas as suas formas; todos os seus estatutos, todos os seus dispositivos e todas as suas leis; escreve isto na sua presença para que observem todas as suas instituições e todos os seus estatutos e os cumpram. " (Ez. 43:10-11). No povo hebreu Deus estabeleceu um só lugar de adoração, o templo de Jerusalém, e não milhares de sinagogas judias; hoje em Sua Igreja, o Senhor não quer que haja milhares de sinagogas e centros de adoração, senão a unidade de Seu povo em cada localidade, conforme o exemplo e a economia bíblica.
*(1) Os Assuntos da Igreja, Watchman Nee. Living Stream Ministry, 1991, pág. 95.


As promessas terrenas

A Igreja de Jesus Cristo é um Corpo de caráter celestial objeto de benções espirituais nos lugares celestiais em Cristo (cfr. Efésios 1:3b), estrangeira e peregrina nesta terra. " Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma, " (1 Pe. 2:11). " Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia " (Jo 15:19). A igreja reformada descuidou seu caráter de peregrina, mas havendo restaurado a leitura da Bíblia, tomou para si as promessas terrenas feitas na Palavra de Deus a Israel, um povo terreno, e doutrinalmente se ensinam como bênçãos de Deus para seus filhos, de maneira que se pode pensar que os irmãos pobres, não são objeto desta classe de bênçãos devido a seu pecado ou porque por alguma estranha razão são discriminados, ou não têm a suficiente fé para cristianizá-las, ou porque não têm aperfeiçoado o método da visualização. Não contente haver saído da mundana Tiatira, o protestantismo têm dado as boas vindas a uma onda da chamada psicologia ou teologia da prosperidade, a qual vêm envolta de um aspecto de metafísica, auto-estima, visualização ou magia branca "cristianizada". A mensagem da cruz se opõe ao da prosperidade terrena; são incompatíveis. " Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. " (Mt. 16:24).A igreja restaurada têm se livrado destas quatro coisas, pois nela se vive o sacerdócio de todos os santos, o guardar a Palavra do Senhor como único código normativo, a vida do Corpo como verdadeiro templo de Deus e as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo. A cobertura que necessitamos para nosso ministério é a verdadeira comunhão espiritual e no amor do Corpo. A Palavra de Deus à vez que proclama o sacerdócio de todos os crentes, afirma que o Senhor prove uns ofícios ou ministérios, que se relacionam com o ensinamento, a pregação, a supervisão, a administração, o manter a ordem, o serviço, a economia e a extensão da Igreja, sem que isto se confunda com a criação de hierarquias na mesma. Ministério é serviço.Deus quis fazer da Igreja o Corpo de Seu Filho, e Nele participamos de Sua condição de sacerdote, profeta e rei. Filadélfia, ao expressar a Igreja do Novo Testamento, em matéria teológica não tem uma doutrina particular aparte da Bíblia, pois busca a legítima estrutura teológica onde se deve buscar, na Bíblia.Além do anterior, o Senhor diz que Ele fará que os modernos pretensiosos, que menosprezam aos santos na posição de Filadélfia, e têm aborrecido e perseguido ao remanescente de restauração, venham e se prostrem aos pés dos irmãos de Filadélfia, quando verem que esta é amada pelo Senhor e se manifestar nela a glória do Senhor, para que se repita a história de José, o filho de Jacó e de Raquel, aquele jovem a quem seus irmãos aborreceram e venderam como escravo ao Egito, e ele, débil e sem forças, foi encarcerado e maltratado, mas Deus o amava e se recordou dele e o levantou de tal maneira, que seus irmãos vieram a prostrarem-se ante seus pés. À medida que uma pessoa conhece o verdadeiro Deus e a Sua Palavra, vai anulando toda influência do judaísmo em sua vida. " Portanto, assim diz o SENHOR: Se tu te arrependeres, eu te farei voltar e estarás diante de mim; se apartares o precioso do vil, serás a minha boca; e eles se tornarão a ti, mas tu não passarás para o lado deles. " (Jer. 15:19).No curso da história da Igreja têm havido muita gente que tem recebido revelação de Deus acerca da situação da mesma. Temos o caso de Barton W. Stone (1772-1844), nascido em Maryland, e havendo exercido como pastor presbiteriano em Kentucky, foi expulso com seus amigos, por suas idéias arminianas, e resolveram constituir um presbitério independente, o qual produziu uma não pequena controvérsia a tal ponto que eles o dissolveram, desejando, segundo suas próprias palavras, que "se fundira em união com o Corpo de Cristo em geral". Mas o curioso é que também eles sentiram chamarem-se simplesmente "cristãos", tomaram a Bíblia "como único guia seguro ao céu", renunciaram com juramento à ordenação, e renunciaram ao batismo de crianças. Em sua relação mútua pediam que "pregadores e povo cultivassem um espírito de paciência mútua, orassem mais e disputassem menos".Outro exemplo o temos em Tomas Campell, um escocês que chegou a ser pastor presbiteriano na Irlanda. Em 1807 veio a Pensilvânia, mas não estava de acordo com as contendas sectárias na Igreja, de maneira que se retirou do presbiterianismo devido a que foi repreendido por admitir à Ceia do Senhor a presbiterianos de diversas crenças. Seu erro subseqüente foi haver formado com seus seguidores "A Associação Cristã de Washington", mas não obstante proclamaram que "onde falam as Escrituras, falamos nós; onde as Escrituras guardam silêncio, o guardamos nós". Também declararam que "a divisão entre os cristãos é um mal horrível... é anti-cristã".

A hora da prova

" Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra. ".O mundo têm menosprezado o Senhor; o têm tido como muito pouca coisa, e até hoje Ele têm perseverado em sua paciência, suportando esse menosprezo e essa continua rejeição, e a igreja restaurada o têm acompanhado em seu vitupério, têm sido solidária com o Senhor guardando a palavra de Sua paciência, suportando a rejeição e a perseguição, a oposição e a humilhação, a mesma animadversão que o mundo e os falsos judeus têm ao Senhor.Historicamente o Senhor têm protegido tanto à igreja como a localidade de Filadélfia. À igreja a protegeu no tempo da perseguição geral contra os cristãos, sobre tudo abaixo do imperador Trajano, e mais tarde durante a Idade Média a protegeu dos embates dos islamitas. No século XIV o Senhor também protegeu a esta igreja, quando o conquistador tártaro Tamerlão ou Timur praticamente exterminou todas as igrejas da Ásia Menor. Tudo isso foi assombroso para os maometanos, e por tal motivo chamaram a Filadélfia "Alashir", que em árabe significa Cidade de Deus.A prova que tem de vir sobre o mundo inteiro é a Grande Tribulação, mas antes de que chegue essa hora amarga para a humanidade (a grande tribulação de Mateus 24:21), já saberá guardar Cristo aos santos da hora da prova, posto que guardaram a palavra da paciência do Senhor, que é o sofrimento do Senhor. Recordemos que esta promessa é só para os vencedores. Nós também temos de sofrer rejeição e perseguição. Essa é a promessa do Senhor para Filadélfia. " Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do Homem. " (Lc. 21:36). Recordemos que a Sardes o Senhor também adverte sobre sua vinda. É chegado o momento de que saibamos em que caminho andamos, em qual situação da Igreja vivemos. Estás ainda em Tiatira andando nos ensinamentos de Jezabel, a doutrina de Balaão e as profundezas de Satanás? Segues em Sardes com o nominalismo, com nome de que vives, mas estando morto? Fazemos teimosia em que esta promessa do Senhor indica que os que não guardem a palavra da paciência do Senhor serão deixados na prova, pois as outras três igrejas que continuarão até a vinda do Senhor não se lhes faz esta promessa. No protestantismo se está ensinando uma doutrina muita generalizada e não muito clara a respeito do arrebatamento, e os crentes estão desorientados a respeito.

Os irmãos

Temos visto como dentro do protestantismo e ainda no catolicismo houveram reações por parte dos grupos e pessoas que se inclinaram pela linha da vida interior, e os mais numerosos, os que saindo de Sardes começaram a dar um sério perfil ao período histórico profético de Filadélfia, foram os popularmente conhecidos em seu tempo como Darbytes ou Irmãos de Plymouth (Plymouth Brethren), e também como Assembléias de Irmãos, mas não porque eles tenham adotado esses nomes; eles simplesmente se chamavam a si mesmos "irmãos", "cristãos", ou "irmãos cristãos", devido a que não chegaram a formar uma denominação religiosa.Nos parece apropriado transcrever as palavras do doutor Miguel Ángel Zandrino: "Muitos crentes se sentiam então irmãos por compartilhar a mesma fé, e ter experiências similares na vida cristã. Durante a semana eram amigos íntimos e desfrutavam juntos estudando as Sagradas Escrituras. Mas chegando o domingo, deviam separar-se, pois pertencendo a Igrejas diferentes, não podiam desfrutar unidos da participação da Ceia do Senhor. Isto fez surgir neles uma grande inquietude. Será possível que seja do Senhor que existam tais diferenças? E o problema denominacional cobrou ante eles, imediatamente, a dimensão de um tremendo fracasso do testemunho da Igreja de Jesus Cristo ante o mundo. E se propuseram, a não terem outra denominação, nem reformar as existentes, mas se, reunir ao redor da mesa do Senhor, tratando, em quanto fora possível, não acrescentar nada do homem neste vir ao encontro de Deus para o serviço de adoração". (Prólogo de "Irmãos Livres, Por que?" de Raúl Caballero Yoccou. Talleres Gráficos Argen-Press, S.R.L. Buenos Aires, 1964)As primeiras reuniões em Dublím aconteceram na casa de Lady Powerscourt, as quais contavam as vezes com a assistência de até quatrocentos irmãos; ali assistiam pioneiros como G. V. Wigram, Eduardo Cronin, W. Trotter, Wilson, Timms, Hutchinson. Em 1827 se uniram Anthony Groves ( O inglês Anthony Norris Groves (1795-1853) nascido em Newton, Hampshire, foi missionário em Bagdad, Rússia e a Índia), John G. Bellet e John Nelson Darby, que chegou a ser um dos mais proeminentes líderes dos irmãos. John Nelson Darby (1800-1882), advogado, na Irlanda foi clérigo anglicano, mas em 1827 publicou seu famoso livro Da natureza e unidade da Igreja de Cristo, obra que foi impactante para muitos grupos que já se começaram a formar em várias partes do mundo. Renunciou a seu cargo nesse mesmo ano, integrando-se à assembléia cristã em Dublin, fazendo desde 1830 freqüentes viagens ao continente, abrindo um segundo centro em Plymouth, Inglaterra. Darby se distinguiu como ubérrimo escritor, organizador, teólogo e grande estudioso das profecias bíblicas, mas por herança do anglicanismo, no princípio ensinava o batismo infantil. Com Darby os Brethren também se relacionam os irmãos S. P. Tregelles e Andres Jukes. Depois de 1845, também se registra a relação de Darby com irmãos como W. Kelly, C.H Mackintosh, C. Stanley y J. B. Stoney, a respeito de estudos doutrinais em torno do dispensacionalismo.Muitos, inclusive ministros anglicanos, por todo o território britânico, abandonavam seus caducos e frios ritos denominacionais para unirem-se aos irmãos e começaram a experimentar a refrescante comunhão cristã, a unidade fraternal e a vida no Espírito, sem que deixassem de serem criticados e difamados pelas congregações das denominações que os cercavam. No começo os irmãos iam se apartando da igreja oficial e das denominações e iam se integrando como um movimento da classe alta, e eventualmente se integravam da classe média e gente humilde, pessoas que estavam descontentes com a mundanismo e a frieza espiritual nas denominações, especialmente na Igreja Anglicana.Um de seus distintivos era que tratavam de tomar as Escrituras literalmente, e devido a isso sua vida de igreja começou a se assemelhar à igreja primitiva, restaurando a mutualidade nas reuniões dos santos, mas não tinham organização central, e não tinham a ordenação, senão evangelistas laicos; pois Filadélfia não deu oportunidade ao nicolaísmo, e Filadélfia não recebe reprovações do Senhor. Apartaram-se das denominações constituídas na época devido a que essas igrejas "oficiais" foram consideradas biblicamente apóstatas, e as olhavam com desconfiança porque criam que elas se haviam comprometido com o mundo.Nesse tempo ainda não tinham clara a visão da igreja em cada localidade, por isso eles consideraram que os cristãos deviam limitar-se a viverem em simples grupos, separados do mundo e sua contaminação, no ensinamento de uma doutrina pura e o exercício de uma vida piedosa. Já entrado o ano de 1839, Darby começou a ensinar que na Escritura vemos a união de todos os filhos de Deus em cada localidade. Ao voltar às fontes bíblicas, os irmãos foram fundamentados em que o Espírito Santo guia aos verdadeiros cristãos, unindo-os na fé e na adoração, restaurando assim a verdadeira comunhão dos santos no Espírito. Os irmãos estavam convencidos de que uma pessoa, a menos que experimentasse intimamente a conversão, estava impossibilitada para reformar-se socialmente. A mudança de mentalidade (do grego metanoia) que implica arrependimento e a conversão do homem a Deus por Jesus Cristo vai mais além que uma simples doutrina batismal e integração organizacional. A missão da Igreja é a de colaborar com Deus na edificação de Sua casa e na salvação dos homens dentre o mundo. Dentro da reação do Senhor frente à Sardes, vemos que a pregação da Palavra de Deus saiu dos púlpitos nos templos, para ser exposta pelas ruas, plataformas, debaixo das árvores frondosas, em reuniões pelas casas, sem que isto fora necessariamente por parte dos teólogos e membros da clerezia religiosa, senão por irmãos chamados, regenerados e consagrados pelo Senhor para o trabalho de restauração da Igreja.Se conta entre seus fiéis ao piedoso prussiano George Müller (1805-1898), que aos vinte anos se converteu entre os pietistas em Halle, e onde o estudo da Bíblia lhe pareceu novo e fresco, não obstante, de que já havia adiantado estudos para o ministério; ali teve um encontro definitivo com Cristo. Em 1829 foi à Inglaterra como missionário aos judeus. Distinguiu-se por seu labor a favor dos órfãos em Bristol, para cujo sustento confiou inteiramente na fé e na oração. Em 1832, em companhia de Henrique Craik, iniciou em Bristol as reuniões com umas sete pessoas.Benjamim Wills Newton (1807-1899). Um dos primeiros e mais piedosos líderes do movimento dos irmãos de Plymouth. Ascendente dos Quaquers, havia se distinguido por seus êxitos acadêmicos, quando foi visitado e influenciado por John Nelson Darby. Começou seu ministério em Plymouth com homens de Deus como Jorge V. Wigram, Jaratt, Jaime L. Harris, e viajou por toda a região, continuando seu ministério literário até uma idade nonagenária. Em Plymouth os vínculos entre os irmãos se fortaleceram ao redor de 1830. Depois de um testemunho de forte vigor espiritual durante uns quinze anos, os Plymouth Brethren chegaram a somar mais de mil membros. Em 1845 houve uma divisão entre os irmãos, devido a discrepâncias no governo da igreja e na vinda do Senhor, mais que tudo no relacionado com a permissibilidade de reunirem-se com outros cristãos, argumentos que jamais avalizam uma divisão.Darby rompeu vínculos com Benjamín Wills Newton e se protocolizou a divisão entre Irmãos Fechados ou Exclusivistas e Irmãos Livres, devido a algumas práticas de comunhão cristã.*(2) Os geralmente conhecidos como Irmãos Livres ou Abertos se baseiam mais nos princípios de comunhão fraternal mais inclusivistas; mas de todas maneiras para distingui-los usamos o terno geral de Irmãos. Adiantaram-se muitas tentativas para solucionar o da ruptura, especialmente da parte de Robert Chapman, mas sem resultado. Deixamos por sensato que a legítima igreja, normal e bíblica em cada localidade é de fato inclusivista, pois não pode descartar a nenhum irmão que o Senhor tenha recebido e o Espírito Santo tenha batizado no Corpo, sem que necessariamente isto signifique comunhão com o pecado. Ao largo destes dois séculos, Plymouth se tem destacado como a igreja mais influente e representativa.
*(2) Os irmãos fechados ou exclusivistas alegavam que deviam rejeitar toda comunhão com qualquer igreja ou assembléia que admitisse o mal doutrinal ou moral.
Ao começar a se desenvolver esse mover dos Irmãos, deu-se início a uma atividade missionária muito grande. Desenvolveram as que se chamaram Missões Cristãs em Muitas Terras, chegando a muitas regiões em todos os continentes. O conhecido advogado Roberto C. Chapman, de Barnstaple, tomou especial interesse pela obra na Espanha, país ao qual visitou em companhia de vários irmãos em 1838; em 1863 voltou com os irmãos Gould e Lawrence, que ficaram na Espanha. Os precursores do movimento na Itália foram o Conde Guicciardini (1808-1886) e Teodoro Pietrocolo Rossetti. Em 1871, chegaram a um desenvolvimento tão importante, que chegaram a reunirem-se no ágape em Piamonte uns 600 irmãos; e esse movimento perdura até os atuais dias. Na Guiana Britânica, o movimento se originou com o inglês Leonardo Strong (1797-1874), que inicialmente havia chegado como missionário anglicano.Também é digna de registrar a Missão da China Interior, iniciada em 1865 pelo britânico J. Hudson Taylor, não comprometida com nenhuma denominação em particular, a qual não prometia a seus missionários soldos fixos, repartindo entre eles o dinheiro que se recebessem, e se opunham a contrair dívidas; nunca solicitavam donativos, dependendo das orações para receber os fundos. Com Taylor se da início a uma forma diferente da obra missionária, pois soube combinar o serviço médico com a pregação do evangelho. Esta missão chegou a contar com mais de 190 médicos e 1400 missionários, só desarticulada pela revolução comunista do século XX, mas o fruto ficou em incontáveis grupos cristãos em todo o território chinês. Com essa missão teve contato o irmãoo Nee To-sheng (Watchman Nee) na segunda metade da década dos anos vinte do século XX, sobre tudo por sua amizade com o irmão Carlos H. Judd, na ocasião contador da Missão.Na Espanha contemporânea os irmãos constituem os mais numerosos cristãos não católicos, onde também são conhecidos como Assembléias de irmãos, seguidos em número pelos batistas.

A coroa de Filadélfia

" Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. " (v.11).
A condição da igreja restaurada existirá até a vinda do Senhor. É uma igreja que ama ao Senhor e tem uma perfeita comunhão com Ele, por tanto, o Senhor lhe fala de Sua pronta e eventual vinda. A igreja de Filadélfia deve reter zelosamente o que tem; ou seja, a Palavra de Deus e o nome do Senhor, o qual acarreta a obediência, a fidelidade e a paciência, a fim de que nenhum possa tomar sua coroa. Se os irmãos de Filadélfia não retém o que tem, o Senhor levanta a outros que tomem sua coroa.Além da igreja de Filadélfia, em todo o Novo Testamento se encontra uma pessoa que mesmo vivendo nesta terra já sabia que tinha sua coroa. Trata-se do apóstolo Paulo. "Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda. " (2 Tm. 4:8). Apesar do grande sofrimento de Esmirna, a esta igreja o Senhor declara que se fosse fiel até a morte, Ele lhes daria a coroa da vida, que é um símbolo da glória do Senhor; mas a Filadélfia diz que ela já tem sua coroa, que retivesse até o final o que tinha que constitui sua riqueza e sua característica, para que ninguém pudesse retirar. Isso é uma advertência para que esteja em alerta, vigilante, nessa expectativa. Quem estaria interessado em arrebatar-nos os valores espirituais e expor-nos ao escárnio do mundo? O inimigo de Deus; só ele tem o interesse de ver a igreja roubada e despojada da paz do Senhor, da justiça divina, da proteção do Senhor, e mesmo do gozo da salvação.

Colunas no templo

" Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome.13 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas " (vv.12, 13).

Os vencedores de Filadélfia são os que logram reter firmemente o que têm, aos quais o Senhor os fará colunas no templo de Deus. Temos que diferenciar a condição de ser coluna do templo de Deus e o ser uma simples pedra do edifício; a coluna é fundamental, não pode ser tirada sem que ponha em risco a estrutura da edificação; ou seja, que Filadélfia vai a ser um fundamento do templo de Deus, e nunca mais será tirada. Ao vencedor de Pérgamo, O Senhor promete dar uma pedra com um nome escrito, mas ao vencedor de Filadélfia se lhe fará uma coluna sobre a qual serão escritos três nomes: o de Deus, o da Nova Jerusalém e o novo de Cristo, como sinal de propriedade de Deus, de herança eterna e de testemunho de Cristo e de que se tem feito um com Deus, com a Nova Jerusalém e com o Senhor, tudo o qual se cumprirá no reino milenar. Levar o nome de Deus significa que Deus foi formado em ti; levar o nome da Nova Jerusalém significa que fazes parte da cidade santa, porque têm sido também formada em ti, e levar o nome novo do Senhor significa que o Senhor têm se formado a Si mesmo em ti, em tua experiência, e em teu andar diário. Em resumo, Filadélfia é a única igreja que é completamente aprovada por Deus.O vencedor de Filadélfia retém o nome do Senhor e a unidade do Corpo de Cristo. É um erro pensar que para que haja unidade na Igreja necessariamente deve haver uniformidade. Há ênfases doutrinais que não revestem caráter fundamental, e que por fim não afetam a salvação nem rompem a unidade do Corpo; alem disso, o grau de amadurecimento e santidade dos irmãos biblicamente não é uniforme, nem tampouco se deve esperar uniformidade no procedimento e a ordem. É interessante o conceito do irmão Watchman Nee sobre os vencedores. Ele dizia que os que vencem são os cristãos normais; os outros são anormais! " porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.5 Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus? " (1 Jo 5:4,5)

A restauração na China

As missões cristãs protestantes entraram na China como conseqüência da guerra do ópio e o tratado de Nanking em 1842, por meio da qual cederam Hong Kong a Grã Bretanha. Temos mencionado a Hudson Taylor (1832-1905) como um dos mais proeminentes e influentes missionários cristãos chegados à China imperial. Este filho de um boticário metodista inglês desembarcou em Shangai em 1854, centro de operações desde onde desenvolveu uma grande labor evangelístico, em uma época em que a China era ainda hostil à influência estrangeira. Havendo rompido relações com sua sociedade missionária, fundou na Inglaterra a Missão da China Interior em 1865, e considerado um excêntrico pelos outros missionários por sua abnegação e profunda vida de fé; chegou a vestir-se ao costume chinês, casando-se com a missionária Maria Tyer em Migpo. O trabalho de Taylor e sua equipe de colaboradores deixou profundas raízes e adubou o terreno para continuar a obra de restauração da Igreja no começo do século vinte, usando homens excepcionais do tipo de Watchman Nee, um dos maiores apóstolos usados pelo Senhor para este trabalho. Levemos em conta que em Fuchou, a Taylor o havia precedido os Congregacionais e os Metodistas Episcopais norte-americanos em 1847, assim como os missionários anglicanos em 1850. Com estes missionários, o avô paterno de Nee conheceu a Cristo, e chegou a ser evangelista e primeiro pastor chinês em sua província.
Watchman Nee. Nee To-sheng, mais conhecido no ocidente como Watchman Nee, nasceu em 4 de novembro de 1903 em Fuchou, capital da província de Fukien, na costa do Mar da China, sendo seus pais os piedosos cristãos Nee Weng-hsiu e Lin Huo-ping. Iniciou seus estudos de ensinamentos por volta de 1916 na Escola da Missão Anglicana. Em seus primeiros anos era indiferente a todo o relacionado com o aspecto religioso e o espiritual, mas a influência de sua mãe foi fundamental para que aos dezoito anos sua consagração e entrega ao Senhor Jesus Cristo fosse definitiva e total.Uma das pessoas que mais usou o Senhor para ajudar ao crescimento e amadurecimento espiritual de To-sheng foi sem dúvida Margareth Barber, uma missionária independente que no princípio havia ido à China enviada por uma missão ocidental. Com ela recebeu as primeiras instruções bíblicas e se fez batizar na água. Via na senhorita Barber à instrutora bíblica, a mulher do testemunho, a ajuda oportuna em seus momentos críticos; ela lhe emprestava os livros que necessitava e despertou nele o hábito pela leitura que o acompanhou até sua morte, fazendo dele um grande erudito. Em uma ocasião ele necessitava ler algo sobre o tema da cruz; ela lhe disse que tinham dois, mas que no momento era preferível que não os lesse, que esperasse ter o suficiente amadurecimento. Então Nee escreveu diretamente à autora, a irmã Jessie Penn-Lewis, que lhe respondeu enviando de presente os dois livros, A Palabra da Cruz e A Cruz do Calvário e sua Mensagem.Na formação espiritual de Nee To-sheng influiu muito a leitura sobre a vida de Jeanne da Motte Guyon, mística francesa mais conhecida como Madame Guyon, da linha da vida interior, vendo como a vida desta mulher de Deus se relacionou com a incapacidade física, a invalidez, a dor, o sofrimento, a humilhação. Mas viu que ela teve vitória sobre a tribulação e isso contribuiu pra que acrescentasse sua santidade e sua vida fragrante diante de Deus e para benção da Igreja. O Senhor lhe deu capacidade para que ela desprezasse sua aflição, e recebeu do Pai o poder e o fortalecimento de seu homem interior para chegar a ser profundamente submissa e para seu triunfo frente ao sofrimento, o qual foi transformando seu caráter. O conhecimento sobre esta vida, e a de outros místicos como o Irmão Lawrence, deixaria uma impressão indelével em Nee, comovendo-o profundamente em ver que Madame Guyon viveu em una época em que a varíola se converteu em uma enfermidade terrivelmente agônica e dolorosa. Mas o amor e a fé no Senhor, sua incondicional submissão, a capacitaram para triunfar sobre um indescritível sofrimento. Ela mesma conta em sua autobiografia que a varíola era tão terrível e dolorosa, que lhe havia afetado tanto um de seus olhos, que temia perdê-lo, porque a glândula do olho estava malograda; além disso, entre o nariz e esse olho costumava sair uma pústula que tinha que extrair, e devido a isto sua cabeça se inflamava tanto que não podia nem sequer suportar a almofada. Mas tudo isto o suportava com alegria e amor porque sua alma tinha um grande apetite pela cruz, para estar unida a Cristo também mediante o sofrimento.Nee começou a pregar e compartilhar a mensagem do evangelho com um grupo de amigos em sua cidade, Fuchou, e povos vizinhos, e em 1922, um domingo pela tarde, reunidos em um salão grande na casa de um amigo do grupo, e junto com sua mãe, pela primeira vez, como igreja em sua localidade, recordaram ao Senhor no partir do pão, sem que necessariamente participasse algum ministro denominacional, nem estivessem vinculados a denominação alguma. Em seu propósito de dedicar-se só ao serviço do Senhor dependendo unicamente Dele para viver, chegou a ler os relatos e testemunhos da fé de Hudson Taylor, assim como os de George Müller e seu orfanato, como o temos mencionado, relacionado com os irmãos. Nee recebeu todo esse acervo de restaurações a partir da Reforma protestante: O restaurado através de Lutero, de Calvino, de Wesley, dos Morávios, dos irmãos da vida interior, de John Nelson Darby, de C. H MacKintosh e sua obra tipológica Notas sobre o Pentateuco, por um lado, e Andrew Murray, Jessie Penn-Lewis y T. Austin-Sparks, por outro; mas Deus usou a Nee para enfatizar a centralidade de Cristo, a vida no Espírito, a comunhão do Corpo de Cristo, a vida no Espírito, como o havia feito antes dele T. Austin-Sparsk, e restaurar o reconhecimento da vigência do apostolado, e a visão da Igreja em seu aspecto local. Também foi Nee herdeiro do grande depósito deixado por homens espirituais do tipo de William Law, Andrés Murray, F. B. Meyer, Carlos G. Finney, Evan Roberts, Otto Stockmayer. A Nee se considera como um dos principais servos de Deus à vanguarda da restauração da Igreja no século XX.O testemunho do Espírito Santo, a própria experiência de vida espiritual, o sofrimento, a fonte da Palavra de Deus (leia o Novo Testamento pelo menos uma vez ao mês), o testemunho das divisões denominacionais e a leitura de autores como Govett, Panton, Pember e Lang, foram criando em Nee verdadeira uma consciência da necessidade de um retorno aos princípios neotestamentários relacionados com a unidade orgânica dos crentes. creu fielmente o Senhor, como quando disse: " Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra;21 a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste " (Jo 17:20-21). Também a senhorita Barber, que apoiava Panton, lhe recomendou várias publicações, entre elas as do pregador inglês Teodoro Austin-Sparks, e a quem conheceu e com quem estabeleceu profunda amizade em sua segunda viagem a Europa, na ocasião em que visitou a Convenção de Keewick, na Inglaterra, e a outros irmãos na Dinamarca e outros países europeus.Seu contato com outros irmãos em Londres o estabeleceu a raiz de que escreveu à casa editorial de vários livros, conhecidos através da irmã Barber, e como conseqüência pode intercambiar correspondência com Jorge Ware, do grupo conhecido como os "darbinianos", ou irmãos exclusivistas. Em dezembro de 1930, conheceu a Carlos R. Barlow, associado com o movimento dos Irmãos em Londres, que chegou a Shanghai por motivos de seu trabalho. Em 1932 receberam a visita de oito dos irmãos que chegaram representando as igrejas da Grã Bretanha, Estados Unidos e Austrália, estreitando os laços e a comunhão espiritual do Corpo, e identificando suas respectivas igrejas locais com as da China, e regressaram com tão boa impressão, que em 1933 Nee foi convidado a visitar a Grã Bretanha e Estados Unidos. Em sua viagem a Inglaterra, Nee não somente contatou aos irmãos da linha de Darby, senão também a Teodoro Austin-Sparks, o qual não foi muito bem visto pelos primeiros; por tanto lhe deu ocasião a futuros intercâmbios epistolares, onde se pode perceber a visão inclusivista do Corpo de Cristo, que foi restaurada em Watchman Nee. No movimento liderado por Watchman Nee se sintetizou o positivo de muitos movimentos espirituais da Igreja cristã.Ao receber a clara e bíblica revelação da expressão da unidade do Corpo de Cristo em cada localidade, Nee começou a horrorizar-se de ver essa variedade de nomes denominacionais relacionados com os metodistas, menonitas, luteranos, batistas, anglicanos e muito mais, com suas conotações ritualistas, nacionais, pessoais, doutrinais, limitando-se ele mesmo a mover-se em tudo o relacionado com a Igreja e os cristãos, conforme aos parâmetros bíblicos. Ao regressar do Ocidente se deu à tarefa de examinar novamente o Novo Testamento, confirmando que uma cidade ou povo, ou localidade, devia ter uma só igreja, e somente uma, encaminhando seu trabalho nesse sentido. À medida que cada igreja ou unidade autônoma por localidade crescia, nomeavam anciãos conforme o modelo do Novo Testamento, que se encarregavam de guiar e apascentar aos irmãos em seu terreno, dependendo somente de Deus. Durante a perseguição contra a Igreja, por parte do governo comunista chinês, este último, ante a ausência da denominação por parte das igrejas locais chinesas, denominou aos irmãos A Manada Pequena, baseando-se em um versículo impresso em seus hinários, apelativo que de nenhuma maneira adotaram os irmãos à maneira de uma denominação. Além do anterior lhes foi revelado o relativo à obra apostólica e sua relação às igrejas locais, e se foi formando uma equipe de obreiros ou apóstolos, encarregados de evangelizar, estabelecer igrejas e edificar aos santos. A obra apostólica é regional, pois os apóstolos vão estabelecendo uma só igreja bíblica em cada cidade de sua região; não filiais de denominação alguma. Em 1938 havia mais de 30 igrejas locais na China sem contar com as do estrangeiro, e a equipe da obra se compunha de uns 128 apóstolos, muitos dos quais haviam começado a sair como obreiros ao estrangeiro. Em 1931 já haviam saído a países como Filipinas, Singapura, Malásia, Indonésia, e Hong Kong, lugares que eventualmente chegou a visitar Nee To-sheng.O 1º de outubro de 1949, em Pequim foi proclamada a República Popular Chinesa, do regime comunista ateu, com Mao Tse-tung como presidente e Chou En-lai como primeiro ministro. Watchman Nee e Witness Lee foram pela última vez em Hong Kong em junho de 1950. Nee não escutou o conselho de Lee de que não voltasse a visitar a Shanghai, ato que poderia significar seu fim. Nee considerava um dever dele o estar a frente da obra, vendo a situação em Shanghai como a de Jerusalém nos tempos da perseguição da igreja primitiva, quando os apóstolos permaneceram ali. Em 30 de novembro de 1951, no periódico Vento Celestial, agora infiltrado e oficializado pelo governo, apareceu um artigo onde um membro da igreja de Nanking, já reculturizado pelo sistema, acusa a Nee To-sheng em torno a suas atividades nas 470 igrejas locais em todo o país, e isto foi o aumento das dores. Foi preso em Manchúria em 10 de abril de 1952, acusado dos cinco crimes especificados na campanha contra a corrupção no comércio, apelidado de "tigre capitalista", sabotador, subversivo e uma lista interminável de outros cargos fictícios, fazendo crer aos irmãos que na China havia liberdade religiosa e que a Nee não se lhe acusava por atividades religiosas senão políticas; lhe foram confiscados seus bens, inclusive sua Bíblia, e incomunicado. Mais tarde as prisões e torturas aos irmãos se efetuaram em massa, e muitos foram re-educados. Em 21 de junho de 1956, Nee To-sheng foi sentenciado pela Suprema Corte de Shanghai a quinze anos de prisão, onde realmente esteve vinte anos preso, e finalmente morreu em um campo de concentração, mantendo a fé. Mas na China comunista persiste a igreja subterrânea; ali o Senhor segue sustentando seus pequenos rebanhos. Hoje se calcula uns setenta milhões de cristãos na China que se reúnem na clandestinidade conforme o modelo bíblico.Se conhecem no Ocidente muitos livros de Watchman Nee. O Editorial Living Stream Ministry têm publicado suas obras completas em sessenta volumes. Antes deles, Christian Followship Publisher publicou muitas de suas obras em inglês, desde onde se têm traduzido a muitos idiomas. Entre elas são famosas no espanhol as seguintes: "Vem, Senhor Jesus" (escrito em sua juventude), O Homem Espiritual (a pesar de haver sido escrito antes de cumprir os trinta anos, esta obra foi produzida como fruto do sofrimento e obediência de um homem totalmente entregue ao serviço do Senhor e de sua experiência em uma profunda vida espiritual. Ali fala detalhadamente da salvação do crente, espírito, alma e corpo, com uma magistral e minuciosa descrição do funcionamento e composição de cada uma destas partes do homem. Foi terminado em julho de 1928, quando só contava 25 anos de idade), A Vida Cristã Normal, "Sentai, Andai, Estai Firmes", Transformados em Sua Semelhança, A Liberação do Espírito, Conselhos Sobre a Vida Cristã para uma Vida Santa, Não ameis ao mundo, A Igreja Gloriosa, A Igreja Normal, A Fé Cristã Normal, Autoridade Espiritual, Que Farei, Senhor?, Práticas Adicionais sobre a vida da Igreja, Esquadrinhando as Escrituras, Uma Mesa no Deserto, A Ortodoxia da Igreja, O Plano de Deus e os Vencedores, A Cruz na Vida Cristã Normal, O Obreiro Cristão Normal, O Evangelho de Deus, O Poder Latente da Alma, Os Doze Cestos, Os Cantares dos Cantares, A Obra de Deus, e muitíssimos mais. Os demais livros que se conhecem de Nee, traduzidos e publicados nos principais idiomas do mundo, foram as transcrições de sua pregação, ensinamentos e conferências, e os artigos publicados nas revistas Avivamento e O Cristão, que ele eventualmente dirigia.Em novembro de 1956 apareceu o primeiro livro em inglês de To-sheng que conheceu o mundo ocidental, A Vida Cristã Normal, impresso em Bombay, Índia. É provável que Nee, que jamais saiu do cárcere, morrendo nele aos vinte anos de prisão em 1º junho de 1972, não se inteirou da difusão amplíssima que têm tido seus livros, e da enorme benção que o Senhor está proporcionando à Igreja através deles.

Na América

Sabemos que as nações ibero americanas foram conquistadas e colonizadas por metrópoles européias que não conheceram e menos viveram a reforma protestante, mas trouxeram consigo as idéias da contra-reforma e da inquisição de um catolicismo romano que encheu estas terras de superstição e obscuridade; de maneira que o movimento protestante foi chegando paulatinamente e com dificuldades as nações latino-americanas.Também temos visto como mais tarde a América emigraram pequenos grupos de todas as vertentes de restauração da Igreja, incluídos dos Morávios, dos pietistas, dos Irmãos de Plymouth e outros. Em todos os países da América existem igrejas fundadas pelos Brethren. Também da China começaram a vir irmãos que haviam servido ao Senhor com o irmão Nee, como Stephen Kaung, que promoveu a tradução do chinês ao inglês das obras de Watchman Nee que se puderam salvar da destruição comunista. O irmão Kaung se radicou primeiro na Pensilvânia, e logo em Richmond, Virgínia, Estados Unidos. Em 1962 veio aos Estados Unidos o irmão Li Shang-chou, melhor conhecido como Witness Lee, que nasceu em Chefú, de pais budistas. Converteu-se ao Senhor em 1925, na idade de vinte anos, sendo batizado por Nee To-sheng no Mar Amarilho, chegando a ser ancião na igreja de sua localidade e integrante da equipe de obreiros que liderava Nee. Enérgico e autoritário foi muito usado pelo Senhor em Nanking e Shanghai, reorganizando as igrejas depois da guerra com o Japão, as quais haviam sofrido dispersões, mas que sobreviveram por sua característica de reunir-se pelas casas. A raiz do triunfo e do avanço comunista na China, Nee lhe indica que se traslade com sua família a Taiwan (China Nacionalista), a ilha governada pelo general Chiang Kai-shek, que não foi tomada pelo comunismo, onde se dedicou a organizar e dirigir uma próspera obra do Senhor. Nos Estados Unidos, Lee começou seu trabalho ao lado de Stephen Kaung; mais tarde se trasladou a Los Angeles, Califórnia, e por último se radicou em Anaheim, Califórnia, onde com sua equipe de colaboradores estabeleceu uma imprensa, a Living Stream Ministry, onde se têm publicado as obras de Nee, de Lee, as que têm sido traduzidas a vários idiomas.Por outra parte, assim o Senhor levantou nos Estados Unidos homens de Deus como Charles Simpson, Dom Basham, Derek Prince, Bob Mumford e outros, que foram regando a semente do avivamento carismático na restauração da casa de Deus.Para Argentina emigrou o apóstolo inglês Geofredo Rawling, contribuindo à difusão das obras de Nee, o qual influenciou no movimento de Renovação na Argentina e a vida no espírito, no qual também participaram como protagonistas os irmãos Miller, Jack Schisler, Keith Benson, Orwille Swindoll, Iván Baker, John Carlos Ortiz (o autor de Discípulo), Jorge Himitian, Ángel Negro, Augusto Ericson; a influência de todos estes chegou ao Paraguai através de Pedro Wareishuck, com quem se iniciou Gino Iafrancesco, que logo trabalharia no Paraguai, Brasil e Colômbia, principalmente. Esse avivamento argentino e outras correntes foram fluindo através de todo o território da América Latina.No Brasil chegaram irmãos com visão de igreja desde os Estados Unidos e China: os apóstolos John Walker, por um lado, e Dong Yu Lang, por outro, respectivamente. Igualmente surgiram apóstolos autóctones, como Aniceto Mario Franco, Jair Faria dos Santos, Adonias de Rondônia, Gerson C. Lima e outros. Todos estes apóstolos fundaram diversos grupos de igrejas locais ou de cada cidade.No Paraguai o movimento das igrejas locais começou com Gino Iafrancesco, Eleno Frutos e Mario Bogado. Depois deles chegam ao Paraguai alguns apóstolos de Taiwan, como Hou Yen Ping (que começou a obra entre os imigrantes chineses), e Lee Tau Thuin (quem a consolidou).Em nossa querida pátria Colômbia também se têm trabalhado na restauração da visão de Igreja do Senhor. A Respeito dos evangélicos na Colômbia, a historiadora Juana Bucana escreveu um importante livro; mas em relação com a visão da igreja têm trabalhado até a data Gino Iafrancesco (que têm tido relação com os obreiros de Argentina, Paraguai, Brasil, Colômbia e Holanda; também recebeu a destra de companheirismo de Witness Lee e é autor de numerosos livros e conferências), Edward Stanford (associado a Dong Yu Lang), Alexandre Pacheco (da equipe apostólica de Gino Iafrancesco) e outros.Recentemente temos tido contato e comunhão com um grupo de obreiros do Chile: Eliseo Apablaza F., Rodrigo Abarca, Roberto Sáez, Gonzalo Sepúlveda H.. Pedro Alarcón P., Roberto Chacón, Marcelo Díaz, entre outros, que lideram um importante avivamento de restauração nesse país.Com a morte de Witness Lee, em 3 de Junho de 1997, alguns que lhe seguiam, ao parecer não entenderem-lhe suficientemente, deram a impressão de deslizarem-se se inclinando aos sabelianistas e exclusivistas. Por outra parte, 24 obreiros de USA, Brasil e Taiwan que lhe seguiam, começaram a ensinar que em Witness Lee ficava definitivamente fechada a interpretação do Novo Testamento. O qual não compartimos que sustentemos um ponto de vista trinitário, por um lado; e por outro, a abertura vigente ao Espírito Santo para maior iluminação até a vinda do Senhor, sem substituir a autoridade do Novo Testamento, por de alguma interpretação, evitando ao mesmo tempo que o testemunho do Corpo de Cristo se converta em alguma seita de tipo ministerialista. Com isto se reconhece e continua o precedente cristocêntrico, bíblico e inclusivista que Wachtman Nee e outros deram acerca do Corpo de Cristo.

terça-feira, 11 de março de 2008

VI- Filadélfia ( 1ª Parte )

Capítulo VI
FILADELFIA
(1a. parte)



SINOPSE DE FILADÉLFIA


A etapa final da restauração da Igreja

Conclusão do iniciado na Reforma - Precursores da restauração: Os irmãos Boêmios, o conde Nicolau Zinzendorf y, os Morávios - Primeiras reuniões em Plymouth, Dublin, Itália, Georgetown no amor fraternal.

Restaurando a unidade da Igreja

Deixando de ser episcopais, presbiterianos, wesleyanos, batistas e outros, começaram a restaurar a unidade do Corpo de Cristo, a unidade do Espírito - Restaurando a igreja normal bíblica com seus santos, bispos e diáconos - Os que começaram a guardar a Palavra de Deus e a não negaram o nome do Senhor por substituí-lo por outro.

Uma promessa especial para Filadélfia

Os irmãos de Filadélfia, que houveram guardado a palavra da paciência do Senhor, serão guardados da hora da prova que há de vir sobre o mundo inteiro, isto é, a grande tribulação.

Nomes destacados entre os irmãos

Irmãos pioneiros: Eduardo Cronin, Wilson, Timms, Hutchinson, Anthony Groves, John G. Bellet, John Nelson Darby, S. P. Tregelles, Andres Jukes, W. Kelly, Charles Henry Mackintosh, C. Stanley y J. B. Stoney - Também é relevante o irmão Benjamin Wills Newton.

Nomes destacados no século XX

Na China: Watchman Nee, Witness Lee, Stephen Kaung - Na América: Geofredo Rawling, Jack Schisler, Keith Benson, Orwille Swindoll, Iván Baker, John Carlos Ortiz, Jorge Himitian, Angel Negro, Augusto Ericson, Gerson C. Lima, Gino Iafrancesco, Eliseo Apablaza.

Os vencedores de Filadélfia

Sexta recompensa: Serão feitos colunas no templo de Deus - Sobre eles serão escritos os seguintes nomes: o de Deus, o nome da cidade de Deus, a Nova Jerusalém, e o nome novo do Senhor Jesus Cristo. Tudo isso são recompensas que se receberão no reino milenar.


A CARTA À FILADÉLFIA


"7 Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá:8 Conheço as tuas obras eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome.9 Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei.10 Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra.11 Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.12 Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome.13 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas." (Ap. 3:7-13).


Amor fraternal


" Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá ".

Como as outras localidades, Filadélfia também estava localizada na Ásia Menor. A cidade foi fundada pelo rei persa Átalo Filadelfo II, rei de Pérgamo (reinou de 159 a 138 A. C.), ao redor do ano 150 a. C.; daí seu nome. Diz Matthew Henry: "Filadélfia foi fundada por Átalo II, rei de Pérgamo, cuja lealdade a seu irmão Eumenes ganhou o epíteto de ‘Filadelfo’, que em grego significa ‘amigo do irmão’" (Matthew Henry, op. cit, pág. 362). A palavra Filadélfia vem do grego phileo, amar, e adelfos, irmão, e significa amor fraternal; e esta carta prefigura a etapa histórica da Igreja, que se caracteriza precisamente pela comunhão no amor e no Espírito entre os irmãos, e a restauração prática de outros aspectos importantes na vida da Igreja, como o sacerdócio de todos os crentes, onde não há divisões entre clero e laicato, conforme os autênticos e verdadeiros parâmetros bíblicos. Com Esmirna, Filadélfia é uma das duas igrejas que o Senhor não repreende, senão que para ambas o Senhor tem palavras de aprovação e louvor. O período de Filadélfia alguns exegetas o chamam a era da piedade.
Fazendo uma síntese do processo de prostração e restauração na vida histórica da Igreja, transcrevemos as certas palavras do irmão Raul Marrero: "A história nos diz que o Corpo de Cristo passou por uma séria cirurgia, porém saiu mais fortalecido e mais decidido que nunca. Como a estratégia sangrenta não deu resultado, os planos de fazer cair à Igreja mudaram, e começou um período de grandeza e reconhecimento, tanto político como econômico. A suposta conversão do grande imperador romano Constantino pôs a Igreja em um estado de comodidade e apoltronamento. Chegou um momento em que a Igreja deixou de ser mensageira do caminho estreito da redenção para converter-se na religião popular daqueles tempos. A Igreja deixou de ser itinerante, para converter-se em uma força político-religiosa. Foi durante estes séculos seguintes quando a igreja deixou de ser católica universal para converter-se na Igreja católica romana. O plano era fazê-la engordar; fazê-la famosa. As glórias das que desfruta a Igreja romana depois de tantos séculos, se deve àqueles anos nos quais a Igreja se converteu em um sistema religioso mundial. Deixou de ser a Igreja que se reunia em becos empoeirados, para reinar nos palácios e caminhar sobre tapetes custosos. Este aparente progresso se foi convertendo lentamente em um perigoso câncer. Era como um câncer interno; difícil de detectar. Ninguem sabia que a Igreja estava abaixo do ataque de um câncer de popularidade e grandeza humana. Por muitos séculos, a Igreja esteve sentada sobre tronos e desfrutou de popularidade mundial. Mas tudo era uma praga escondida que afetou ao Corpo de Cristo por mais de mil e duzentos anos, até que chegou novamente o momento em que a Igreja entrou em outra etapa de saúde interna. Os agentes que combatem a favor do corpo entraram em operação novamente. Chegou o momento de recuperação do Corpo de Cristo que se conhece debaixo do nome de Reforma".*(1) Tudo se vai preparando para que chegue Filadélfia, que é um despertar no cristianismo para a definitiva restauração do Corpo de Cristo.
*(1) Raúl Marrero. Como escapar do labirinto religioso sem deixar de ser fiel a Deus. Editorial Vida - 1998. Pág. 31.

A igreja primitiva recebeu o depósito, a fé uma vez dada aos santos; essa fé foi a semente que se semeou (Mt. 13:3), e essa semente começou a germinar na história da Igreja. Primeiro brotaram as folinhas (a Trindade, a divindade de Cristo, Sua humanidade, suas naturezas, Sua relação com o Pai), depois foram saindo o talo e os ramos (a obra de Cristo, a salvação, a expiação), depois brotaram as espigas e o grão (a Igreja, o Reino, os vencedores, o Corpo de Cristo). Vemos que o Senhor vai avançando para que a Igreja volte à Palavra, à fé uma vez dada aos santos, ao amadurecimento. Com a Reforma apenas se começou a conhecer a obra de Cristo. Se a Igreja houvesse conhecido a obra de Cristo antes da Reforma, não houvessem chegado a fazer comércio com a salvação, vendendo indulgências, por exemplo. Uma vez que houve clareza sobre a obra de Cristo, sobre a salvação como um presente de Deus pela fé e a justificação pela fé, na Reforma, foi quando o Espírito Santo começou a dar clareza sobre a Igreja em Filadélfia. Uma vez entendida a Igreja, o que é realmente a Igreja, é como se pode entender o Reino, os vencedores, o Corpo de Cristo. O denominacionalismo de Sardes são os ramos da planta, mas ainda não é a espiga com os grãos.
Se, em Sardes temos visto começos de restauração, mas tudo fica sem terminar; pelo qual a igreja do amor fraternal é uma reação do Senhor pelo estado de morte da igreja reformada o protestantismo degradado e o catolicismo apóstata, para que na Igreja do Senhor se continue a obra perfeita de Deus, algo que sobrepujasse o realizado na Reforma. A raiz da Reforma, a restauração se inicia com a justificação pela fé; a ele e com o tempo se seguiu proclamando o evangelho da graça. Esta reação haverá de continuar até a vinda do Senhor. Filadélfia é a Igreja restaurada conforme os propósitos e a economia do Senhor. Como Sardes (o protestantismo) sai de Tiatira (o sistema católico) sem que esta deixe de existir, assim também Filadélfia sai de Sardes e esta segue existindo até a vinda do Senhor. Ainda que, como o expomos mais adiante, houveram anteriores movimentos precursores semelhantes ainda antes da Reforma, contudo, se consolida o período de Filadélfia na Inglaterra e outros países do mundo nos começos do século XIX, com um movimento chamado de os Irmãos, no qual se restaura a posição dos filhos de Deus, já não com relação a uma das tantas organizações de fatura humana, senão com relação à verdadeira comunhão do verdadeiro Corpo de Cristo. Sem desconhecer os prelúdios morávios, afirmamos que os princípios de Filadélfia tiveram também lugar na Inglaterra por considerar o país mais influente, mas quase que simultaneamente o Espírito começou a inquietar a diferentes irmãos de distintas denominações, inclusive ministros ordenados, e se deram reuniões dos irmãos em diferentes lugares como Plymouth, e Londres na Inglaterra, Dublin (Irlanda), Itália, Georgetown (Guiana Inglesa) e outros, no lapso compreendido entre 1812 a 1818. Isso ocorria sem que tivessem conhecimento e contato entre os vários grupos durante a etapa inicial.
Assim como da Babilônia regressa tão só um remanescente do povo hebreu a restaurar o templo e a nação de Israel, assim mesmo faz Filadélfia sai um pequeno remanescente, que não alcança a fama e o renome da Reforma, pois há diferença nos meios usados na reação de ambos movimentos. Isto irmãos se preocuparam pela degradação espiritual e as práticas anti-bíblicas das organizações cristãs. Filadélfia surge como um movimento contra o mero cerimonialismo e o formalismo do luteranismo e outras vertentes protestantes, abaixo a vivência espiritual da piedade interna, a prática do amor ágape e uma realidade moral subjetiva e um testemunho verdadeiro por cima e por contraste das vazias práticas cerimoniais. Em seu despertar, Filadélfia é marcadamente neotestamentária em forma integral, fazendo por um lado as alienantes e desviadoras tradições religiosas. Na restauração que Filadélfia desperta, os irmãos vivem "solícitos em guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz" (Ef. 4:3), porque com Lutero havia-se restaurado o evangelho mas não a unidade do povo de Deus como encontramos no livro de Atos. Filadélfia pretende destruir as separações denominacionais entre os filhos de Deus, porque a Escritura nos ensina que o denominacionalismo é um erro e uma obra da carne. As denominações são organizações desconhecidas no Novo Testamento. Se a unidade da Igreja não se dá por meio do Espírito Santo, e é expressada em uma igreja por cada cidade em nome do Senhor Jesus, não há unidade.
A Igreja de Jesus Cristo havia vivido muitos séculos de mentirosa orientação e hipocrisia, e Ele se apresenta agora como o Santo e o Verdadeiro, como uma convocação à igreja em Filadélfia a caminhar pelo caminho correto da santidade e a verdade, e a doutrina ortodoxa bíblica e apostólica; abrindo passo à restauração da Igreja com a pregação da Palavra de Deus e não por meio da espada, como havia ocorrido no período da Reforma. Só com Cristo a Igreja pode ser santa; só com a unção e comunhão do Senhor, a Igreja pode caminhar por este mundo na perfeita separação do mundo, e andar na verdade, ou seja, ser verdadeira, na fidelidade ao Senhor. Não é possível alcançar o Senhor por caminhos diferentes ao plantado pela Palavra de Deus; os outros caminhos são sujos, falsos, torcidos, inventados, hipócritas, envoltos em uma religiosa aparência de santidade e retidão.
Em Filadélfia a regeneração chegou a ser vida nos santos e não só doutrina dogmática, porque a ortodoxia exige a ortopraxia. O que aqui se expõe não é novo, senão simplesmente o que foi instaurado e ensinado na Igreja desde o princípio, antes de que caísse sobre ela as corruptas correntes inovadoras e perturbadoras, que estorvam a legítima economia do Senhor. A Palavra de Deus não tem caducado, nem têm perdido vigência nenhum de seus princípios normativos. A graça de Deus que salva o homem por Cristo segue sendo um mistério insondável, e segue sendo esse dom não merecido que deve ser recebido em humilde gratidão. A Igreja segue sendo o Corpo de Cristo, e para sua edificação sobram as novas estratégias, os novos métodos, os novos planos e as novas organizações, tudo o qual se aparta do genuíno método de Deus e do único e original plano do Senhor. Isto o diz o Santo, o Verdadeiro, o único que tem o poder para orientar-te corretamente em teu ministério. Na Igreja, o chamamento ao ministério recai primeiramente como uma responsabilidade pessoal sobre os chamados, que os obriga a tomar decisões de tipo pessoal, para o qual pouco serviria o conselho nem a orientação de quem não conhece o chamamento; aqui só serve a orientação do Senhor, sem negar por ele a colegialidade do ministério.
Também o Senhor se apresenta à Filadélfia como o que tem a chave de Davi, o qual representa a autoridade do Senhor para abrir e fechar, e com essa chave cuida a igreja recobrada. A chave de Davi representa o domínio de Deus sobre todo Seu universo, esse senhorio que Deus outorgou a Adão, mas que este perdeu com a queda; mas tudo foi restaurado com Cristo, o verdadeiro Davi, que como Seu ancestral, livrou à batalha pelo estabelecimento do reino de Deus e pela construção do templo, a Igreja. Havia uma porta fechada, uma grande dificuldade para que se levasse à prática essa vida no Espírito e o trabalho na reconstrução da casa de Deus, mas se apresenta o Senhor com a chave, e diz que ao abrir Ele, ninguém poderia fechar. Tanto a igreja apóstata como a reformada haviam chegado a certo grau de ruína espiritual, que não só se preocupavam com o material, as vantagens e ganâncias terrenas, que se compara com certa situação do povo hebreu nos tempos de Isaías, época próxima ao eventual cativeiro a Assíria do reino do norte. Sebna, cujo significado é vigor juvenil, na ocasião mordomo e tesoureiro da casa de Deus, não atendendo as advertências de Deus sobre o iminente exílio, seguro de sua estabilidade no seu alto cargo religioso, manda escavar um sepulcro para si mesmo, pelo qual a Palavra de Deus diz:
" 12 O Senhor, o SENHOR dos Exércitos, vos convida naquele dia para chorar, prantear, rapar a cabeça e cingir o cilício.13 Porém é só gozo e alegria que se vêem; matam-se bois, degolam-se ovelhas, come-se carne, bebe-se vinho e se diz: Comamos e bebamos, que amanhã morreremos.14 Mas o SENHOR dos Exércitos se declara aos meus ouvidos, dizendo: Certamente, esta maldade não será perdoada, até que morrais, diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos.15 Assim diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos: Anda, vai ter com esse administrador, com Sebna, o mordomo, e pergunta-lhe:16 Que é que tens aqui? Ou a quem tens tu aqui, para que abrisses aqui uma sepultura, lavrando em lugar alto a tua sepultura, cinzelando na rocha a tua própria morada?17 Eis que como homem forte o SENHOR te arrojará violentamente; agarrar-te-á com firmeza,18 enrolar-te-á num invólucro e te fará rolar como uma bola para terra espaçosa; ali morrerás, e ali acabarão os carros da tua glória, ó tu, vergonha da casa do teu senhor.19 Eu te lançarei fora do teu posto, e serás derribado da tua posição.20 Naquele dia, chamarei a meu servo Eliaquim, filho de Hilquias,21 vesti-lo-ei da tua túnica, cingi-lo-ei com a tua faixa e lhe entregarei nas mãos o teu poder, e ele será como pai para os moradores de Jerusalém e para a casa de Judá.22 Porei sobre o seu ombro a chave da casa de Davi; ele abrirá, e ninguém fechará, fechará, e ninguém abrirá.23 Fincá-lo-ei como estaca em lugar firme, e ele será como um trono de honra para a casa de seu pai.24 Nele, pendurarão toda a responsabilidade da casa de seu pai, a prole e os descendentes, todos os utensílios menores, desde as taças até as garrafas. " (Is. 22:12-24).
Eliaquim significa: Deus restaurará, ou Deus estabelecerá; é um protótipo de Cristo, e líder do remanescente que seguia crendo e obedecendo a Deus, contrastando assim com os que como o mundano Sebna, faziam alianças com o mundo idólatra. Por isso recebeu a chave de Davi; ou seja, a chave da casa de Deus, das riquezas do Senhor, a fim de que as proveja a todos os necessitados. O Senhor lhe fez responsável dos tesouros de Sua casa. O Senhor, em Cristo e por Seu Espírito, entrega a Filadélfia as chaves de Sua Casa, para que administre todos os tesouros que estão sendo restaurados em Sua Igreja.
Devemos ter presente também que na Ásia Menor se praticava muito o culto a Janos, o deus que abre e fecha. Janos era o deus pagão das portas e as dobradiças, o das chaves babilônicas que diz ter o papa romano, e era também chamado o deus dos princípios, daí que janeiro (em inglês january) seja o princípio de ano, primeiro mês; por isso Janos era conhecido como o deus que abre e fecha, ou seja, o porteiro, e pensamos que de alguma maneira se relaciona este culto com as palavras do Senhor Jesus à igreja da localidade de Filadélfia, quando lhes diz: " 7 Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá:8 Conheço as tuas obras eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. " (Ap. 3:7-8). O deus pagão Jano era um deus falso; Jesus é o Deus verdadeiro que abre e fecha. Cristo é o centro neurálgico da economia e dos propósitos de Deus.


Uma porta aberta


" 8 Conheço as tuas obras,eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fecha,que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. ".

As obras de Filadélfia eram encomendadas pelo Senhor, pois esse pequeno grupo, um remanescente reduzido em número como aquele que se iniciou em 1828, não teria outra ambição que servir ao Senhor, conhecer-lhe, ter comunhão com Ele, estudar e por em prática a Palavra do Senhor. O Senhor levantou alguns irmãos na Inglaterra para que começassem a viver a prática da Igreja restaurada, a adequada vida do Corpo, fora de toda denominação e sistema divisivo, restaurando assim o amor entre os irmãos, a comunhão no Espírito em sua posição original. Alem disso se foram restaurando muitas verdades bíblicas, como: a verdadeira natureza da Igreja do Senhor, o ministério do Espírito Santo em relação com o indivíduo e o Corpo de Cristo, a posição do crente em Cristo, a suficiência do nome de Cristo, o sacerdócio de todos os crentes, o arrebatamento da Igreja, a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo e seu reino milenar na terra, a unidade do Corpo de Cristo. Recorde-se que a medida que a Igreja se estabelecia no mundo para por sua morada nele, se foi perdendo nos cristãos a visão do regresso do Senhor Jesus; ensinamento que havia dado força e ânimo aos primeiros cristãos. Tudo foi mudando, até que chegou o momento em que muitos dos chamados "pais da Igreja", interpretaram as profecias apocalípticas como já cumpridas na vigência do Império Romano.
Muitas destas verdades restauradas se começaram a pregar em Filadélfia desde os púlpitos evangélicos, ainda que não todas, porque Filadélfia têm voltado à Palavra de Deus e têm sido fiel a ela, e com Filadélfia têm aprendido nossos irmãos de Sardes, mas infortunadamente esses ensinamentos têm sido em parte mal usados. Por exemplo, o sacerdócio de todos os santos têm sido negligenciado pelo protestantismo. O funcionamento de um clero ordenado dentro da congregação tem o nefasto efeito de apagar o controle que o Espírito Santo exerce sobre as atividades sacerdotais dos membros do Corpo. Os irmãos pioneiros na restauração dos princípios bíblicos, que têm adotado uma posição definida na vertente bíblica por convicção e não por conveniência, os que tem sofrido uma forte e até violenta oposição, apreciam muito essas verdades e não abandonam essa posição, porque o preço têm sido muito alto.
O Senhor tem a chave de Sua casa, e por isso têm aberto uma porta à igreja restaurada, a qual ninguém pode fechar. O organizacionalismo sectário que se têm apoderado da grande parte da cristandade, têm tratado de fechá-la, de opor-se à restauração da Igreja de Jesus Cristo, mas é uma porta que se vai abrindo mais para que mais irmãos entrem por ela, pois somente o Senhor, que é Cabeça da Igreja, tem a chave; não há mais chaves. As igrejas orientais atuais são uma mescla do cristianismo primitivo e do paganismo grego e oriental; o catolicismo romano é uma mistura do cristianismo primitivo greco-romano e germano-saxão, do paganismo e do judaísmo; o protestantismo tratou de restaurar o cristianismo primitivo, mas ficou pela metade, ante qual o Senhor reagiu restaurando Sua Igreja por cima dos limites do protestantismo.

"que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome." (v.8b).

O Senhor elogia a igreja restaurada e lhe diz que têm guardado Sua Palavra ainda que tenha pouca força. Aqui se refere à força física e humana, não à força espiritual, da qual é rica. Filadélfia tem pouca força, mas é melhor essa pouca força quando se tem o pleno respaldo do Senhor, que gozar de uma boa reputação não merecida, como no caso de Sardes. A igreja começou a ser restaurada por um pequeno remanescente; ainda que carente dos grandes meios econômicos e relações políticas do cristianismo organizado; não faz parte dos fortes deste mundo; pelo contrário, sofre a oposição de organizações reformadas, de onde tem saído. Pode-se pensar que ao Senhor agrada quando fazemos muitas coisas por Ele; mas isso é discutível. Às vezes se trabalha para satisfazer a vaidade egoísta. Não é necessário intentar ser forte; nem o Senhor quer que sejamos fortes. O débil (Davi) venceu ao forte, o gigante (Golias). O Senhor está interessado em que sejamos féis no pouco, que trabalhemos com o que temos recebido Dele, não de outro. "9 Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.
10 Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte." (2 Co.12:9-10).
As organizações poderosas podem menosprezar os começos modestos da restauração da Igreja, quando tem chegado o momento de reconstruir o templo do Senhor, o verdadeiro testemunho da igreja nesta terra. Mas acontece exatamente igual ao ocorrido ao povo judeu depois de setenta anos de cativeiro na Babilônia. Deles iam regressando à Terra Santa pequenos grupos nos tempos de Zorobabel e Josué, Esdras e Neemias. Não regressaram com muitas riquezas materiais, mas sim plenos da necessária confiança em Deus para empreender a reconstrução da nação, a cidade e o templo. Houve muita oposição por parte dos que estavam ali organizados, como Sambalá, Tobias e Gesém, porque não tinham a devida relação com Deus e não haviam legitimidade em suas raízes. O Senhor estava vendo tudo isso, e dispôs ali do ministério dos profetas Ageu e Zacarias para alentar ao povo para que continuasse a obra de restauração, e Deus falou por meio de Zacarias a Zorobabel, dizendo-lhe: "6 Prosseguiu ele e me disse: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel: Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos. 9 As mãos de Zorobabel lançaram os fundamentos desta casa, elas mesmas a acabarão, para que saibais que o SENHOR dos Exércitos é quem me enviou a vós outros.10 Pois quem despreza o dia dos humildes começos, esse alegrar-se-á vendo o prumo na mão de Zorobabel. Aqueles sete olhos são os olhos do SENHOR, que percorrem toda a terra" (Zac. 4:6,9-10). Com Filadélfia está ocorrendo isso. Os pequenos grupos, mas não reduzidos a meras pessoas jurídicas, que integram as incipientes igrejas nas localidades, mas que se ajustam à Palavra de Deus, são menosprezados. Mas aí está essa porta aberta, e ninguém a poderá fechar.
A igreja restaurada serve ao Senhor guardando Sua Palavra. As regras de conduta da Igreja, como tudo o que tem a ver com ela, são as que estão estabelecidas na Palavra de Deus, porque por meio dela, Ele se expressa. A principal causa de que séculos antes de que muitas organizações houvessem apostatado, foi porque se desviaram da Palavra do Senhor. Sardes na Reforma, até certo ponto restaurou a Palavra de Deus, mas negou Seu nome. Filadélfia tem se sustentado na linha da restauração, regressando inteiramente Palavra, e por isso não tem negado o nome do Senhor; a igreja restaurada abandonou esses nomes diferentes ao do Senhor Jesus Cristo. Se tem posto como moda no protestantismo que um cristão não se contente com ser somente cristão; é necessário que seja wesleyano, batista, pentecostal, carismático, luterano, presbiteriano, anglicano, copto, metodista, assembleísta e mil “istas” mais, e não podem conceber que um cristão não esteja debaixo da cobertura de uma organização dotada de um nome e de uma pessoa jurídica. E ao que pergunta, se respondemos às secas que somos cristãos, isso não lhe basta. Parece que não aceitaram nem conceberam que possam existir cristãos sem que pertençam a uma denominação determinada. Todos estes nomes estão dividindo aos filhos de Deus. Como diz Watchman Nee: "Os dois milênios da história da Igreja são um triste registro das invenções humanas para destruir a unidade da Igreja" ( A Igreja Normal, Watchman Nee, Tipográfica Indígena, Cuernavaca, Morelia, México, 1964, pág. 93).
A única separação que necessitamos é do mundo, quando só nos interessa levar o nome do Senhor Jesus. Quando a Igreja, a desposada com Cristo, toma outro nome, fornica espiritualmente, " 2 Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo. " (2 Co. 11:2). A igreja restaurada guarda a Palavra do Senhor, e guardando-a e entendendo-a, no meio deles não há credo, nem doutrina, nem tradição, nem opiniões dos homens, nem ensinamentos diferentes da Palavra de Deus. Às vezes pode dar-se o caso de entenderem-se muitas doutrinas ou aceitar um credo particular, sem que necessariamente se conheça a Bíblia. Costuma-se tratar de enquadrar, simplificar e limitar a Bíblia reduzindo-a a um credo. Por que se dão estas coisas? Porque a Bíblia, entendem-na os que têm a vida de Deus, e um credo, o entende qualquer sem muita complicação.
Em virtude de que a nada do começado na Reforma se tem dado feliz cumprimento, por essa razão a igreja de Filadélfia é a encarregada de acabar a obra de restauração total da Casa de Deus. Filadélfia não tem negado o nome do Senhor. Não negar o nome do Senhor, implica também não negar Sua pessoa, confessando-o com valor e afrontando qualquer risco. Os sistemas denominacionais de Sardes tem substituído o nome do Senhor por outros nomes de fabricação humana. A Igreja de Filadélfia não exclui aos irmãos denominacionais; tem comunhão com eles, com os santos, porque é inclusiva, mas não participa do sistema que nega o nome do Senhor. Pode-se fazer parte do sistema denominacional e mediante o Espírito e a Palavra do Senhor receber clareza sobre o que não é legítimo, sobre o que não está de acordo com a Palavra, sobre o que não deve permanecer, nem aprovar-se nem respaldar-se, e se começa a sentir o desejo de não seguir participando em muitas dessas coisas. Tem-se por benção, que ingresse muita gente a nosso círculo cristão, mas isso não é apropriado quando o caminho não é estreito. A porta aberta que o Senhor tem posto diante da Igreja, ninguém a pode fechar, e de fato se tem intentado fechá-la, mas não podem, porque quem tem as chaves é o Senhor Jesus.
A Igreja teve seu nascimento e iniciou seu crescimento e desenvolvimento com um mínimo de forma institucional e credo se é que se pode assegurar que algo disso havia em sua estrutura, salvo alguma dose de procedimentos herdados em seus primórdios, em maior porcentagem de judaísmo, pois mais que formas fixas de organização e culto externo, o fundamental na Igreja do Senhor desde aquele primeiro dia de Pentecostes, o que na realidade a faz atrativa, sua verdadeira riqueza, era e segue sendo o Senhor Jesus Cristo encarnado, crucificado, ressuscitado, glorificado e manifesto em Sua Igreja por Seu Santo Espírito. Os demais aspectos têm sido colocados em um lugar secundário no curso da verdadeira construção do templo de Deus. Na prática a Igreja universal de Jesus Cristo é espiritual, é um organismo vivo e não meramente uma multiplicidade de sistemas organizacionais.
A Igreja é expressada pelas igrejas locais, as quais, por terem os anciãos e diáconos, estão organizadas. Se se associa a palavra "igreja" (ekklesia) com o edifício ou lugar de reunião, ou com uma instituição, nos desviamos da verdade escritural. É necessário começar a associar o termo igreja com a comunhão dos santos, com a realidade do povo de Deus em Cristo pelo Espírito, do Corpo do Senhor Jesus. O termo grego ekklesia vem da preposição “ek”, que significa fora e “klesis” que significa uma chamada, de maneira que os santos são “os chamados fora de”, o qual não se relaciona para nada com os edifícios ou as organizações eclesiásticas. "Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo." (1 Co. 12:27). "22 E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja,23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas." (Ef. 1:22,23). As instituições são invenções humanas e não estão implícitas na economia divina, por muito que se lhes pretenda defender. Pode-se fazer parte da assembléia institucional sem que necessariamente se faça parte da Igreja de Jesus Cristo, e isto deve saber qualquer que medianamente estuda a Escritura. O erro da denominação consiste em que não são todos os que estão, nem estão todos os que são. Biblicamente devemos associar o termo igreja primeiramente com a assembléia inclusiva dos crentes regenerados na localidade, e logo com a de todos em todo o universo, o qual leva implícito, ou está conectado com a unidade em Cristo e a comunhão no Espírito.
A Igreja tem sua Cabeça que é Cristo, tem sua jurisdição que é a localidade ou cidade, inclui todos os filhos de Deus de uma cidade sem excluir a nenhum por razões sectárias, de posição social o econômica, de raças, de ênfases doutrinárias; assim também tem a Igreja seu conteúdo bíblico, seu serviço próprio, a disciplina legítima e bíblica, o governo, a comunhão, a unidade, as finanças, as reuniões, as relações; tudo isto o tem a Igreja em um marco bíblico e normal, como está no plano de Deus, como está na Bíblia, sem os farisaicos aditamentos estatutários. A Igreja de Jesus Cristo não funciona porque a autoridade civil lhe outorgue poder de pessoa jurídica. Pessoalmente me informei sobre certa congregação cristã que, para se tornar uma pessoa jurídica e ter seus estatutos ou regulamentos internos, encarregou sua redação a um advogado sem conversão, nos quais não aparecia o nome de Deus nem de Seu Cristo. E me consta que se regiam por esse documento para dirimir muitos de seus assuntos.


Precursores da restauração


Ante a tragédia da Guerra dos Trinta Anos surgiram algumas correntes de avivamentos emanados de pequenas fontes como a dos Irmãos Boêmios ou Unitas Frátum, que haviam sofrido muito durante a guerra. As correntes protestantes estabelecidas oficialmente em muitas partes de Europa, no século XVIII haviam caído em um letargo espiritual, devido em parte a uma onda de racionalismo associado com o deísmo, e também ao esfriamento do avivamento inicial. Nessas circunstancias, em 1722 um grupo de irmãos que haviam seguido os princípios de vida espiritual praticados e ensinados por John Huss, emigraram da Morávia (ao sul da República Tcheca, norte da Áustria e oriente da Eslováquia) e Boêmia, a Saxônia, conduzidos por Cristiano David. O conde Nicolau Luis Zinzendorf (1700-1760) os acolheu amorosamente em seu feudo, pois havendo recebido sua educação na escola teológica da Universidade de Halle, esteve debaixo da influência do piedoso Augusto Hermann Franke (1663-1727), proeminente no movimento pietista. De princípios luteranos, Zinzendorf cursou estudos de direito em Wittenberg, chegando a ser um viajante infatigável; se distinguia por sua sensibilidade, capacidade e uma imaginação compreensiva universal; mas o que mais chama a atenção é que desde sua juventude se despertou nele uma inconformidade frente à situação espiritual em que havia caído à moribunda igreja oficial. O pietismo neste jovem nobre tomou a forma de uma ardente devoção ao Senhor Jesus. Para acolher os irmãos, Zinzendorf destinou sua propriedade em Berthelsdorf, em Lusace, a uns trinta quilômetros de Dresden, para criar o chamado "feudo de Deus".
Em meio a tudo isso, ali os irmãos Morávios começaram algo diferente, algo assim como uma célula viva já não de uma organização mas, senão da expressão corporal da Igreja de Jesus Cristo; e se ocuparam de derrubar as árvores dos bosques circundantes, drenaram alguns terrenos pantanosos, e edificaram uma cidade comunitária cristã, Hernhut ("Sombreiro ou sombra do Senhor"), que se converteu com o tempo não só em um grande centro industrial, senão também de vida espiritual e corporativa, cujas ganâncias comunitárias eram reservadas inteiramente para a obra missionária. Seiscentos cristãos comunitários produziam não só para si mesmos, senão para manter até mil missionários em tudo o mundo.
O conde Zinzendorf se estabeleceu em Hernhut e lá teve por centro e sede de suas atividades missionárias e para promover a vida espiritual com os irmãos, pois teve o anelo de espalhar a fé cristã através de muitas partes do mundo, e naquele grupo de irmãos refugiados e perseguidos, ele viu uma oportunidade que o Senhor lhe dava de realizar seus desejos, identificando-se com eles. Ali construíram casas para os santos pobres e fundaram um seminário teológico para educar aos missionários que haveriam de levar as boas novas a longínquas terras, e quando chegavam à ancianidade, regressavam a esse seu lugar a passar o resto de seus dias. Aos fins do século XIX continuava ali a vida tranqüila e feliz, como a “Meca” dos irmãos Morávios, que, além da herança de Huss, se relacionavam com o pietismo e com a Unitas Frátum, e se distinguiam por sua integridade moral e sua vida espiritual inclinada para o pietismo. Em certa forma se assemelhavam muito aos puritanos ingleses do século XVII, cuidando-se sempre de conformar-se o mais possível aos princípios bíblicos de vida corporativa como igreja. Como é de se supor, isto gerou fortes protestos por parte dos círculos eclesiásticos oficiais alemães, conseguindo que o conde fosse desterrado.
Em 1732 os missionários morávios chegaram ao território da Greolândia sob a liderança de Hans Egede; na América do Norte em 1733, e um pouco depois de 1750 estenderam suas operações até o Labrador. Inauguraram uma colônia que tinha seu centro em Bethlehem (Pensilvânia). Ali seu principal dirigente era Spangenburg, mas foram visitados por Zinzendorf. É curioso registrar que o dirigente Quaquer, Guilherme Penn, fundou a Pensilvânia como um "santo experimento" com Filadélfia, a Cidade do Amor Fraternal, como sua capital, operando abaixo uma forma de governo que buscava colocar os cimentos de uma sociedade construída sobre princípios cristãos e governada por ideais cristãos. Também se registra que em 1732, pela iniciativa de Zinzendorf, os morávios começaram umas missões entre os negros das Índias Ocidentais Danesas, e em 1735 nas colônias holandesas da costa norte de América do Sul.
Ao morrer o conde em 1760, o labor apostólico de uma equipe de 220 missionários repartidos em 24 países, se refletia em uns 30.000 crentes que constituíram a avançada do futuro trabalho de restauração da Igreja do Senhor em nossos tempos. John Wesley estabeleceu contato com os irmãos Morávios, o qual lhe produziu uma experiência significativa, fazendo Dele o promotor de um grande despertamento evangélico e o iniciador do Metodismo.


A moderna história de José


" 9 Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei. ".
A palavra judeu se deriva de Judá, a que a sua vez em hebraico é yadáh, que significa louvar a Javé, então etimologicamente os judeus são aqueles que louvam a Deus, e essa é a conotação profética no presente versículo. A igreja histórica de Filadélfia estava composta em sua maioria por judeus, e, aliás, principalmente por essa causa, foi perseguida também pela sinagoga dos judeus que não haviam se convertido, e qualificavam aos irmãos de apóstatas, de traidores de seu povo, de hereges, de sectários, de que haviam se afastado de Deus e do cumprimento da lei, e por isso eles, os da sinagoga, proclamavam que eram autênticos judeus, mas o Senhor mesmo revela sua falsidade, dizendo que definitivamente não eram verdadeiros judeus, senão mentirosos que não reverenciavam a Deus. Que significado pode ter tudo isto para o momento atual? Já o explicamos no capítulo segundo quando estudamos a carta a Esmirna e as conotações da palavra judeu. Agora se trata das instituições eclesiásticas que pretendem possuir a legítima sucessão estabelecida por Deus. Em certa maneira o cristianismo se desprende do judaísmo, pois ali há raízes, assim como a igreja restaurada se desprende da igreja reformada.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

ARMINIANISMO versus O CALVINISMO

TERCEIRO APÊNDICE DO CAPÍTULO V
TESES DO ARMINIANISMO versus O CALVINISMO*(1)

*(1) Para ter pelo menos uma clara idéia do que é o Calvinismo e o Arminianismo e seu histórico enfrentamento doutrinal nas vertentes protestantes, digamos primeiro algo relacionado com Calvino e Armínio. O francês João Calvino (1509-1564) foi um dos maiores teólogos da Reforma protestante. Instalado em Genebra, Suíça, estruturou a vida da cidade abaixo a forma de um sistema ou regime teocrático, de fusão da organização da vida temporal e histórica, com as exigências espirituais mais intransigentes. Seu pensamento teológico está modelado em um livro de sua autoria titulado Institutos da Religião Cristã, provavelmente o único e mais influente livro da Reforma protestante, obra na qual expõe os princípios cristãos ensinados na Igreja, conforme as doutrinas apostólicas, antes que sofressem as corruptas inovações da Igreja Católica Romana. Para expor suas idéias, Calvino seguiu a ordem do Credo Apostólico, fazendo especial teimosia nas Escrituras e nos escritos de Agostinho de Hipo.Calvino, entre outras coisas, expõe o ensinamento bíblico de que com a queda do homem, sua vontade foi tão debilitada, e foi sumindo tanto na escuridão e na cegueira, que foi incapaz de fazer alguma obra boa, a menos que fosse ajudado pela graça especial que Deus tem dado a seus eleitos e predestinados (Efésios 1:4-5; Romanos 8:29-30) e recebido por meio da regeneração e justificação, pela obra de Cristo. O que há, pois, para os demais? Que se não for a graça, todo homem está debaixo da merecida ira de Deus. Então, se salva alguém por sua própria iniciativa e vontade? A salvação do homem depende inteiramente da iniciativa de Deus. É por fé, não por obras (Efésios 2:8-9; João 16:8-10). Esse é um pequeno resumo da doutrina calvinista a respeito da salvação. Enfrenta o Arminianismo, que é uma heresia propagada por Jacob Armínio (1560-1609), a qual, fundamentalmente, se opõe à doutrina da dupla predestinação.A morte de Calvino e seu ministério foi continuado por seu condiscípulo Teodoro Beza (1519-1605), professor de teologia na Academia de Genebra. No mesmo século XVI começaram a surgir as controvérsias em torno à salvação, que ainda seguem debatendo. Sobre isso citamos a Scott Latourette:"Depois que terminou a peja política, explodiu uma luta importante sobre doutrina dentro da Igreja Reformada Holandesa. Os supra-lapsários e os infra-lapsários, ou seja, entre os que criam que Deus antes que criasse o mundo, havia decretado quais deveriam ser salvos e quais deveriam ser condenados, e os que defendiam a opinião de que foi em vista do pecado de Adão e só depois de dita catástrofe, quando Deus decretou que certos homens seriam salvos e outros perdidos. Contra ambas teorias protestaram alguns que foram chamados logo remonstrantes. Entre estes o personagem principal foi Jacob Armínio, discípulo de Beza e professor de Teologia da Universidade de Leidem (Holanda), o qual proposto refutá-los, ficou convencido por eles. De conseqüente a posição remonstrante têm sido conhecida como o arminianismo. Ele, recusando o supra-lapsarianismo e o infra-lapsarianismo, a expiação limitada (a saber, o ensinamento de que Cristo morreu só pelos eleitos), a graça irresistível e a perseverança dos eleitos, ensino que Cristo morreu por todos os homens, que a salvação é pela fé somente, que os que crêem são salvos, que os que reusam a graça se perdem, e que Deus não escolhe a indivíduos particulares nem para uma nem para outra coisa. As paixões se inflamaram nas discussões". Kenneth Scott Latourette. Historia del Cristianismo. Tomo 2. Casa Bautista de Publicaciones. 1979. Pág. 115.


Os cinco pontos do Arminianismo:
1. O livre arbítrio. Mesmo que a natureza humana foi afetada seriamente na queda, o homem não tem ficado em um estado de impotência espiritual total. Pela graça, Deus dá o poder espiritual a cada pecador para arrepender-se e crer, mas Ele o faz de tal maneira, que não interfere com a liberdade do homem. Cada pecador é possuidor de um livre arbítrio, e seu destino depende do uso que ele lhe dê. A liberdade do homem consiste em sua habilidade de escolher o bem em lugar do mal nos assuntos espirituais; sua vontade não está escravizada por sua vontade pecaminosa. O pecador tem poder para cooperar com o Espírito Santo e desta forma ser regenerado; e tem poder para resistir à graça de Deus, e, portanto perecer. O pecador perdido necessita da ajuda do Espírito, mas não tem que ser regenerado pelo Espírito antes de poder crer; porque a fé é uma obra humana e precede ao novo nascimento. A fé é o dom do pecador a Deus; é a contribuição do homem a sua salvação.
2. A eleição condicional. O fato de que Deus escolheu certos indivíduos para ser salvos antes da fundação do mundo, foi baseado no fato de que Deus previu que eles responderiam a seu chamamento. Ele escolheu somente àqueles que Ele sabia que por si mesmos creriam no Evangelho. Portanto, a eleição foi determinada ou condicionada pelo que o homem faria. A (fé que Deus prevê e na qual se baseia para escolher aos salvos, não é algo criado pelo poder regenerador do Espírito Santo), dado ao pecador por Deus (não é algo criado pelo poder regenerador do Espírito Santo), senão algo que resulta inteiramente da vontade do homem. Foi deixado completamente à vontade do homem crer ou não, e assim determinar se seria eleito ou não à salvação. Deus escolheu aos que Ele sabia que por seu livre arbítrio escolheriam a Cristo. Assim pois, a causa final da salvação é que o pecador escolhe a Cristo e não que Deus escolha ao pecador.
3. A redenção universal ou a expiação geral. A obra redentora de Cristo fez possível a salvação de todos, mas não assegurou realmente a salvação de ninguém, ainda que Cristo morreu por todos e por cada homem, somente os que crêem Nele são salvos. Sua morte fez possível que Deus perdoasse aos pecadores, a condição de que eles criam; mas de fato não acabou com os pecados de ninguém. A redenção de Cristo tem eficácia só se o homem queira aceitá-la.
4. Se pode resistir eficazmente ao Espírito Santo. O Espírito chama internamente a todos aqueles que são chamados externamente pelo convite do Evangelho. O Espírito faz todo o possível para levar a cada pecador à salvação, mas como o homem é livre, pode resistir o chamamento do Espírito. O Espírito não pode regenerar ao pecador até que este creia; a fé (que é a contribuição do homem) precede e faz possível o novo nascimento. Portanto, o livre arbítrio do homem, limita ao Espírito Santo na aplicação da obra redentora de Cristo. O Espírito Santo pode atrair a Cristo só àqueles que o permitem. Até que o pecador responde, o Espírito não pode dar vida. A graça de Deus, portanto, não é invencível; pode ser, e com freqüência é, resistida e frustrada pelo homem.
5. Caindo da graça. Aqueles que crêem e são verdadeiramente salvos, podem perder sua salvação se deixam de perseverar em sua fé.
Os cinco pontos do Calvinismo:
1. Inabilidade total ou depravação total. Por causa da queda, o homem é incapaz por si mesmo de crer no Evangelho de uma maneira salvadora. O pecador está morto, cego e mudo às coisas de Deus; seu coração é enganoso e desesperadamente corrupto. Sua vontade não tem liberdade, está cativa a sua natureza caída. Portanto, não escolherá o bom invés do mal enquanto ao espiritual, porque em verdade não pode escolhê-lo. Como conseqüência, necessita-se mais que a ajuda do Espírito para levar o pecador a Cristo. Necessita-se da regeneração pela qual o Espírito ressuscita ao pecador morto e lhe da uma natureza nova para que possa crer. A fé não é a parte com que o homem contribui a sua salvação, senão que a fé é em si uma parte do dom de Deus na salvação; é o dom de Deus ao pecador, e não o dom de pecador a Deus.2. Eleição incondicional. A eleição de certos indivíduos para ser salvos ainda antes da fundação do mundo, descansa inteiramente na vontade soberana de Deus. Sua eleição de certos pecadores não está baseada em nenhuma resposta prevista ou obediência por parte deles, tal como fé, arrependimento, etc. Ao contrário, é Deus que dá a fé e arrependimento a cada individuo que Ele escolhe. Estes atos (a fé e o arrependimento) são o resultado, não a causa da eleição de Deus. Portanto, a eleição não é determinada ou condicionada por alguma virtuosa disposição prevista no homem. Aqueles que Deus soberanamente escolhe, os trás através do Espírito a uma aceitação voluntária de Cristo. Então, a causa final da salvação está em que Deus escolhe para salvação ao pecador, não que o pecador escolha a Cristo.
3. A redenção particular ou expiação limitada. A obra redentora de Cristo teve o propósito de salvar só aos escolhidos e assegurar a salvação deles. Sua morte foi em substituição da pena do pecado e em lugar de certos pecadores específicos. Além de quitar os pecados de Seu povo, a redenção de Cristo assegurou todo o necessário para sua salvação, incluindo a fé que lhes une a Ele. O dom da fé é concedido infalivelmente pelo Espírito Santo a todos aqueles pelos quais Cristo morreu, garantindo assim sua salvação.4. O chamamento eficaz do Espírito Santo ou a graça irresistível. Além do chamamento externo geral à salvação que se faz a todos os que ouvem o evangelho, o Espírito Santo estende a todos os eleitos um chamamento interno especial que inevitavelmente lhes traz à salvação. O chamamento externo (que se faz a todos sem distinção) pode ser e muitas vezes é recusado; enquanto que o chamamento interno (feito só aos eleitos) sempre resulta na conversão. Por meio deste chamamento especial, o Espírito Santo atrai irresistivelmente aos pecadores a Cristo. Em Sua obra de aplicar a salvação, não está limitado pela vontade do homem, nem depende da cooperação do homem para ter êxito. Pelo poder da graça, o Espírito Santo impulsiona ao pecador eleito a cooperar, a crer, a arrepender-se, a vir livremente e de sua própria vontade (livrada pelo poder de Deus) a Cristo. Então, a graça de Deus é invencível; sempre resulta na salvação daqueles a quem é estendida.
5. A perseverança dos santos (crentes). Todos os que foram escolhidos por Deus, redimidos por Cristo e receberam a fé por meio do Espírito Santo, são eternamente salvos. Permanecem na fé pelo poder de Deus onipotente, e, portanto, perseverarão até o fim. (Perseverarão porque são preservados por Deus).